Resenha 01: Confissões (Agostinho)

CONFISSÕES

Autor: Santo Agostinho

São Paulo: Paulus, 1997 (Coleção Patrística, Vol. 10), 462 pp.

Tradução: Maria Luiza Jardim Amarante.

Resenhista: Fares Camurça Furtado

 

Apresentada em forma de palestra no grupo “CaFé com letras”, dia 26/05/2016, na Igreja Batista Regular Sião, em Juazeiro do Norte – CE.

 

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A grandeza de um livro não se encontra na capa, no título ou na pessoa do autor. Algumas capas maravilhosas escondem obras rasas e superficiais; certos títulos atraentes escondem tramas desconexas e monótonas; além disto, você, possivelmente, já leu obras de autores celebrados que não passavam de um verdadeiro fiasco. A grandeza de um livro se encontra no seu conteúdo. Se pudéssemos personificar uma obra, diríamos que sua ontologia tem relação direta com a qualidade de seu conteúdo. Porém, quando este conteúdo é esteticamente harmonizado em todas as suas partes e apresenta verdades de maneira bela e coesa, dizemos que a obra possui uma boa relação entre forma e conteúdo e, isto, tomando-se em conta a personificação da obra, aumenta ainda mais seu peso ontológico. Pois bem, esta é a realidade da obra Confissões de Agostinho: auto peso ontológico, estético e epistemológico – essência, forma e conteúdo muito bem dispostos no todo e no particular; no macro e no micro; na generalização e no detalhamento!

 

A obra foi escrita por Agostinho quando já era bispo de Hipona, por volta de 397 d.C.[i] e é ambientada no ocaso do império romano, na África Setentrional e Itália. Por meio deste livro podemos ter alguns vislumbres do século IV no que tange à cristandade, astrologia, maniqueísmo, os platônicos (como eram conhecidos os adeptos do neo-platonismo), alegorese, geografia, influências literárias, etc. Mas acima de tudo aponta a devoção do monge Agostinho, que se descortina diante de Deus e de seus leitores ao longo de cada página. Trata-se de uma autobiografia paradigmática para muitos escritores, que também escreveram suas memórias em forma de confissões. De longe, esta é a obra mais conhecida de Agostinho. A linguagem é refinada, a escrita é boa, com um alto teor retórico e que pode apresentar alguns entraves ao neófito em literatura agostiniana. No entanto, apesar da grandeza da linguagem, a trama é tão bem escrita, que até mesmo iniciantes podem compreendê-la, caso haja vontade e esforço para continuar lendo até o final.

Richard Southern, referindo-se ao livro Santo Agostinho: uma Biografia, de Peter Brown, afirma que este deve ser saudado pelo fato de “retirar Agostinho do túmulo da doutrina teológica e pôr a mente e as emoções agostinianas para trabalhar diante de nossos olhos.”[ii] Porém, quando se leem os livros de Agostinho, principalmente Confissões, percebe-se nitidamente que não dá para separar Teologia de Filosofia na pena de Agostinho. Todo o livro é ambientando diante de Deus e para Deus. Todas as suas meditações e reflexões são eminentemente teológicas, de maneira que apesar do viés fortemente platonista da literatura agostiniana, seus escritos não apontam para um túmulo mofado onde existe um cadáver chamado Teologia. Na verdade, é a partir do Deus Vivo e do frescor teológico que todas as construções filosóficas se perpassam.

A abordagem de Agostinho é inédita e seu vigor acadêmico supera todos os pais da igreja que o precederam. Agostinho entendeu a fealdade de seu coração, a partir do momento que passou pela experiência de conversão. Isto o levou a buscar um estilo próprio que ajudasse monges e homens devotados a Deus (os chamados “servos de Deus”) a não se confiarem nos méritos da disciplina espiritual, mas a entenderem que nossa alma deve estar desnuda diante de Deus. Como diz Brown, Agostinho “ficava feliz por ter uma plateia cujo ideal de amizade a havia preparado para ouvir, sem nenhum desprezo”[iii]. Alguns não aceitaram o aspecto incisivo e bem íntimo das confissões de Agostinho; no entanto, seus livros foram muito lidos ao longo do Império. O foco individual e a busca da verdade interior, não meramente nos sistemas filosóficos e teológicos, mas dentro de si, tem continuidade ao longo de toda obra. Como bem afirmou Susan Bauer:

 

Como o herói de um épico antigo, ele sai em busca de novas terras, mas sua peregrinação é a saga interna da corrupção para a santidade (…) Sua história não trata de um romano, ou de um norte-africano, ou de um membro da igreja, mas de Agostinho, um indivíduo, cuja vida privada tem um enorme sentido sobrenatural.[iv]

 

 

     Confissões é escrita com o propósito de expor as fraquezas de Agostinho diante de Deus, em tom de oração, ao mesmo tempo que tem como objetivo levar os seus leitores a amar a Deus e a buscar deleitar-se exclusivamente nEle. Agostinho apresenta a tese de que a verdadeira felicidade e o verdadeiro descanso estão em Deus e é com base nesse pressuposto (de um escritor que já alcançou a felicidade) é que ele escreve esta autobiografia. A obra é dividida em 13 livros, cada livro é dividido em capítulos e cada capítulo é dividido em parágrafos. São recorrentes as citações das obras fazendo menção a esta sequência. Por exemplo, uma referência do tipo IX.6.14 indica que estamos no livro nono, no capítulo sexto e no parágrafo décimo quarto. Dos livros I-IX ele apresenta recortes autobiográficos que vão desde sua infância até a morte de sua mãe em Óstia; dos livros X-XIII ele continua a apresentar a busca pela verdade nos escritos de Deus e elabora argumentos filosóficos de alta complexidade sobre a memória, os sentidos, as tentações, a temporalidade e a criação do Universo (cosmogonia) a partir de comentários em Gênesis.

Alguns acreditam que os 13 livros das Confissões não foram escritos ao mesmo tempo; ou seja, Agostinho acrescentou os 3 últimos livros posteriormente.[v] Uma suposta base para isto encontra-se em sua obra Retratações II.6, quando afirma “Do primeiro ao décimo livro, escrevi sobre mim mesmo; nos três restantes, escrevi sobre o texto sagrado ‘No princípio criou Deus os céus e a terra’ até o descanso do Sabbath (Gn. 1:1-2:2)”.[vi]

Mas esta disposição do texto não implica dizer que houve dois momentos na escrita. Aliás, é perceptível que Agostinho tinha uma seleção a fazer ao longo de sua biografia. Parece fazer um tributo a sua mãe; ela ocupa um lugar dominante em toda a narrativa, a qual termina exatamente no momento em que Mônica morre. Ele deixa de narrar os acontecimentos de cerca de uma década entre a morte de Mônica e o seu bispado. É significante tal dado. Também é preciso dizer que após falar do seu passado, ele começa a parte mais filosófica do livro ao falar sobre o presente, tratando da memória, das sensações e das tentações no livro X; no livro XI ele tece amplos comentários sobre a temporalidade. Se você deseja um tratado sobre a eternidade leia o livro XII e, por fim, se desejas um tratado de simbólica (eufemismo para alegorese), leia o livro XIII. No livro XIII, Agostinho termina o relato da criação no sétimo dia, um símbolo do descanso eterno celebrado entre Deus e os homens. Curiosamente, isto implica num desfecho sensacional para o que começa no livro I: a necessidade de descansar em Deus para se obter felicidade. Um outro detalhe une todos os fios da trama: o anti-maniqueísmo; em seus comentários aos capítulos introdutórios de Gênesis (livros XI, XII e XIII), Agostinho continuamente pretende mostrar a falácia da argumentação maniqueísta. Ele já tentara mostrar isto na porção narrativa da obra e agora a partir do texto das Escrituras que apresenta a criação, ele termina de sepultar a heresia de Mani[vii]. Sendo assim, a unidade e coesão da obra é tão grande, que ler apenas a parte narrativa da obra implica em deixar de alcançar voos altaneiros na reflexão filosófica e não captar as nuances da obra por inteiro.

