AS ESCRITURAS PAULINAS SÃO TÃO INSPIRADAS QUANTO AS PALAVRAS REGISTRADAS DE JESUS.

AS ESCRITURAS PAULINAS SÃO TÃO INSPIRADAS QUANTO AS PALAVRAS REGISTRADAS DE JESUS.

 

sola scriptura

 

Jesus é a maior revelação de Deus para nós (Hb 1:1,2); inclusive na linha histórica da Redenção, as cartas do apóstolo Paulo encontram-se dispostas na era da Revelação do Filho; em 1 Coríntios 10:11, esta era da Revelação do Filho é denominada “os fins dos séculos”; em Hebreus 9:26, esta era da Revelação Superior é relacionada com o cumprimento dos tempos; Hebreus 11:39 a chama de “a concretização da promessa”. Esta era da Revelação Superior na pessoa de Jesus nos aperfeiçoa e cumpre todas as promessas preditas a seu respeito. De maneira que todas as coisas convergem para Jesus e o seu sacrifício expiatório na cruz do calvário, como elemento central das Escrituras. O cordeiro de Deus tem sua mensagem estendida de Gênesis a Apocalipse. A partir de Jesus, porém, a era por vir irrompe sobre nós, trazendo-nos já o antegozo da ressurreição celestial (cf. João 5:24-29; 2 Coríntios 12:1-6).

O fato de Jesus ser a maior das Revelações não quer dizer que as porções do Evangelho que apresentam Suas palavras são mais inspiradas do que os escritos do apóstolo Paulo, por exemplo. E, aqui, gostaríamos de notificar o leitor de que o objeto da inspiração é o texto escrito, conforme 2 Tm 3:16 (“Toda Escritura é inspirada por Deus”).

Ainda é preciso explicar que em algumas ocasiões, os próprios escritores da Bíblia deixam claro que estão conscientes de que seus escritos são autoritativos e consistem na Palavra de Deus. O apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos de Tessalônica (1 Ts. 2:13), expressa claramente:

Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes.

 

Paulo considera suas palavras destinadas aos tessalonicenses como possuindo procedência divina. Ele tinha plena consciência de que seus escritos eram inspirados, soprados por Deus. Seus escritos são tão divinos quanto os escritos de Moisés. Não existe um escritor mais inspirado. A inspiração diz mais respeito à procedência divina do que propriamente a uma gradação.

Deixe-me ilustrar com um romancista. Imagine que um romancista acabara de publicar seu best-seler e você adquiriu um exemplar. Ao ler o enredo, você observa que algumas porções são meramente descritivas, alguns diálogos são secundários. A sua preocupação é identificar o que ocorrerá com o personagem principal. Em geral, há um problema a ser resolvido ao longo do romance e um certo suspense envolve toda a trama. Chega um momento em que se descobre como o personagem principal desvendará o mistério ou resolverá o problema encoberto para todos os leitores (a isto chamamos de clímax); após isto, ocorre a fase de resolução e a trama chega ao final.

Pergunto: existem partes mais importantes para o entendimento da trama? Sim! Existem alguns capítulos que são menos elucidativos que os demais? Sim! Pergunto novamente: você acredita que alguns daqueles capítulos são desnecessários? Talvez. Mas, para o autor da obra, cada detalhe escrito, cada personagem secundário tem o seu valor no todo e é tão importante para a grandeza do material escrito quanto o “clímax” da obra. Pergunto novamente: há alguma parte do livro que é mais do autor que outras? Não, a obra é um conjunto completo e coeso. Toda a obra é de origem do escritor.

Com a Bíblia é a mesma coisa, há um problema (o pecado), há uma trama (castigos, destruições, um povo escolhido ameaçado), há uma promessa (um descendente); há um Salvador que resolve o problema da humanidade (Jesus – o clímax). Na Bíblia existem livros que tratam de maneira mais direta do incrível drama da salvação (os Evangelhos, por exemplo), mas todos os livros contidos na Bíblia são tão essenciais para o conjunto da Revelação Escrita de Deus, de maneira que chegamos a afirmar que todos são “inspirados” e importantes para a grande obra-prima chamada Escritura Sagrada. Todas as partes da Bíblia são tão de origem divina quanto as demais; é neste sentido que afirmamos que as palavras registradas de Jesus (por Mateus, Marcos, Lucas e João, por exemplo) são tão de origem divina quanto as palavras de Deus expressas nos escritos do apóstolo Paulo.

