Resenha 24: Pense (John Piper)

RESENHA 24

 

PIPER, John. Pense – a vida da mente e o amor de Deus. Tradução do original: Think – the life of the mind and the love of God. ©2010 (by Crossway Books). Tradução: Francisco Wellington Ferreira. São José dos Campos: Fiel, 2011, 304 pp.

 

Categoria: Vida Cristã / Pensar cristão.

 

 

Certamente, um dos escritores evangélicos que mais vende livros no mundo é o pastor John Piper, com ministério erradicado na Bethlehem Baptist Church, Minesota, E.U.A. A partir da publicação de seu livro Teologia da Alegria, ele ganhou projeção internacional de forma impressionante. Para gerenciar melhor seus trabalhos ele criou o ministério Desiring God, com a realização de Conferências para pastores, publicação de livros, áudio e vídeo de algumas pregações, entre outras coisas.

 

O livro ora resenhado tem por objetivo provar que Deus pode usar nossa intelectualidade e o nosso pensar para a sua glória. Porém, intelectualismo por si só torna-nos secos e emoções por si só tornam-nos sensíveis e facilmente encantados por qualquer coisa que “mexa conosco”, independente do conteúdo.

 

A apresentação é feita por um de seus colegas, Mark A. Noll, que também se propôs a escrever sobre o processo de pensar e o intelectualismo cristão. Diferente dos outros livros, o foco deste é expositivo e, a partir da exposição de alguns textos bíblicos, como por exemplo Provérbios 2 e 2 Timóteo 2, Piper apresenta o seu propósito, que consiste em fazer um “apelo a rejeitar o pensar do tipo ‘ou-ou’ no que diz respeito à mente e ao coração, a pensar e a sentir, à razão e à fé, à teologia e à doxologia, ao esforço mental e ao ministério de amor.” (p. 23). Piper deixa bem claro seus interesses ao escrever esta obra: “resgatar vítimas do pragmatismo evangélico, dos atalhos pentecostais, do anti-intelectualismo petista, da aversão à convicção pluralista, da astúcia acadêmica, da evasão terapêutica da Bíblia, do encantamento musical, do anseio por You Tube e da manipulação fútil do pós-modernismo.” (p. 26). Para quem não quiser continuar lendo esta resenha, basta comprar o livro e ler as páginas 28-33, onde o próprio Piper resenha a sua obra.

 

No capítulo 1, o autor mostra como foi sua peregrinação do campo acadêmico para o pastoral e como a reflexão profunda sobre Romanos 9 o incentivou a ser um pastor. Uma frase norte-americana que muito me chamou a atenção foi “a alma não terá arco-íris se os olhos não tiverem lágrimas” (p. 39). No capítulo 2, Piper apresenta o seu mentor no descobrimento de que a verdade clara age conjuntamente com o desenvolvimento de afeições fortes; refiro-me a ninguém menos que Jonathan Edwards.

 

No capítulo 3, Piper deixa claro que não deixamos de pensar enquanto lemos e expõe isso na análise de Mateus 7:7-12. Ele indica uma obra excelente neste sentido: “Como ler livros” de Mortimer Adler, que foi um dos livros que mais o auxiliou em suas iniciativas acadêmicas. No capítulo 4, Jesus Cristo não censura o método aristotélico no pensamento dos fariseus, mas critica o adultério mental deles de saberem racionalizar a respeito de coisas materiais e não observarem as mesmas verdades quanto a coisas espirituais. O capítulo 5 é um dos mais interessantes e dá evidências, a partir da análise de 2 Coríntios 4:4-6, de que o pensamento humano e a revelação divina operam juntos em despertar a fé salvadora (p. 107), enquanto Deus toma a iniciativa de salvar alguém.

 

No capítulo 6, vemos que amar a Deus implica em valorizá-lo com toda a mente. A tarefa dos capítulos 7 e 8 consiste em refutar o relativismo dos fariseus em Mateus 21:23-27 e expor a imoralidade deste sistema, que em última análise, culminará no totalitarismo. É interessante ver textos de Machen (What is Faith?) e Chesterton (Ortodoxy) no início do século XX já se referindo ao relativismo. Uma grande virtude de John Piper é descomplicar a linguagem difícil destes eruditos do passado.

 

Dos capítulos 9 a 11, John Piper combate o antiintelectualismo cristão. Este movimento começou a ganhar força a partir do desenvolvimento de duas vertentes filosóficas: o pragmatismo e o subjetivismo. Interessante dizer que ao invés de se centrar nas Escrituras muitos ministérios têm se pautado pelas diretrizes pragmáticas da Administração, outros ao invés de se entregar ao ministério transformador da pregação da Palavra, têm se deixado levar pela terapia psicológica. Um dos grandes mentores intelectuais deste movimento no final do século XIX foi Ripley. Com perspicácia e muita cautela, John Piper refuta os ensinos de Ripley a partir de uma exposição interessantíssima de 1 Coríntios 1:21 e Lucas 10:21, deixando claro que a sabedoria humana não está necessariamente associada ao intelectualismo cristão. Nos capítulos 12 e 13 apresenta uma abordagem voltada para o amor a Deus e aos homens, mostrando que devemos ler bem os dois livros que Deus nos deixou: a Bíblia e o mundo.

 

O livro ainda nos brinda com dois apêndices. No primeiro, encontra-se o discurso de inauguração do Bethlehem College and Seminary, em 2008, onde ele apresenta seus propósitos com o Seminário e sua declaração doutrinária. No segundo apêndice, encontramos o excelente relato da experiência de um dos alunos do Dr. Agassiz e o seu estudo de um peixe. Aprendemos aí a necessidade de observar sempre e não desistir de fazê-lo, mesmo quando já temos grande conhecimento a respeito de alguma matéria.

 

Esta obra é um tônico revigorante para aqueles que estão desanimados com os seus estudos acadêmicos e para aqueles que estão temerosos de iniciar uma vida acadêmica. Piper nos ensina que pensar e sentir são duas atitudes indispensáveis para melhor glorificar a Deus com nosso ser.

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Um comentário sobre “Resenha 24: Pense (John Piper)

  1. Muito bom essa abordagem do livro ao qual já anotei o nome para adquiri-lo brevemente. Já que estou me aventurando aos poucos na leitura e espero realmente ser um leitor eficaz para a Glória de Deus. Parabéns Pastor Fares, Deus continue lhe abençoando em nome de Jesus.

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