No livro I, ele narra os acontecimentos do seu nascimento aos 15 anos. Nos seis primeiros capítulos deste livro, ele se apresenta diante de Deus e mostra quão ingênuo é tentar definir Deus a partir de categorias humanas; já no início ele apresenta seus pressupostos: Deus é eterno, indivisível, inefável, impassível. Observe a maneira esplendorosa como ele apresenta o caráter inefável e indivisível de Deus em I.3.3:

 Mas tu, que tudo enches, o fazes com todo o teu ser. E já que o universo inteiro não pode conter todo o teu ser, conterá somente uma parte? E todos os seres conterão a mesma parte, ou cada um conterá uma, os seres maiores a parte maior, os menores a menor? Mas há em ti partes maiores e partes menores? Ou estás inteiro em toda parte, e nada existe que te contenha inteiramente?

 

Apresenta sua infância mais remota já completamente preenchida com os vestígios da natureza pecaminosa. Crianças não são inocentes em essência: “a inocência das crianças reside na fragilidade dos membros, não na alma” (I.7.11). Um precioso insight que comprova isto se encontra nas seguintes palavras:

Queria manifestar meus desejos às pessoas que deviam satisfazê-los, mas não conseguia, porque eles estavam dentro de minha alma e elas estavam fora, e através de nenhuma percepção teriam podido penetrar no âmago de minha alma. E assim eu me debatia e gritava, exprimindo uns poucos sinais proporcionais aos meus desejos, como eu podia e de maneira inadequada. Se não me obedeciam, ou porque não me entendiam ou por medo de me fazerem mal, eu me indignava com essas pessoas grandes e insubmissas que, sendo livres, recusavam ser minhas escravas, chorando, eu me vingava delas. (I.7.11)

 

Não dá para ler Agostinho sem observar sua base platônica. Perceba a ênfase no subjetivo e interior; a necessidade de descrever as sensações e impressões do passado e uma reminiscência da crença na pré-existência das almas, que ele insiste deixar em secreto para não incorrer em dificuldades com as Escrituras; como afirma em I.6.10, é melhor encontrar a Deus não o compreendendo do que não encontra-lo, compreendendo-o. Em seguida ele trata da linguagem e afirma que não aprendeu a falar por meio de métodos de adultos, mas através das tentativas de se exprimir. Memorizava o nome dos objetos e pela repetição aprendeu a falar. Há uma apresentação da pedagogia de sua época. Professores eram rigorosos; quando o aluno era preguiçoso, o mestre poderia castigá-lo com vara. Os professores que tanto lhe cobravam disciplina e autocontrole eram os mesmos que ficavam irados ao perder uma discussão, mais do que uma criança que perde um jogo de bola (ou de uma em nossos dias, que perde para o computador no videogame). É curioso notar, que Agostinho ao relembrar sua infância aponta para o fato de que a inteligência já está dentro do indivíduo. Ninguém aprende a ser inteligente. A sabedoria já estava no homem e havia sido dada por Deus.

Mas Agostinho em sua tenra infância preferiu os jogos e o teatro, deixando os estudos em segundo plano. Enquanto isto, sua mãe já católica impediu que o filho fosse batizado, pois havia a crença de que se a pessoa se batizasse e cometesse pecados depois, estes seriam muito mais graves. A mãe não o deixou ser batizado porque não queria que o menino batizado maculasse a imagem do cristão.

Agostinho não tinha gosto pelo latim, muito menos pelo grego. Mas foi pelo latim que veio a conhecer peças literárias como Eneida de Virgílio; chorava e se deleitava nas peças literárias, mas não amava a Deus; prevaricava longe dele. Isto nos faz lembrar que em muitas ocasiões choramos ao assistir um filme, mas não derramamos uma lágrima sequer por Deus. Mas, providencialmente, foram estas leituras de relaxamento que o levaram a criar um intenso gosto pela leitura e escrita. Diante do método de seus professores, não obteve muito êxito em seus estudos no grego e nos deu esta gema de sabedoria: “para aprender é mais eficaz a livre curiosidade do que um constrangimento ameaçador” (I.14.23). Até um homem da envergadura de Agostinho comete erros crassos por desprezar o estudo do grego. Se você estuda teologia, não despreze o estudo das línguas originais (e aqui eu espero não estar causando um constrangimento ameaçador).

Ele sofreu a influência de Virgílio, de Homero, de Terêncio (o qual narra a descida de Júpiter em forma de trovão para adulterar), Cícero, Salústio, etc. Logo passou a ver o aspecto nocivo da mitologia grega, enaltecida por meio de seus mestres:

Mas, certamente, nenhum desses mestres, trajados de capa magistral, se conservaria calmo ao ouvir um colega, nascido do mesmo pó, proclamar: “Homero imaginava essas ficções e atribuía aos deuses os vícios humanos; eu preferia que nos trouxesse as perfeições divinas”. Mas seria exato dizer que Homero, inventando tais coisas, atribuía qualidades divinas a homens viciados, a fim de que os vícios não fossem considerados como tais, e quem os comete pareça imitar, não homens corruptos, mas divindades celestes (I.16.25).

Qualquer semelhança com a literatura e a cultura disseminada em nosso país não é mera coincidência. Agostinho repudiava a hipocrisia de seus professores que o obrigavam a beber vinho e viviam de conveniências sociais. A boa declinação de um poema e o ganhar disputas intelectuais eram mais buscados do que a virtude. Se fosse preciso atentar contra o homem, isto era menos grave que cometer um erro gramatical. Foi neste ambiente pedagógico que Agostinho cometeu seus primeiros pecados: fraudava nos jogos para ganhar, roubava comida na despensa e mesa de seus pais, mas não aceitava que os outros fizessem isso. E é por isto que não acreditava na inocência das crianças, pois os pecados que elas cometem nesta fase também os cometerão em maiores proporções quando adultas.

Ao terminar o livro I, Agostinho aponta que tudo é dom de Deus e que o maior erro das criaturas é buscar nos prazeres exteriores e na criação o deleite que só é alcançado em Deus. É com base nisto que uma das frases mais citadas de Confissões nos é apresentada: “fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti.” (I.1.1). E no livro X, Agostinho afirmará que esta alegria e felicidade não é concedida aos ímpios, “mas àqueles que te servem por puro amor: essa alegria és tu mesmo. E esta é a felicidade: alegrar-nos em ti, de ti e por ti” (X.22.32).

