Aprendendo a testemunhar com João Batista.

joao batista

Texto-base: João 1:15-18

Texto baseado em um sermão pregado em 2007.

 

Introdução 

Hoje em dia, é comum ouvirmos falar de testemunhos cristãos; de pessoas que dão testemunhos, mas que em muitas ocasiões seu testemunho não está de acordo com a forma como a Bíblia nos ensina a testemunhar. No meio evangélico, a palavra testemunho ganha muitas significações.

Muitas vezes ouvimos de alguém com uma vida totalmente fora dos preceitos do Senhor que vai contar o seu testemunho. Os irmãos já ouviram muito disto. Eles são até mesmo anunciados no dia em que vão contar seu testemunho: “Não percam, hoje teremos o testemunho de um ex-homossexual, de uma ex-prostituta, de um ex-viciado, de um ex-ladrão, de um ex-macumbeiro”. Então, realmente, existem testemunhos de pessoas que tinham uma vida desgraçada, do ponto de vista lingüístico e teológico; realmente estavam longe do Senhor, longe da graça, estavam em desgraça, sem graça alguma da parte de Deus, quando por ela foram atingidos.

Em outra situação, testemunho é quando alguém conta de uma bênção; quando se recebe uma vitória; quando se recebe a cura de uma doença. Então, neste sentido o irmão deixa o seu testemunho. Em outras ocasiões, testemunho é referente também a uma saída de uma situação difícil; algum irmão que estava passando por uma situação financeira difícil e teve esta bênção alcançada.

A palavra testemunho, na verdade, é uma proclamação referente a algo que eu presenciei. Se eu vou testemunhar a respeito de algo eu devo ter presenciado daquela coisa; eu devo ter visto; eu devo ter estado presente no local onde aquilo aconteceu. E é neste contexto que a palavra testemunho ocorre nos tribunais. Quando alguém é convocado para comparecer diante de um tribunal como testemunha é porque ela presenciou algum fato.

Mas a palavra testemunho também tem outro significado, a saber, de prova. Se eu vou testemunhar a respeito de algo é porque eu sei que aquilo aconteceu e eu tenho como provar aquilo.

Mas, nós veremos um exemplo de um testemunho na Bíblia, de um homem que deu um testemunho bíblico. E nós iremos aprender para aplicar em nossas vidas o real significado dessa palavra, para não pensarmos que a ênfase está no homem. Vamos ler o livro do Evangelista João no capítulo 1, no quarto Evangelho, dos versos 15 a 18 e nós veremos exatamente sobre o testemunho de João Batista:

“João testemunha a respeito dele (quando ele diz dele, aqui está falando do Verbo, que é Jesus) e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim. Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (quando ele fala de Deus unigênito se refere a Jesus Cristo).

Meus irmãos, é lógico que não existe nada de errado em dizer que aquelas declarações são testemunhos, concernente àquilo que eu falei agora a pouco. Eu não critico um testemunho de um ex-homossexual, o testemunho de alguém que conta uma bênção. E o que eu estou querendo afirmar com estas coisas é que tudo isso são substâncias importantes. E o próprio autor bíblico, em uma parte da Escritura, diz: “Grandes coisas fez o Senhor por nós e por isto nós estamos alegres”. A expressão da alegria é que faz com que alguém venha a testemunhar. A expressão de uma verdadeira felicidade é que faz com que eu dê testemunho de algo. E, por isso, mesmo, é que nós testemunhamos a respeito de Cristo. Se você prestar um pouquinho de atenção no livro de João, você perceberá que é um livro de grandes testemunhos.

O que os teólogos sugerem é que a pessoa que é nova convertida e até mesmo aqueles que já têm um grande conhecimento bíblico, que leiam primeiramente o Evangelho de João. Porque este Evangelho é aquele que contém a figura do Filho, a figura do Filho na sua missão de purificar o pecado do mundo; e ele tem uma concisão teológica muito maior que os outros evangelhos, os quais enfatizam o lado narrativo, apesar de declararem a mesma verdade teológica. Então, seria muito bom se nós parássemos para ler o livro de João e ler com sabedoria, com meditação, capítulo por capítulo, todos eles. E nós veremos aqui o testemunho de João Batista, o testemunho da mulher samaritana, o testemunho de um cego de nascença que fora curado por Jesus Cristo. E a gente vai aprender como testemunhar com estas pessoas. Vamos aprender com a própria palavra de Deus como fazer esta missão que Cristo deixou para nós: a de testemunhar.

