Resenha 25: Teologia dos Reformadores (Timothy George)

Teologia dos Reformadores

Autor: Timothy George

São Paulo: Vida Nova, 1993, 344 pp.

 

Categoria: Reforma

Tradução: Gérson Dudus e Valéria Fontana

Título do Original: Theology of the Reformers © 1988 by: Broadman Press.

 

Esta obra que se tornou um clássico nos Estados Unidos e em nosso país no que concerne a uma introdução aos estudos da Reforma é proveniente de um grande erudito cristão, laureado com muitos títulos, dentre eles o de Ph.D. pela Universidade de Harvard. De maneira concisa e bem documentada, Timothy George faz recortes da Reforma, explicando inicialmente os antecedentes da reforma dentro da igreja Católica e as teologias dominantes: o escolasticismo, misticismo e humanismo. Todo este clima é representado e expresso pela palavra Anfechtungen que indicava a ansiedade e a angústia (angst) religiosa da época.

 

Em seguida, George descreve a vida e a teologia daqueles que ao seu ver representam os quatro grandes expoentes da Reforma: Lutero, Zuínglio, Calvino e Menno Simons. Os três primeiros ligados à Reforma Magisterial e o último à Reforma Radical. A cada um destes vultos da Reforma é dedicado um capítulo, onde se expõe os aspectos teológicos mais relevantes de suas contribuições na Reforma: a relação da igreja com o Estado, a erudição, os comentários, os principais livros, a eclesiologia, principalmente quanto à ceia e ao batismo; a relação com a igreja católica e o debate entre os próprios Reformadores, entre outros detalhes. Calvino é bem descrito a partir de sua obra principal (As Institutas) em paralelo com os seus comentários das Escrituras. É notório como Timothy George sintetiza bem a teologia do grande Reformador, demonstrando erudição e habilidade didática. Zuinglio é apresentado como um grande pensador da Reforma, mesmo que curiosamente seus escritos não tenham sido tão difundidos no meio evangélico quanto os de Lutero e Calvino. Um detalhe curioso de Zuínglio é que este cria na salvação de homens como Sócrates e Platão, pois eles eram ao seu ver “pagãos piedosos” (p. 125).

 

É interessante a forma coerente como ele descreve a vida de Menno Simons sem menosprezá-lo ou ridicularizá-lo como anabatista. George aponta a ênfase de Simons no batismo por imersão (que ele não considerava rebatismo, tendo em vista que o pedobatismo não era um verdadeiro batismo), na disciplina eclesiástica, que tendia ao separatismo, e na sua recorrência “exclusiva” às Escrituras, sem passar por consulta a credos, concílios e confissões ao longo da história da Igreja. Porém, de forma interessante, boa parte de seus escritos voltou-se para uma temática conciliar (a encarnação do Redentor), a qual ele cria não ter herdado sua humanidade de Maria, apesar de ter sido nutrido por Maria. O Filho de Deus é de procedência celestial (e com isto ele não se aproxima do docetismo, mas deseja resguardar a impossibilidade da transmissão do pecado de Maria a Jesus).

 

Ao final do livro, o autor faz um apanhado comparativo entre cada um dos 4 Reformadores, comparando e contrastando a soteriologia, a eclesiologia, a Bibliologia e o relacionamento igreja x estado. Ao final, o livro possui um glossário que muito ajuda o leitor a entender termos técnicos utilizados na Teologia da Reforma e apresenta ainda três índices: um geral, outro onomástico e um terceiro de autores modernos. O livro é excelente e merece ser lido e relido por todos os teólogos que desejam iniciar seus estudos a respeito da Reforma. No entanto, se você quiser de fato conhecer a teologia de cada Reformador então vá ad fontes e leia os próprios trabalhos de cada um deles!

 

 

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