O livro II trata de um período de transição que passou entre os estudos em Madaura e Cartago, quando contava a idade de 16 anos. As Confissões não apresentam um gosto por contar as lascívias e as culpas do pecado, mas apresenta uma reconstrução do caminho amargo para perceber como se perdera em bagatelas. Ele se entregou a paixões e vicissitudes. Lamenta por ter encontrado Deus tão tarde (confira o magnânimo poema em X.27.27), mas, agora, aos 16, ardia em paixões e pecados. Seu pai o trouxe para Tagaste, sua cidade natal, enquanto se preparava financeiramente para enviá-lo até Cartago. Percebe-se que reiteradamente ele aponta um aspecto triplo das Confissões (Agostinho – Deus – seus leitores):

Mas, a quem narro eu esses fatos? Não a ti, meu Deus; mas, diante de ti, aos meus semelhantes, ao gênero humano, àqueles que, mesmo pouco numerosos, venham a volver os olhos para estas páginas. E para quê? A fim de que mesmo, e os que me lerem, pensemos deque abismo profundo devemos clamar por ti. Que há mais próximo de teus ouvidos que um coração arrependido e uma vida de fé? (II.3.5)

 

Ao longo do livro, percebe-se a grande retórica de Agostinho, capaz de construir pensamentos complexos por meio de frases tão sintéticas; capaz de fazer trocadilhos (mas somente aqueles de nós que tentarmos nos esmerar no latim os perceberemos). Por exemplo, o pai queria que o filho aprendesse a Retórica e não se importava com a fé de Agostinho, desde que este fosse eloquente (disertus), mas Agostinho dizia que era vazio (desertus). Um incidente curioso remonta ao episódio do furto de peras. Ele não o fez pelo desejo de saborear o fruto, mas pelo desejo de maldade. Não roubou pelo objeto do furto em si, mas pelo desejo de roubar, pelo pecado. Gostava de arruinar-se, de destruir-se. Amava o seu próprio aniquilamento e não o objeto que o aniquilava. Ademais, ninguém ama o crime por si só, mas a causa pela qual o comete: o desejo pelos bens ou o desejo de vingança. Só que as paixões dão satisfação ilusória; somente Deus pode saciar as exigências do espírito humano.

Após o furto, ele contempla o ato de furtar e pergunta: será que o furto é uma entidade? E aqui já prenuncia sua teodiceia. A ambição busca a glória própria, mas esta só pertence a Deus. Assim como ao furtar Agostinho buscava a beleza e o contentamento; mas longe de Deus só encontrava feiura e inquietação, o mal é a privação do bem e a rebelião é uma imitação às avessas de Deus; porém, uma declaração de reconhecimento que só ele é quem pode nos satisfazer. Ele desejava a Deus, mas naquela ocasião se encontrava em um antro de miséria.

No livro III, é-nos apresentada sua vida de estudante. Ele foi estudar em Cartago por meio dos sacrifícios financeiros de seu pai. Nesta grande cidade da África Setentrional, Agostinho teve no teatro o alimento para suas sensações. Na narrativa, considerou loucura o que fez, quando tinha o seu prazer no sofrimento dos acontecimentos trágicos do teatro. Se as cenas não causam aquela sensação de compaixão, a audiência sai criticando; querem chorar e sofrer. Ele afirma: “tenho mais compaixão do homem que se alegra no vício, do que pena de quem sofre a privação de um prazer funesto e a perda de uma felicidade ilusória” (III.2.3). O teatro que o fazia chorar, tratava de afundá-lo ainda mais em vícios.

Com o gosto pelo teatro, Agostinho se destacou como o primeiro aluno nas aulas de Retórica. Quando estava com 17 anos, soube da morte de seu pai, mas não relata muito sobre isto. Nesta época, a leitura da obra Hortênsio, de Cícero (lida quando possuía 19 anos), mudou os rumos de Agostinho. Levou-o a desejar ser mais sábio e buscar a sabedoria, a verdade e não meramente a compaixão por meio do teatro. Ele não leu apenas pela estética da linguagem (retórica), mas pelo conteúdo (verdade). Alguns só leem para buscar citações (como eu faço de vez em quando), mas em Hortênsio, Agostinho passou a buscar a verdade. Porém, é notório um detalhe da influência do catolicismo de Mônica sobre seu filho. Ela o ensinou a priorizar Cristo. Como Hortênsio não tratava de Cristo, o escrito não o cativou mais. Agostinho passou, então, aos primeiros contatos com a Escritura Sagrada, mas como não encontrou linguagem rebuscada tal qual a de Cícero, acreditou que a Bíblia não estava à sua altura, mas ele é que não conseguia rebaixar-se para sorver o doce gole das Escrituras Sagradas. Orgulhoso, longe de Deus, não entendeu!

Findou aderindo ao Maniqueísmo, que ensinava uma ênfase na criação, negava que o Deus do Antigo Testamento fosse o verdadeiro Deus, fazia uma deturpação da trindade (o Filho e o Espírito Santo são tratados como criaturas); há um foco no sol e na lua; tinha seu caráter docético, pois apresentava Cristo como o “fantasma crucificado”. Na verdade, os maniqueístas suplantaram os gnósticos em muitas coisas, como bem afirmou Peter Brown: “os maniqueus eram mais radicais do que os gnósticos, na medida em que, originalmente, afirmavam-se superiores ao cristianismo, e não apenas os detentores das tradições esotéricas do cristianismo.”[viii]

Quanto às supostas dificuldades do “genocídio cananeu”, Agostinho explica posteriormente com os seguintes argumentos: se até ao rei obedecemos quando uma ordem estranha à ordem comum é dada, imagina quando o Rei eterno é o ordenador? Além disto, se já é difícil julgar os homens (por exemplo, um homem rico é julgado como ganancioso e um juiz como um homem que sente prazer na dor dos outros, mas isto nem sempre é verdade), imagine julgar os decretos e intentos do próprio Deus? Que perspicácia de Agostinho para lidar com as mordazes críticas dos maniqueístas ao catolicismo!

Aqui, também, encontramos a Mônica devota e apegada ao filho. Em um sonho divino teve a certeza de que o filho deixaria o erro maniqueísta e se converteria ao catolicismo; mas o filho zombava dos intentos da mãe. Mônica lutou por seu filho em oração e buscou a ajuda de um bispo que fora anteriormente maniqueu. Mônica insistiu que o bispo persuadisse Agostinho a deixar o maniqueísmo. O bispo disse: “Deixe-o onde está. Limite-se a orar por ele ao Senhor: ele descobrirá por si mesmo, através da leitura, o erro e toda a impiedade dessa doutrina”. Mônica insistiu. Ele respondeu: “Vá e viva em paz, pois é impossível que possa perecer um filho de tantas lágrimas” (III.12.21). Parecia Ana rogando auxílio divino diante de Eli. Ana pediu pelo nascimento de um filho; Mônica, pelo novo nascimento de Agostinho. Este ainda viveu como maniqueísta por cerca de nove anos.

No livro IV, ele relata o período em que foi professor de ciências liberais (dos 19 aos 28 anos) e trata do seu retorno para Tagaste. Deixou-se levar pelas disputas acadêmicas, literárias, concursos, busca por coroas, ao mesmo tempo em que mantinha relação direta com o maniqueísmo. Nesta época deixou-se levar pela astrologia e dela se libertou através da descoberta que nem todos que possuíam o mesmo horóscopo tinham o mesmo destino. Seu texto é recheado de citações das Escrituras, principalmente dos Salmos, mas sua ampla erudição é destacada na citação que faz de Horácio, Sêneca, Ovídio, Virgílio, Homero. Foi nesta ocasião que a morte de um grande amigo causou grande desconsolo em Agostinho.