Mas, nós vamos nos ater à pessoa de João Batista. A Bíblia fala que esta missão de testemunhar já havia sido deixada para ele. Se lermos o verso 7 do capítulo primeiro, observaremos o seguinte: “Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.” O verso 6 nos diz previamente que “houve um homem enviado por Deus cujo nome era João.” E ele veio como testemunha. João recebeu uma missão do próprio Pai e ele fala que foi o próprio Pai que o incentivou a batizar, a testemunhar de Cristo. Isto fica bem exposto em João 1:33 – “Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.” Foi o próprio Pai que enviou João para batizar; foi o próprio Pai que enviou João para testemunhar de Cristo.

Proposição

 

E o que eu quero defender é a seguinte tese: o testemunho que João fez a respeito de Jesus (nesses versos 15 a 18) deve servir de modelo para o nosso testemunho hoje. E eu quero apresentar algumas razões porque é assim que eu penso e porque, realmente, esta é minha tese.

Desenvolvimento

Vejamos, então, porque devemos aprender com este testemunho. Verso 15 “João testemunha a respeito dele e exclama: Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.”

Este evangelho de João quem escreve, não confundam, é João, o apóstolo, João, o evangelista. Mas quando João usa o termo “João testemunha” ele está falando de João Batista, João, o precursor de Jesus. E é este João Batista que testemunha; ele diz que Cristo tem a primazia.

  1. O testemunho deve render toda a glória a Deus.

 

 Se você vir alguém testemunhando e começar a contar vantagem para si mesmo, começar a contar os seus méritos diante dos homens, desconfie de seu testemunho. Porque Deus requer toda a glória para si. A Bíblia deixa isso bem claro. Ele criou tudo para a sua honra e para o louvor da sua glória, e, nós não devemos reter a glória de Deus. Houve um homem na igreja primitiva que tentou fazer isto, tentou reter a glória de Deus. O evangelista João, que é o próprio apóstolo nos conta em sua terceira carta o que este camarada fazia na igreja, no verso 9 e 10: “Escrevi alguma coisa à igreja, mas Diotréfes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-lo e os expulsa da igreja.” Vocês querem imaginar o que é um homem deste modelo aqui?

É como se o nosso pastor tivesse em seu corpo diaconal um homem de grande influência na cidade. E, repentinamente, este homem quisesse começar a interferir no ministério de nosso pastor, na igreja local. É como se ele dissesse: “Fulano de Tal, pastor, ninguém vai receber aqui, não. Aquele ali é muito perigoso.” E a igreja todo sabendo que tal pastor deveria ser recebido por ser um grande homem de Deus, de grande exemplo e testemunho. E este Diótrefres fazia isto: “Nós não recebemos João aqui em nossa igreja; apóstolo tal não; ele é muito perigoso, ele tem umas idéias muito esquisitas.” E aí aquele homem começava a influenciar toda a igreja para não receber os servos de Deus. Por quê? Porque o centro da atenção naquela igreja era o senhor Diótrefes.

Era o irmão Diótrefes que queria que todos vissem o belo trabalho que ele fazia. Não era Paulo que trabalhava bem, nem João, nem nenhum apóstolo, nem o pastor local. Quem fazia a coisa funcionar mesmo era ele (de acordo com sua perspectiva). Ele é quem abria a igreja, ele é quem tinha o melhor dízimo, ele é quem ia fazer o trabalho, ele é quem tinha dinheiro, ele é quem mandava. Ele achava que por ter muita influência poderia exercer a primazia. Mas João diz que a primazia não pertence aos homens. No verso 15 de nosso texto lemos que “o que veio depois dele é quem exerce a primazia”. A primazia é o primeiro lugar, é o que se tem de melhor. A primazia é Jesus. O que Jesus falar deve ser feito; o que ele disser deve ser efetuado. E naquela igreja Diótrefes estava querendo roubar a primazia que só pode pertencer a Jesus. É um ponto para nós refletirmos se realmente a primazia em nosso testemunho é do Senhor.