Um texto que expressa isto é 1 Coríntios capítulo 7. Aqui fica em paralelo as palavras do apóstolo Paulo e as palavras do Senhor Jesus Cristo. Os irmãos de Corinto escreveram ao apóstolo pedindo orientações sobre o casamento, o apóstolo Paulo responde falando a respeito. Dos versos 1-9, ele fala sobre o pertencimento mútuo do casal e afirma que é possível haver incontinência entre o casal, por pouco tempo e para fins de oração. Mas isto não é um mandamento e sim uma concessão (v. 6). Perceba, portanto, que as palavras de Paulo são recebidas como “mandamentos” de um apóstolo de Cristo.

  1. As palavras de Cristo são autoritativas para a igreja.

Em 1 Co 7:10, Paulo traz as palavras de Cristo como autoritativas e aplicadas à igreja, como “ordem do Senhor” – “que a mulher não se separe do marido”. Paulo está citando as palavras de Cristo como ordenança aplicada à igreja de Corinto, tendo seu contexto tirado dos registros evangélicos. As palavras de Cristo devem ser obedecidas como ordem: “não se separe”.

 

  1. As palavras de Paulo também são autoritativas para a igreja.

Mas Cristo não especificou todas as situações. Então, Paulo, como representante de Cristo e portador de suas palavras, especifica ocasiões em que Jesus não especificou nos registros dos Evangelhos (um crente casado com uma descrente ou vice-versa). Paulo, no verso 12, coloca suas palavras de orientação aos irmãos de Corinto, como palavra dele (de Paulo) e não de Jesus (o Senhor). Aqui fica claro que Paulo se refere ao conjunto de palavras de Jesus registradas nos Evangelhos ou tomadas como tradição oral no que ficou conhecido como “Palavras [ditos] de Jesus”.

 

  1. Os mandamentos de Paulo devem ser recebidos como se fossem do próprio Senhor.

Em 7:25, o apóstolo Paulo avança na demonstração do que entende serem suas palavras. Ele afirma que suas palavras estão em pé de igualdade com as palavras de Cristo, no sentido de que foram dadas pelo Senhor. Não é o próprio Cristo falando, mas é alguém que foi achado fiel para expressar palavras autoritativas, mandamentos que devem ser tão aceitos quanto os mandamentos de Cristo. Por quê? Porque é o próprio Senhor Jesus quem fala por meio de seus apóstolos. Quando Paulo diz que “não tem mandamento do Senhor” não é que suas palavras não tenham nada a ver com a vontade Cristo. O que ele afirma aqui é que não tem “mandamento do Senhor” registrado nos Evangelhos ou na tradição oral, mas que suas palavras devem ser recebidas como palavras de Cristo, pois ele escreve como porta-voz de Cristo, como seu ministro, como seu apóstolo.

 

  1. As palavras de Paulo devem ser aceitas como procedentes do Espírito de Deus.

Por fim, o apóstolo Paulo, em 7:40, afirma que sua opinião é dada conforme o Espírito do Senhor. Ou seja, ele não está dando uma opinião que é fruto de sua mera reflexão e sabedoria humana. Paulo está emitindo mandamentos e estabelecendo diretrizes sobre o casamento e o solteirismo no poder do Espírito e na autoridade dos escritos de Jesus. Assim, como os coríntios deveriam receber a revelação das palavras de Jesus, eles também deveriam receber as palavras do apóstolo de Cristo, pois Paulo falando e escrevendo de forma inspirada (registrando as palavras de Deus, à luz de 1 Ts 2:13) tinha o mesmo peso (uma vez que seus escritos eram de origem divina) das palavras de Cristo e das orientações do Espírito Santo.

 

Para mim, fica claro por este texto que não existem graus de inspiração. O que existem são eventos distintos na trama da história da redenção. Mas todo o livro de Deus – A BÍBLIA – é palavra autorizada de Deus para nós; seja na pena de Paulo, seja nas palavras de Cristo expressas na pena dos evangelistas, seja na pena de Moisés.

2 Timóteo 3:16 – “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a educação na justiça”

 

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