Consolou-se no pranto, mas desgostou-se da vida. Via sua inaptidão para chegar-se a Deus, pois o homem sem Deus não pode e não quer chegar-se a Ele, é preciso que Deus queira chegar ao homem! Ele afirma: “minha alma era oprimida ao peso de grande angústia. Senhor, eu sabia que a ti deveria erguê-la, para que ficasse curada, mas não o queria nem podia” (IV.7.12). Observe a fúria de seu coração diante do falecimento de seu amigo: “meus olhos o procuravam por toda parte sem encontra-lo; eu odiava o mundo inteiro, aborrecia-me porque o amigo não mais existia, e ninguém podia dizer-me: ‘aí vem ele’” (IV.4.9). Por fim, reconhece que só é feliz quem ama a Deus, pois a Ele nunca perdemos.

Agostinho deleitava-se com os grandes oradores mas aponta as motivações que o levaram a querer ser um dos maiores oradores de sua época. Ao falar sobre o orador Hiério, ele nos revela suas mais profundas motivações:

Aquele orador [Hiério] pertencia à espécie de homens que eu amava tanto, a ponto de desejar ser como ele (…). Eu amava aquele homem mais pelo amor de quem o louvava do que pelos motivos pelos quais era louvado. Se, em vez de o louvarem, essas mesmas pessoas o tivessem censurado, se tivessem dito dele as mesmas coisas, porém com ar de crítica e desprezo, não me teria inflamado de entusiasmos por ele. (IV.14.23).

 

Agostinho era um leitor voraz e, ao contrário do que se pensa, também leu Aristóteles, a partir da obra As Dez Categorias. E estas leituras associadas com o desejo de sucesso e de aprender mais, junto com um público mais devotado o levaram a embarcar para a Itália.

O livro V relata sua saída de Cartago e sua chegada na Itália. Antes, porém, procurou respostas para algumas de suas perguntas sobre o Universo. Como os mestres maniqueístas não o responderam, depositou suas esperanças em Fausto, um dos principais maniqueístas. Porém, o erudito Agostinho percebeu a fraqueza de Fausto e começou a se desiludir com o maniqueísmo. Deixa sua mãe na África e parte para Roma. Quando chegou em Roma, ainda continuou como maniqueísta. Porém, deixou-se seduzir pelo ceticismo acadêmico e mesmo convivendo diante dos maniqueístas, ele era cético de coração, uma vez que tal movimento era venerado entre os romanos (eram chamados de “Acadêmicos”).

Logo fez sucesso como professor, mas apresentou o infortúnio de ter alunos que não pagavam pelas aulas recebidas. Então, aceitou uma vaga de professor de retórica em Milão e lá se encontrou com Ambrósio, um grande orador cristão. Descobriu nele uma retórica mais profunda que a de Fausto. Logo, passou a ver a lógica das teses de Ambrósio. O método alegórico deste começou a fazer sentido para Agostinho por meio de explicações espirituais e não literais. Porém, não se rendeu à fé católica. Deixou o maniqueísmo e permaneceu como catecúmeno na igreja católica em Milão. O neoplatonismo de Ambrósio levou Agostinho a observar como o catolicismo poderia ser relevante por meio do método alegórico:

O sentimento pungente de que o homem comum, preso ao mundo óbvio dos sentidos, move-se na penumbra e de que o saber que ele afirma possuir é meramente o estado obscuro e derradeiro de uma progressão inelutável de estágios decadentes de consciência é a marca da visão plotiniana do universo (…) Não pode “conhece-lo” [o estágio mais inferior], do mesmo modo que um homem de raciocínio literal nunca é realmente capaz de apreender o pensamento de um homem intuitivo. [ix]

 

Perceba a busca de Agostinho pela verdade e pela satisfação. Começou no desejo de ser atendido na mais tenra infância, passa pelo desejo por jogos e brincadeiras, chega ao teatro, mas nada disto o completa. Deleita-se nas artes liberais, na retórica, mas não encontra nisto solução para o problema de sua alma; então, ao chegar em Hortênsio, passa a buscar a verdade; vai às Escrituras, mas sua mente estava cega para enxergá-la; cai no sofisma maniqueísta, passeia pela astrologia, se encanta com o ceticismo, mas o seu coração só encontra desapontamentos e desesperança. É neste contexto que começa o livro VI, onde ele tem contato com os “platônicos”, como eram chamados os escritos neo-platonistas de Plotino e Porfírio, entre outros.

Nesta época Agostinho tinha 30 anos e Mônica entra em cena novamente. Ela deixa a África para se unir a seu filho em Milão. Esperava vê-lo católico antes de morrer. Observa-se o catolicismo popular na vida de Mônica. Ela costumava levar bolo, pão e vinho para a sepultura dos mortos. Bebia vinho diluído para homenagear os santos. O bispo Ambrósio suspendeu tais ritos para que os ébrios não se embriagassem (um princípio semelhante usado no Brasil por alguns evangélicos no que tange a defender a abstenção total de bebidas alcoólicas) e para não confundir com “parentais” pagãos.

Ambrósio passou a se tornar uma figura muito influente para Agostinho, o qual passou a escutar os sermões de Ambrósio todos os domingos. Foi nesta época que através da pesquisa das Escrituras chegou à verdade sobre a imagem de Deus. Chegou à conclusão que Deus não é corpóreo como afirmam os maniqueístas. Deus usa até mesmo a alegorese para levar alguém a Ele, a despeito da espiritualização do texto. Mas o coração de um pecador tem suas desconfianças:

Depois de experimentar um médico mau, receia-se confiar num bom, o mesmo acontecia à saúde de minha alma, que somente poderia curar-se pela fé, mas, para não acabar novamente acreditando em coisas falsas, recusava a cura, resistindo a ti que fabricaste o remédio da fé e, dotando-o de tão grande poder, o derramaste sobre todas as enfermidades da terra. (VI.4.6).

 

Diante de um panegírico ao imperador, Agostinho percebeu sua miséria, pois as homenagens formais a grandes autoridades em geral são mentirosas (o imperador em questão possivelmente era Valentiniano II). Agostinho até então vivia em torno do desejo de agradar os outros, mas, no íntimo, sabia que sua felicidade era passageira e menor que a de um mendigo.

Não só nesta época, mas sempre, Agostinho estava rodeado de amigos. Os que se destacam neste momento são Alípio e Nebrídio. Nesta época Agostinho ainda vislumbrava alcançar altos degraus na sociedade romana. Estava prestes a se casar com a filha de um ilustre romano, mas isto o levou a separar-se de sua concubina. Ela foi embora, mesmo amando-o e deixou Adeodato, o filho desta união, com Agostinho. Ele aponta para a dor desta separação: “Quando de mim foi arrebatada a mulher com quem vivia, considerada impedimento ao meu casamento, meu coração, que lhe era afeiçoadíssimo, ficou profundamente ferido e sangrou por muito tempo” (VI.15.25). Mesmo depois de algum tempo, em Cassicíaco, ele ainda rememora isto, falando de si para si mesmo:

 quão sórdidos, imundos e terríveis te pareciam os abraços de uma mulher, quando discutíamos o desejo de uma esposa. Mas, nessa mesma noite, quando te deitavas, desperto, revolvendo essa questão em tua mente, a coisa era diferente do que havias suposto. (…) Mas, não chores! Anima-te: já choraste demais, o que só fez agravar a doença em teu peito.[x]

 

No livro VII, há uma extensa discussão sobre o problema do mal e Agostinho continua sua jornada rumo à verdade, mesmo que fosse a Verdade que corresse ao seu encontro. Agostinho procurou saber de onde veio o mal. Se foi o diabo que plantou os germens do pecado no coração humano, então de onde veio essa vontade que o tornou diabo? Refutado o maniqueísmo, Agostinho continuou buscando saber a origem do mal: “eu (…) estava ansioso para conhecer a origem do mal” (VII.7.11).