Alguns dizem: “Porque eu converti tantas almas! Porque eu sou um grande pregador! Onde eu passo as pessoas se convertem!” Este tipo de testemunho é perigoso. É como se o poder estivesse nele (no indivíduo); é como se o poder estivesse no pregador. Mas o poder está em Deus, o poder pertence a Jesus. O testemunho que nós devemos dar é que o primeiro lugar e a honra são de Deus, são de Cristo. Por quê? “Porque ele já existia antes de mim”. Note que João Batista nasceu seis meses antes de Jesus. João Batista existiu no sentido terreno antes de Jesus.

Quem disse para ele que Jesus já existia antes dele? Foi o próprio Pai. Sabe por que João Batista fazia isto? Porque João Batista era um homem cheio do Espírito Santo desde o ventre materno, como nos diz o evangelista Lucas. E, por ser cheio do Espírito Santo, é que ele conseguiu fazer esta proclamação a respeito de Jesus. Eu falarei um pouco mais sobre isto adiante. Então a primeira verdade que devemos ter em mente é isto: que João Batista tinha um preparo para reconhecer que Jesus veio antes dele, porque era cheio do Espírito Santo, e, justamente, porque Jesus era o próprio Deus. Lemos em João 1:1 uma prova da deidade de Jesus: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus.” Se tiver um Diótrefes em nossa igreja, se houver algum irmão querendo a primazia para si, que seja exortado, pois o primeiro lugar é somente de Jesus.

 

  1. O testemunho deve refletir o interior do cristão.

A sua essência, o fruto do espírito. Leiamos o verso 16: “porque todos nós temos recebido da sua plenitude, graça sobre graça.” Graça sem medidas, graça abundante, graça sobre graça, graça que realmente atinge aquele que não merecia receber nada, um favor imerecido, Deus te deu de graça a salvação quando você merecia ser condenado. A pessoa que reconhece isto, que tem esse entendimento, passa a viver conforme esta graça, consoante a plenitude. João nos diz que recebeu da sua plenitude.

Plenitude é enchimento completo; é enchimento que chega a transbordar. A figura clássica para isto é a de um copo d’água que enche até transbordar. João nos fala a respeito dos verdadeiros cristãos que “do seu interior fluirão rios de água viva”. É a própria Palavra de Deus. O crente que está cheio da Palavra; que está cheio do temor do Senhor, que ora, que ministra, que medita e que vive, ele transborda. Onde ele passa, ele falará da Palavra de Deus; onde ele estiver, sem mesmo se aperceber, ele vive tanto a Palavra, que ele terá que se manifestar; as pessoas não sairão dali sem saber que ele é crente. Se o crente tem esta plenitude e este enchimento, certamente é do Espírito Santo. Paulo nos diz em Éfesios 5:18: “Enchei-vos do Espírito Santo”. “Não vos embriagueis com vinho, mas enchei-vos do Espírito Santo”. E era esta plenitude que João tinha. Eu gostaria de mostrar a passagem que diz que João era cheio do Espírito Santo e por isso proclamava Cristo. Abra sua Bíblia em Lucas 1:15 e veja o que o Anjo do Senhor diz a Zacarias a respeito de João Batista: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho, nem bebida forte (perceba aí a correlação com Efésios 5:18 – não vos embriagueis com vinho) e será cheio do Espírito Santo (verdade novamente confirmada em Efésios 5:18 – mas enchei-vos do Espírito Santo), já do ventre materno.”