Foi nesta época que encontrou auxílio na leitura dos platônicos. Tal leitura levou Agostinho a buscar a verdade no próprio íntimo. É interessante notar que não há muita alusão direta aos escritos platônicos, mas o texto de Agostinho está recheado do início ao fim das ideias de Platão e Plotino harmonizadas com as Escrituras Sagradas, principalmente nos textos do apóstolo Paulo. Como afirmou Brown: “Agostinho sempre se preocupou em reunir o ‘Deus de Abraão, Isaac e Jacó’ e o ‘Deus dos Filósofos’. Nenhum livro exibe essa fusão com maior beleza literária do que as Confissões.[xi]

Foi então que ele percebeu que o mal não é uma entidade ontológica em si. Somente o imutável existe. O mal não é uma substância, mas a privação da substância do bem. O mal é a privação do bem! Ele viu a beleza de toda a criação, mesmo com a presença do mal, harmonizada à luz do todo. O mal, por assim dizer, é a privação do bem e a perversão da verdade. Aqui ocorria uma gradual ascensão na descoberta de Deus; Agostinho sentiu o cheiro do alimento espiritual, mas não conseguiu comê-lo porque ainda ignorava Cristo como mediador. Achava Jesus um grande sábio apenas. Foi levado a Paulo e o leu com muito afinco. Passo a passo as escamas estavam caindo dos olhos de Agostinho.

Chegamos então ao livro VIII, onde sua conversão é narrada. Seu encontro com Simpliciano foi muito celebrado. Neste encontro o velho Simpliciano narrou a Agostinho a conversão de Vitorino, que, à semelhança de Agostinho, também era um grande erudito (aliás, mais ainda que Agostinho, pois lia e traduzia obras gregas para o latim). Simpliciano utiliza este ponto de contato entre Vitorino e Agostinho para impingir na consciência de Agostinho um desejo pela conversão ao Deus verdadeiro. De fato, Agostinho tanto se impressionou com a conversão de Vitorino que desejou imitá-lo. O bispo de Hipona retrata as etapas imediatamente anteriores à sua conversão da seguinte maneira:

Não há prazer no comer e no beber, se não for precedido pelo mal-estar da fome e da sede. Os ébrios comem certos alimentos salgados para provocar uma irritação desagradável e sentir assim maior prazer em extingui-la com a bebida. Firmou-se o costume de não entregar imediatamente ao marido a esposa prometida, para que ele não a despreze, já que não suspirou por ela como noivo. (VIII.3.7)

 

Porém, Agostinho ainda lutava com seus desejos. Foi nesta época que ele chegou a dizer: “Dá-me a castidade e a continência, mas que não seja para já.” (VIII.7.17). Porém, Agostinho sabia que sua alma era incapaz de chegar a Deus e de desejar a castidade sem que Deus não quisesse concedê-la. Veja em que termos tão vívidos nos é pintado o conceito de depravação total nas palavras de Agostinho:

A alma comanda o corpo, e este lhe obedece imediatamente; comanda-se a si mesma e esta resiste. A alma ordena à mão que se mova, e a obediência é tão fácil, que mal se distingue a ordem da execução. No entanto, a alma é espírito, e a mão é matéria. A alma ordena que a alma queira; e, ainda que se trate da mesma alma, ela não obedece. Qual a origem dessa monstruosidade, e qual a sua razão? A alma ordena o querer; não ordenaria se não o quisesse; no entanto, não executa aquilo que ela mesma ordena (VIII.9.21).

 

No capítulo 12 do livro VIII chegamos à famosa narrativa da conversão de Agostinho. Ouviu uma voz, como que cantilena infantil, dizendo “Toma e lê”. Ele foi ao primeiro texto que encontrou das Escrituras, no verdadeiro estilo caixinha de promessas, e se deparou com Romanos 13.13ss. Todas as escamas caíram e Agostinho foi alcançado pela verdade divina. Agostinho e Alípio vão até Mônica contar o ocorrido. Mônica vibrou de alegria. Agostinho apontou o seguinte desta experiência: “de tal forma me converteste a ti, que eu já não procurava esposa, nem esperança alguma terrena, mas permanecia firme naquela fé em que tantos anos antes me tinhas mostrado em sonho a minha mãe.” (VIII.12.30). Percebe-se indícios de um continuísmo moderado no pensamento de Agostinho. Aqui vemos indícios de um Agostinho mais asceta. Porém, no livro X, veremos que os embates em sua consciência não se aliviaram, mas sua intensificação consiste na prova vívida de que estava finalmente lutando contra o pecado.

O livro IX é o último exemplar do mostruário de narrativas de Confissões. Apresenta o batismo de Agostinho, o início de sua viagem para a África e termina com a morte de Mônica. Após sua conversão e ao longo de seus preparativos para o batismo, Agostinho resolveu abandonar a cátedra de retórica. Neste ínterim, Verecundo ofereceu sua propriedade em Cassicíaco para Agostinho meditar e refletir com seus amigos e sua mãe. Lá ele desenvolveu não o ócio criativo, mas o Christianae Vitae Otium (o ócio da vida cristã). Lá Agostinho meditou sobre os salmos. Inclusive ao longo da leitura do livro IX observamos uma breve exposição do Salmo 4. Em confinamento, Agostinho se desvencilhou do apego aos bens terrenos e viu que a felicidade não se encontra no externo. Agora, deseja a salvação dos maniqueístas, e creio que, em parte, foi por isso que escreveu as Confissões e vários escritos anti-maniqueístas. Observe as próprias palavras de Agostinho, também apontando para o descanso exclusivo em Deus:

Em ti está o repouso que faz esquecer todas as fadigas, porque ninguém está contigo, nem vale a pena buscar outros bens que não sejam o que és. “Só tu, Senhor, me fazes descansar em segurança”. Eu lia e me inflamava. Não sabia o que fazer para salvar aqueles surdos mortos, a cujo grupo eu havia pertencido, quando ainda era uma peste, um cão raivoso e cego que ladrava contra as Escrituras feitas de mel celeste e resplendentes de tua luz.

 

É descanso no começo da narrativa (Livro I), no final das narrativas (Livro IX), no início das reflexões filosófico-teológicas (Livro X) e final das reflexões (Livro XIII). Aí está uma boa teologia que une todos os livros das Confissões: o descanso e a felicidade exclusiva em Deus. Antes do batismo foi conduzido ao profeta Isaías por Ambrósio, mas até mesmo o grande Agostinho achou incompreensível o livro de Isaías. Por fim, batizou-se em Milão, juntamente com Alípio e seu filho Adeodato. Este seu filho morreu jovem e teve um livro em sua homenagem (De Magistrum), onde Agostinho narra a perspicácia e inteligência do jovem.