 

Deus escolheu João Batista para fazer uma obra toda especial e desde o ventre materno aquele homem era cheio do Espírito Santo. Por isso que ele diz que recebeu da “sua plenitude”. Que plenitude é esta? É o próprio Espírito Santo. Ele era cheio do Espírito Santo. Onde ele falava, as pessoas ouviam; quando ele falava, tinha autoridade. Não é porque ele era bom, não. É porque o Espírito Santo o revestia. É por isto que ele diz em João 1:16: “nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça”. O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio [e coisas semelhantes a estas], as quais nós devemos manifestar também. Então, se você quiser ser cheio do Espírito Santo, você deve manifestar este fruto. Ame o seu irmão, tenha alegria em fazer o trabalho; porque um testemunho que vem só da boca pra fora; um testemunho que vem da pura sabedoria humana, não vai refletir nada; as pessoas vão ignorar; não terá força, não terá peso. João tinha esse peso porque era cheio do Espírito Santo.

 

  1. O testemunho deve apontar para a liberdade de acesso que temos junto a Deus e ao mesmo tempo deve apontar para a transitoriedade da lei mosaica.

 

A lei foi passageira mas a graça veio com Cristo. Observe o verso 17:

Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”.

Meus irmãos, existem muitas seitas que apontam para sacrifícios do Antigo Testamento que já foram abolidos. Quando Jesus veio, ele rasgou o véu e fez, apresentou uma passagem livre, um acesso gratuito até a presença do Pai. A única base de salvação está em Cristo. A lei foi passageira. E João Batista fala disto com convicção. O próprio Lucas, falando a respeito dele, nos mostra até onde foram a Lei e os Profetas. Observe Lucas 16:16: “A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele.” Até onde vigoraram a Lei e os Profetas? Até João.

João Batista é considerado o precursor de Cristo. Então, até onde João esteve, até onde João pregou, ele ainda apontava para o Salvador. Ainda não havia um sacrifício eficaz. Então, até aquele momento, ele ainda era considerado um homem da Lei. É por isto que se diz que o menor no Reino dos Céus é maior do que João. É porque João é o último dos profetas, é o último homem da Lei. E a Lei não pode fazer muita coisa. A Lei, o máximo que faz, é mostrar o pecado. O máximo que a Lei faz é mostrar que você não é capaz de se salvar sozinho. E tem gente tentando guardar cabalmente a Lei, pensando salvar-se dessa maneira. E acham que só quem guarda a Lei Mosaica é salvo. Mas a Bíblia nos diz que não há justo, nenhum sequer. Não há quem busque a Deus. Não tem como guardar a Lei! É impossível que o homem guarde a Lei. Até mesmo porque a Lei vindo para mostrar o pecado do homem, devia ser passageira. Se não, todos nós estávamos condenados.

E quem é que traz o Reino? Quem inicia o Evangelho do Reino? “Desde esse tempo vem sendo anunciado o Evangelho do Reino de Deus”. É desde o tempo de Cristo. A Lei foi dada por Moisés, nos diz o verso 17, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ele mesmo diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. O Evangelho de João nos apresenta a verdade como sendo o próprio Cristo e a sua palavra. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

E aí, meus irmãos, podemos aprender daqui o seguinte: que o objetivo do testemunho de João é que haja crença no Cristo. Porque se não houver crença em Cristo não haverá salvação. E a base do nosso testemunho é esta: nós pregamos para que as pessoas creiam em Cristo. João 1:7 nos diz: “Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.” O objetivo do testemunho de João é que os homens cressem em Jesus, somente isto. Quando pregamos o Evangelho, estamos anunciando a crença em Jesus.

Querem ver qual foi a missão de João, leiam Malaquias nos últimos versículos, que está lá. Malaquias 4:5,6 nos fala desta missão de conversão no ministério de João Batista.

Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.”

 

Quem era o profeta Elias, neste contexto? Foi João Batista. A prova disto está em Mateus 11:13,14: “Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir.” Então, Cristo prova que o Elias lá de Malaquias é João Batista. E qual é a missão de João Batista? Converter o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais, e o coração de ambos ao Senhor. Esta missão de conversão estava no cerne do ministério de João Batista.

A gente pode notar este objetivo de conversão por meio do testemunho, também, na vida da mulher samaritana. João 4:39, leiamos, só para entendermos que o objetivo do testemunho é a fé do ímpio; é que o ímpio tenha fé em Jesus Cristo. “Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele me disse tudo quanto tenho feito.” Alguns samaritanos creram por causa do testemunho daquela mulher. O objetivo do testemunho é implantar a fé em Cristo no coração dos perdidos.

 

  1. Este testemunho nos mostra quem é Deus em sua essência por meio de Jesus, sua maior revelação.

 

Eu peço sua atenção, apesar de estarmos lendo muitos versos, mas isto é necessário para nossa melhor compreensão; vamos ler João 1:18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” Alguém pode chegar e nos dizer: “Eu tive uma visão celestial de Jesus que estava ao meu lado e ele falou no meu ouvido uma palavra de revelação para a igreja.” Se alguém disser que viu Cristo hoje está mentindo. Porque o próprio Cristo disse no sermão profético: “Se disserem o Cristo está aqui, está ali, não acrediteis.” Porque quando Cristo vier, virá com poder e grande glória. Então, não tem como acreditar que alguém viu Jesus hoje.

Agora, quando diz que ninguém viu Deus, é como ouvimos ontem pela manhã: Deus é espírito. Deus não tem corpo; Deus não tem braços; Deus não é um ser de quem se pode dizer: “Eu vi Deus”. Deus é um ser insondável; é incompreensível; ninguém conhece este mistério. E só o Filho Dele encarnado é que revelou Deus. Por quê? Porque os homens viram Jesus. Quando ele esteve aqui entre nós encarnado, os homens o viram. Ali estava o próprio Deus encarnado. Então não se diz que viu a Deus, mas que viu a sua revelação por meio de Jesus.

Meus irmãos, às vezes, nós falamos tanto da nossa própria pessoa; do nosso próprio ego. Eu mesmo tenho esta tendência de falar daquilo que tenho lido, como se tivesse prestes a mostrar uma grande revelação para meus interlocutores. Mas Cristo é a grande revelação de Deus.

Eu vejo três grandes revelações na Bíblia. A primeira revelação é a revelação natural, a revelação da natureza. O Salmo 19:1 nos diz: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” A segunda revelação é a Sua Palavra. Mas a terceira revelação é o cerne, o centro da revelação de Deus: o Nosso Senhor Jesus Cristo. E é sobre esta revelação que João está dizendo: “Ninguém jamais viu o Pai; o Deus unigênito (que é Jesus Cristo) é quem o revelou. A quarta verdade é esta: Cristo é a maior revelação de Deus.

 

 

Aplicação  

 

Vamos realizar quatro aplicações para nossas vidas e, então, terminaremos nosso estudo.

O que eu aprendo com este testemunho de João Batista e o que eu posso aplicar de lição para minha vida.

1). Meus irmãos, lembrem-se que o testemunho público que eu estou dando agora, que os pastores dão, que você dá diante das pessoas, é a expressão do nosso ser. Como foi com João Batista. Ele falava do que ele era cheio. Ele era cheio da Palavra, cheio do Espírito, então ele falava do Espírito. Se você estiver cheio de carnalidade, se você estiver cheio de coisa ruim, você não vai falar do Espírito Santo; você falará de carnalidade e de coisas ruins. Mas Deus quer que nós falemos de coisas boas. É como se eu pudesse dizer assim: “nós não somos testemunhas porque testemunhamos; mas nós testemunhamos porque somos testemunhas.

Eu não posso testemunhar de algo que eu não sinto, de algo que eu não vi, que eu não presenciei na minha vida. Se eu não nasci de novo, se eu não espelho as obras do Espírito, se eu não tenho vivência cristã. Que testemunho é este que eu estou dando? É de algo que eu nunca presenciei. Ou seja, não existe testemunho antes da testemunha. Deus não te dará uma mensagem antes de transformar. Primeira ele te transforma numa testemunha para depois te dar uma mensagem de testemunho.

Vamos pegar o exemplo de um médico. Alguém que não é médico pode sair por aí prescrevendo fármacos, passando receita para todas as pessoas? Ele tem esta habilitação? Não tem. Para que alguém possa receitar fármacos, primeiramente esta pessoa precisa ser um médico. Primeiro ele precisa ser um médico para depois medicar. Ele nunca medica antes de ser médico.