Aqui encontramos mais indícios do continuísmo observado, por exemplo, na vida de Ambrósio e na sua batalha contra Justina, mãe do imperador Valentiniano. Ela era ariana e perseguiu a Ambrósio. No relato agostiniano, Deus revelou em visão a Ambrósio a localização dos cadáveres de Protásio e Gervásio. Este os conduziu para a sua basílica e muitos que estavam próximos foram curados. Com isto, a ira da mãe do imperador foi aplacada, pois não poderia perseguir Ambrósio contra a vontade do povo.

Agostinho ao encaminhar-se para o final de sua narrativa passa a falar de sua mãe, Mônica. Ele narra suas virtudes, como ensinou as mulheres a cuidarem de seus maridos e o quão devotada era a causa cristã. Juntou-se com um grupo de amigos, entre eles seu irmão Navígio, Evódio e Mônica. Quando chegam em Óstia são impossibilitados de seguir viagem para a África. Naquele lugar, Agostinho e Mônica tiveram uma contemplação da eternidade. Mônica estava certa de que agora poderia morrer e ser enterrada em qualquer lugar, pois sua vida só tinha sentido enquanto seu filho ainda não era católico. Agora, que seu desejo fora realizado, esvaiu-se toda a esperança terrena. Mônica adoeceu e poucos dias depois agonizando em seu leito de enfermidade pediu a seus filhos: “lembrai-vos de mim no altar do Senhor, seja qual for o lugar em que estiverdes” (IX.11.27).

Após a morte de sua mãe, Agostinho tomou um banho (balneum pode derivar de balonion – ballo significa jogar fora; anion significa canseira). Agostinho, simbolicamente, por meio do banho jogava fora a canseira. Ele intercedeu pela sua mãe morta, mas sabia que sua oração não poderia conferir nenhum favor à alma de sua mãe: “eu creio que já fizeste tudo o que peço, mas acolhe, Senhor, as livres oferendas de meus lábios.” (IX.13.36). Ainda assim, Agostinho pede pelo perdão dos pecados de Mônica.

Outra motivação que levou a escrita de Confissões foi satisfazer os desejos de sua mãe. É assim que termina o livro IX:

E inspira, meu Senhor e meu Deus, inspira aos teus servos, aos meus irmãos, aos teus filhos, aos meus senhores, a quem sirvo com o coração, com a voz e com a pena, a fim de que, ao lerem estas páginas, se lembrem, diante do teu altar, de Mônica tua serva, e de Patrício, outrora seu esposo, pelos quais me introduziste misteriosamente nesta vida. Que se lembrem com piedosa emoção dos que foram meus pais nesta vida transitória, e de meus irmãos em ti, Pai, e na Igreja católica, nossa mãe. Que se lembrem dos meus concidadãos na eterna Jerusalém, pela qual suspira teu povo peregrino desde a partida da pátria até o regresso. Assim, o último desejo de minha mãe será satisfeito, graças às minhas Confissões, e mais abundantemente com as orações de muitos, do que somente com as minhas. (IX.13.37).

 

Pessoalmente, acredito ser o livro X o mais rico e profundo dos 13 livros das Confissões. Ele deixa o passado e se concentra no presente. Irá tratar da memória, das sensações, das tentações e da Deidade, de maneira a observar que mesmo após a conversão o homem continua lutando contra as tentações. Ele não está imune, tampouco chegou a um perfeccionismo, mas luta contra as suas tensões no mais recôndito de sua alma. Tais reflexões podem ser vislumbradas por meio da memória, a qual no presente remonta ao passado.

Todos os homens estão diante de Deus e de Deus não se pode fugir: “Eu poderia esconder-te de mim, mas nunca esconder-me de ti” (X.2.2). Apesar do suposto conhecimento do homem sobre si, somente Deus conhece verdadeiramente o homem: “Existe, porém, algo no homem que nem sequer seu espírito conhece. Mas tu, Senhor, que o criaste, tudo conheces.” (X.5.7). Deus, porém, não pode ser encontrado no exterior, pois todo o Universo é criação de Deus e é para Ele que apontam. Portanto, para chegar a Deus é preciso ir além do mundo dos sentidos. Mas, antes de apontar para o repouso em Deus, Agostinho faz uma ampla investigação sobre a memória.

A memória abriga as imagens da percepção; é nela que estão inseridas todas as ideias introduzidas por meio dos sentidos. É curioso que a memória independe dos sentidos para resgatar sensações. Você pode resgatá-las no grande palácio da memória sem precisar passar pelos 5 sentidos. É por meio da memória que falamos conosco, que confrontamos as realidades. Para qualquer ato comunicativo precisamos das informações registradas na memória. Perceba o poder da memória, mas entenda que ela não absorve a realidade, apenas capta a sua imagem.

A arte de cogitar, de pensar, nos faz perceber que as informações já estão lá. Ao pensar sobre os números não precisamos dos sentidos posto que as noções numéricas são extra-sensoriais e já se encontram grafadas na memória. Ao lembrarmos de lembranças podemos ter a convicção de que a memória está além do sensório. Resgatamos um odor antigo sem precisar recorrer ao olfato, apenas resgatando tal odor da memória. Pela memória, também temos os sentimentos da alma, que não precisam ser sentidos para se saber que estão lá. Podemos lembrar da alegria mesmo que estejamos tristes. É assim que a memória guarda os sentimentos, mas não é capaz de os sentir. Ela é o estômago da alma. A alegria sentida por uma lembrança não faz parte da memória, mas inclui uma nova sensação evocada pela lembrança da sensação antiga.

O que é mais curioso é que a memória também se lembra do esquecimento. Só que este é a privação da memória. Como lembrar de algo cuja lembrança nos está privada? Com esta pergunta em mente Agostinho aponta para a diferença entre o homem e os animais e a partir disto chega à conclusão de que a busca por Deus está para além da memória. Uma vez que os animais têm memória mas não buscam a Deus, logo se os seres humanos podem buscar a Deus, tal busca está para além da memória.

E, então, Agostinho apresenta uma armadilha lógica: Se Deus está fora da memória é porque dEle me esqueci, mas se não me lembro dEle, como O encontrar? Com base nesta pergunta, ele afirma: Só encontramos um objeto perdido se sua imagem estiver em nossa memória, posto que não se pode procurar o que está completamente esquecido. Quando buscamos a felicidade, procuramos por Deus. Deus é a felicidade procurada. O homem não conserva na memória a realidade do significado da felicidade, pois ela não é nacional, não é restrita, não é específica a um objeto, mas é uma aspiração de todos os seres humanos. Mas a busca desenfreada pela felicidade aponta que não temos na memória a apreensão do significado real desta felicidade; ela está para além da nossa memória. Esta felicidade está para além do sensório, dos olhares, do olfato, da audição, da gustação, do tato. A felicidade transcende os números pois eles não são desejados. Só em Deus se encontra a felicidade e não nas breves demonstrações de alegria que temos na vida.

Todos os homens desejam a felicidade e não querem ser enganados neste desejo. Por amarem a felicidade, logo buscam também a verdade, pois não desejam ser enganados. Porém, os homens amam a verdade quando se manifesta e a odeiam quando os denuncia.