Por outro lado, se eu quisesse ser embaixador do Brasil, mas não fosse designado, não fosse oficialmente embaixador do Brasil, iria adiantar eu representar o Brasil lá fora? De forma alguma. Primeiro alguém se transforma oficialmente em um embaixador para depois poder representar seu país no exterior. Então, primeiro deve haver uma mudança em mim, uma transformação em meu ser para que depois eu possa fazer aquilo para o qual eu fui transformado. Nós não podemos testemunhar se primeiramente Deus não nos fizer testemunhas.

2). Não pense que é o seu testemunho quem salva alguém. Não diga: “Eu vou testemunhar e alguém vai ser salvo pelo meu testemunho”. Pois o seu testemunho não salva ninguém. Quem salva é o próprio Cristo. Você é apenas um meio, você é apenas um canal, um instrumento que Deus usa. O Pai é quem salva. O testemunho do Pai é o agenciador da salvação. Em João 5:34, 37 o Senhor Jesus nos demonstra isto.

É como se ele estivesse dizendo que João testemunhou dele, mas ele conhecia um cujo testemunho era maior: o testemunho do Pai. Porque o próprio Pai testifica de Cristo e Jesus não precisa de testemunho humano, porque o próprio Pai testemunha dele. Quando alguém se salva por intermédio de nosso testemunho, o real agente de salvação foi o testemunho interior efetuado por meio do Espírito Santo, vindo do Pai. E é o próprio Pai quem traz a convicção para o coração do homem e por isto que as pessoas são salvas. A nossa missão é testemunhar, mas quem salva é o Pai. Não tente, de forma alguma, achar que você vai testemunhar de si e impressionará os demais com os grandes feitos de sua vida.

3). O testemunho é a respeito de Cristo e não a nosso respeito. O testemunho é seu ou é de Jesus? Você está querendo mostrar que você é “o cara”, ou você está querendo mostrar que quem possui a primazia é Jesus? É isto que deve ser levado em consideração, quando formos testemunhar. Ele disse: “E sereis minhas testemunhas”. Não é testemunha de você mesmo, mas testemunha de Cristo. Então, quando formos falar, falemos de Cristo, apontando alguns aspectos de nossa vida, é claro, mas quem realmente é o objeto do testemunho é Jesus. Não queira aparecer com o seu testemunho porque a primazia é de Cristo.

4). Este testemunho deve te afastar cada vez mais do mundo e te aproximar de Cristo. Você será odiado por causa de Cristo. Observe João 7:7: “Não pode o mundo odiar-vos, mas a mim me odeia.” Jesus estava falando com seus irmãos. O mundo não os odiaria porque eles nem criam em Cristo, mas a Cristo odiava “porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más.” A gente tem falado a respeito do ímpio que ele é mal? Ou temos dito “Tu bebes uma cervejinha, tu vais para uma festinha, mas tu és um “cara legal”, isso não importa pra Deus”. Muitos crentes têm feito tal declaração, apoiando o erro do ímpio. A nossa mensagem é uma mensagem de salvação, mas apontando também a condenação para aquele que não se arrependeu. E quando nós fizermos isto de maneira digna, o mundo vai nos odiar assim como ele odiou a Cristo. E convém a nós sofrermos provações pelo nome de Jesus.

Conclusão

Eis aqui, meus irmãos, o testemunho de João Batista. Um homem que era cheio do Espírito Santo, que possuía o temor de Deus em seu coração e que não colocou o primeiro luar em si. Ele disse: “Convém que ele cresça e que eu diminua”. O testemunho verdadeiro de um servo de Deus é este. Quem vai aparecer é Jesus quando ele estiver falando e ele ficará bem pequeno, pequenino, porque a Palavra de Deus é que é importante, Cristo é que importa para ele.

Que nós possamos aprender isto. E quando você for testemunhar, lembre-se do testemunho de João, que dá o primeiro lugar a Jesus, que reconhecia que ele per si não salvava ninguém, que ele era um mero instrumento, que era cheio do Espírito Santo, e que conhecia Jesus como uma revelação do Pai. Que estas verdades possam nos atingir. E nós agradecemos a Deus por mais este momento. E a nossa oração é que ele aplique isto ao nosso coração! Amém!

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