Ao encontrar a verdade em sua memória, Agostinho entende que alcançou Deus, pois não pode encontrá-lo fora da memória, pois Deus é a própria verdade. Porém, ao falar disto, Agostinho aponta para o conhecimento de Deus. Antes da conversão, Deus não estava na memória de Agostinho. Onde Deus estava, para que fosse achado? Acima de Agostinho. Mas onde Deus está não existe espaço. A felicidade que é o próprio Deus só passa a existir na memória quando Deus vem até nós. Esta realidade é esplendorosamente retratada no mais belo trecho de Confissões, intitulado Tarde te amei:

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz! (X.27.38).

 

Mesmo após a ação divina o homem continua sendo tentado. E é por isto que Agostinho recorrendo à soberania divina, que o chamou quando ele não podia ouvir, e isto aponta para a nova criação, agora afirma que qualquer coisa que faça só pode ocorrer pela concessão divina: “Concede-me o que ordenas, e ordena o que quiseres” (X.29.40). Esta frase solapou a consciência de Pelágio e foi a partir daí que ele travou embates com o bispo de Hipona alguns anos após a publicação de Confissões. Porém, Agostinho prevaleceu!

Após retratar o poder da memória, Agostinho aponta para o poder da tentação através dos sentidos. Estes levam a uma tentação ainda mais sutil e perigosa: a tentação da curiosidade, “a concupiscência dos olhos”. É por meio desta que os homens são conduzidos à magia. Ainda há a tentação do louvor, porém é preferível estar com verdade do que ser louvado, mas a tentação de querer ser louvado não é tão pequena assim! E isto é tão sutil que o homem se vangloria até de não desejar ser louvado e cai na tentação da vanglória; trata-se daquele indivíduo que vive se orgulhando de sua humildade. A tentação do amor próprio é tão grande e a luta do bispo de Hipona com todas estas tentações são expressas pelas seguintes palavras: “vê como treme o meu coração em meio a todas essas provações e perigos! Sinto que é mais fácil ter as feridas curadas por ti do que eu deixar de me infligir novas feridas.” (X.39.64). Mesmo convertido, Agostinho ainda tem altos e baixos e nos momentos baixos finda desejando simultaneamente a verdade e a mentira e aí se priva de Deus.

Toda esta construção das faculdades da memória e da busca e deleite em Deus exclusivamente culminam numa refutação sem precedentes ao neoplatonismo, uma vez que este admitia a presença de mediadores entre Deus e os homens, por exemplo na figura dos demônios. Porém os mediadores dos neoplatônicos nunca se fizeram carne e nunca possuíram uma semelhança com Deus e com os homens. E, assim, Agostinho termina apontando para Cristo, como Único Mediador.

No livro XI, Agostinho apresenta comentários ao livro de Gênesis no seu primeiro versículo, tendo como foco a abordagem do conceito de temporalidade. Sua conversão não o inibiu de querer conhecer a Deus. Ele deseja meditar sistematicamente nas Escrituras. Eis a caminhada daquele que busca a felicidade e que por ela foi encontrado. Não pode parar! Seu eterno objeto de deleite e contentamento é o próprio Deus, por isso não para de sondar sobre os desígnios divinos. Nosso conceito teológico de iluminação tem muita similaridade com o que Agostinho propõe no início do livro XI. Seria muito bom se tivéssemos acesso a Moisés para perguntar o que quis dizer por meio de seus escritos, mas como não podemos, nos resta recorrer às Escrituras e pedir a Deus. Agostinho retratou tal pensamento com estas belíssimas palavras:

Como não posso interrogar Moisés, dirijo-me a ti, ó Verdade, cuja plenitude ele possuía quando enunciou essas verdades. Suplico-te, meu Deus, perdoa os meus pecados. Tu, que concedeste àquele teu servo dizer essas palavras, concede que eu as compreenda. (XI.3.5)

As Escrituras declaram que a matéria foi criada, por isto é inconcebível afirmar que a matéria é eterna. Deus é quem cria a matéria e o modelo para a organização do material. A criação é feita por Sua Palavra. E esta Palavra Agostinho atribui a Jesus Cristo; daqui por diante, a alegorese agostiniana muito bem requintada será explorada em todos os detalhes possíveis. Se não há uma consonância com o método hermenêutico literal-histórico-gramatical, vale pelo refinamento estético e pela intenção, mesmo que hermeneuticamente fadada ao fracasso de refutar o maniqueísmo.

Diante das críticas de zombadores que perguntam “o que Deus fazia antes de criar o Universo”, Agostinho responde afirmando que o grande problema do homem é interpretar o eterno à luz do temporal. Antes de criar Deus nada fazia com relação à criação e ao tempo, tendo em vista que só se faz algo em relação a matéria e tempo, quando já se tem tempo. Antes do tempo, não havia sucessão de nada, logo não é nem possível dizer o que Deus fazia, pois antes de Deus criar não havia tempo! Como disse Agostinho: “não houve, portanto, um tempo em que nada fizeste, porque o próprio tempo foi feito por ti. E não há um tempo eterno contigo, porque tu és estável, e se o tempo fosse estável não seria tempo”.

Agostinho, então, lança sua ignorância de querer definir o tempo em termos de categorias humanas. Se nos perguntarem o que é tempo, estão nos pedindo para defini-lo em termos de categorias humanas, então devemos comunicar ignorância; mas, se não precisarmos defini-lo, logo é possível saber o que é tempo. Tempo precisa de materialidade e de sucessão de eventos; mas, o passado não existe mais e o futuro ainda não existe. Logo, o que existe é só o presente, que logo já não existirá. Um eterno presente, sem sucessão, é a eternidade; mas a temporalidade é difícil de explicar, posto que diante da sucessão o que existe hoje, não existirá mais amanhã. Nenhum objeto existe no ontem, nem no amanhã e logo já não existirá no hoje! A relação de continuidade entre passado, presente e futuro torna impossível definir o tempo. Neste sentido não se pode medir o tempo.

Agostinho fica tomado por um senso de inadequação, mas nos concede esta grande declaração:

Agora está claro e evidente para mim que o futuro e o passado não existem, e que não é exato falar de três tempos – passado, presente e futuro. Seria talvez mais justo dizer que os tempos são três, isto é, o presente dos fatos passados, o presente dos fatos presentes, o presente dos fatos futuros. E estes três tempos estão na mente e não os vejo em outro lugar. O presente do passado é a memória. O presente do presente é a visão. O presente do futuro é a espera. Se me é permitido falar assim, direi que vejo e admito três tempos, e três tempos existem. Diga-se mesmo que há três tempos: passado, presente e futuro, conforme a expressão abusiva em uso. Admito que se diga assim. Não me importo, não me oponho nem critico tal uso, contanto que se entenda: o futuro não existe agora, nem o passado. Raramente se fala com exatidão. O mais das vezes falamos impropriamente, mas entende-se o que queremos dizer. (XI.20.26).

 

O tempo não é o movimento dos astros, pois o tempo já existia antes dos astros. O tempo continuou quando o sol parou. O tempo é uma extensão; não se trata do movimento dos corpos, pois também se calcula o tempo do repouso dos corpos. Agostinho confessa sua ignorância diante de Deus no tempo, sobre o tempo, enquanto continua emitindo conceitos sobre o tempo. Ele só sabe que o tempo é extensão, mas ignora de quê. E, então, o bispo de Hipona retoma seu aspecto introspectivo, afirmando que a medida do tempo se realiza em nossas mentes; ou seja, não se medem as coisas, mas algo delas que permanece gravado na memória.

As lembranças do passado, a atenção ao presente e as expectativas do futuro levam Agostinho a aspirar ao Eterno depois da dissipação do tempo.

No livro XII, Agostinho continua tratando do primeiro versículo de Gênesis, agora da perspectiva da eternidade de Deus; eternidade atestada pela Bíblia (1 Timóteo 6:16). Informa que duas criaturas estão fora do tempo, mas que não são coeternas com Deus: o céu dos céus (os anjos) e a terra informe (o que é afirmado em Gênesis 1:1). A segunda terra (a porção seca) e o segundo céu (firmamento) já são variáveis, posto que sujeitos ao tempo, por possuir forma.

Porém, os oponentes de Agostinho tinham um conceito em comum comigo: “céus e terra” em Gênesis 1 não são nem anjos nem matéria informe, mas a totalidade deste mundo visível. Apenas ignoro que isto seja fruto de um criador mal e inferior. Ele afirma que as Escrituras silenciam quanto a algumas criações, por exemplo, a das “águas”, mas isto não quer dizer que elas são co-eternas com Deus, e aqui ocorre um contraponto ao maniqueísmo. Agostinho também esboça aqui a ideia de intenção autoral, posto que se pergunta se é possível conhecer o pensamento de Moisés. Ele acha difícil chegar ao pensamento de Moisés, mas acredita que Moisés não se equivocou seja qual for o significado de NO PRINCÍPIO.

Ele critica o hiperliteralismo e reconhece a possibilidade de uma variedade enorme de interpretações e no que tange à diversidade de opiniões que triunfe amor. Finda reconhecendo que não sabe a resposta certa. Só sabe que existem significados múltiplos nos escritos de Moisés, e este [Moisés] sabe o significado certo e os possíveis significados diversos de suas sentenças. Agostinho recorre a Deus para entender esta diferença!

Por fim, no livro XIII, Agostinho medita sobre os significados alegóricos da criação e afirma que Deus não criou as coisas por se sentir incompleto. Na realidade, não era o Espírito que pairava sobre as águas, era o Espírito que fazia as águas repousarem nEle. E aí, Agostinho aponta a ação da trindade na criação. Lembre-se que o livro é escrito após os concílios de Niceia e de Constantinopla. O Pai cria por meio da Sabedoria (Palavra, Jesus) e o Espírito pairava sobre as águas modelando a criação.

Agostinho espiritualiza as obras da criação. Explica o que entende ser o “pairar do Espírito”; trata-se do Espírito nos elevar em nossas fraquezas, a fim de que cheguemos ao sublime repouso, depois de nossa alma ter atravessado as águas que não têm substância. Mesmo que de maneira espiritualizada, há uma reminiscência da teoria do intervalo, ao afirmar que a queda e o abismo tiveram a elevação na criação da luz, por meio do agir do Espírito. O Espírito nos eleva sobre as águas e não nos faz cair e submergir em densas trevas. Ele nos faz subir o cântico dos degraus. É o fogo que nos inflama!

A luz aponta para o arrependimento. O firmamento significa simbolicamente a Escritura e sua autoridade sobre nós. As águas sobre o firmamento não precisam da Bíblia, pois contemplam diretamente a face de Deus (refere-se aos anjos). O mar e a terra representam obras más e boas. A nossa alma na terra dá bom fruto. Os astros representam a sabedoria (sol), a palavra da ciência (lua) e todos os dons (estrelas). A imagem de pureza é evocada num convite de santidade aos eleitos. Os répteis, cetáceos e aves têm ligação com os sacramentos e com o evangelho. A alma vivente ou “alma viva” representa a alma batizada e esta deve evitar a luxúria e o pecado de modo geral. O homem feito à imagem de Deus aponta para a regeneração. A multiplicação aponta para a fecundidade da inteligência e as ervas e árvores para o auxílio prestado aos homens de Deus. Ele termina fixando o último prego no caixão do maniqueísmo quando afirma que a obra da criação é boa. Ele demonstra o erro maniqueísta de achar que os céus e os astros já existiam, sendo que tudo o mais foi criado por um espírito hostil. Não, tudo o que foi criado foi bom, a criação inteira é muito boa.

E toda a criação louva a Deus. Agostinho termina a obra pedindo o descanso e a paz de Deus, que é tomado como tese no início das Confissões e apresenta o sétimo dia como símbolo do repouso final, onde Deus será nosso repouso e descanso, em eterna felicidade.

A obra é fantástica, sublime, bela, digna das maiores honrarias literárias em toda a história da literatura. É a saga da redenção vivida pelo indivíduo, exemplificada na vida de Agostinho, que reconhece o significado último da verdade e da felicidade somente em Deus e que a revelação desta realidade ocorre no mais íntimo do ser, em sua alma. E esta revelação individual é que salva o homem e o faz descansar em Deus, aguardando o dia do repouso eterno!

Leia As Confissões de Agostinho. Você se identificará nos relatos de todos os livros e verá quão profunda e desesperadoramente necessitamos de Deus! Só dEle, nossa Beleza tão antiga e tão nova!

 

[i]  Segundo tabela cronológica de Peter Brown em sua obra Santo Agostinho: uma biografia.  Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 226.

 

[ii] Da quarta capa de BROWN, Op. Cit.

 

[iii] BROWN, P. Op. Cit., p. 197.

 

[iv] BAUER, S.W. Como educar sua mente: o guia para ler e entender os grandes autores. São Paulo: É Realizações, 2015, p. 146.

 

[v] Aliás, algumas obras são editadas contendo apenas os livros I-IX; a Editora Mundo Cristão lançou uma edição das Confissões contendo apenas os 10 primeiros livros. A motivação para tanto não é explicada. Pode especular-se que foi editada assim para evitar a utilização de alegorese ao longo dos comentários sobre o livro de Gênesis. Independente disto, uma obra, mesmo que contenha erros crassos, deve ser lida em sua integridade.

 

[vi] Augustine of Hippo. (1886). The Confessions of St. Augustin. In P. Schaff (Org.), J. G. Pilkington (Trad.), The Confessions and Letters of St. Augustin with a Sketch of His Life and Work (Vol. 1, p. 33). Buffalo, NY: Christian Literature Company.

[vii] Na versão aqui resenhada, a grafia é “Manés”.

 

[viii] BROWN, P. Op. cit., p. 55.

 

[ix] BROWN, Op. Cit., p. 116.

 

[x] Agostinho apud BROWN, Op. cit., p. 144.

 

[xi] BROWN, Op. Cit., p. 212.

 

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2 comentários sobre “Resenha 01: Confissões (Agostinho)

    • Muito obrigado, Márcio. Você foi um dos maiores incentivadores neste projeto. O texto é longo justamente porque foi escrito em forma de palestra e agora foi adaptado para uma postagem em forma de resenha. Que outras resenhas poderiam sair. O que será que vem por aí? Deixe suas sugestões e aguarde as postagens. Precisamos de mais resenhas em nossa língua. Comecemos pelos clássicos e passo a passo teremos muita coisa boa. O objetivo do blog é lançar uma resenha por semana (todas as quartas) e uma reflexão por semana (todos os sábados). Não se preocupe, pois nem todos os textos terão 21 páginas em tamanho de papel A4 no Word.

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