A.O.A. (01) – Aspectos Trinitários na Antropologia Bíblica (Antônio Schoenman Souto Neto)

ASPECTOS TRINITÁRIOS NA ANTROPOLOGIA BÍBLICA:

A “IMAGO DEI”, TRADUCIONISMO E A CONSTITUIÇÃO HUMANA

 

Sobre o autor:

schoeman

Antonio Schoenman Souto Neto

 

Graduado em Direito Bacharelado pela Faculdade da Amazônia Ocidental – FAAO, e em Teologia pelo Seminário Batista Regular Acreano – SEBRA. Atualmente é Pós-Graduando em Teologia Contemporânea pelo Centro Universitário Clarentiano, e Mestrando em Teologia Th.M – Masters of Theology, com Ênfase em Teologia Sistemática pelo Instituto Aubrey Clark, no Seminário e Instituto Bíblico Maranata – SIBIMA (Fortaleza-CE). É Professor na Igreja Batista Regular Ebenézer, em Rio Branco-AC. E-mail: netoschoenmansouto@gmail.com.

 

 

RESUMO:  A Doutrina da  Trindade é um fundamento no qual todas as outras doutrinas bíblicas são construídas  firmemente.  Deus é uma unidade na diversidade, um ser que se manifesta em três pessoas distintas,  o Deus Pai, o Deus Filho, e o Deus Espírito Santo, três Pessoas e uma essência.  O Pai não é o Filho, o Filho não é o Espírito Santo, o Espírito Santo não é o Pai e nem o Filho, porém o Pai, o Filho e o Espírito Santo é(sic) Deus. O homem é a maior e mais completa “iconografia” da trindade bíblica, visto que o mesmo é uma unidade na diversidade, possuindo facetas que o distingue de qualquer criatura,  sendo a imagem e semelhança de Deus. 

 

 

INTRODUÇÃO

Deus é explicável pelo homem?  Recentemente no Brasil foi lançada uma canção cujo título expressa a seguinte afirmativa: “Ninguém explica Deus” produzida pelo grupo de música cristã contemporânea “Preto no Branco”.  A letra comunica em síntese de que o homem não consegue de forma alguma tecer argumentações acerca de Deus. É evidente que começando do seu título a música propõe um claro erro, erro este que é infelizmente cometido pela grande massa evangélica que, a pretexto de um pietistimo[i] dogmático, abrem mão da reflexão, do labor e da produção teológica, entregando-se às mais toscas e contraditórias  falácias do emocionalismo e declarações infundadas como na canção mencionada, na qual em outro trecho afirma: “Teologia pra explicar ou Big Bang pra disfarçar”. E isso decorre do entendimento de que o homem é incapaz de descrever o Eterno Deus.

O ponto é que Deus é explicável pelos homens. Na realidade o único ser que pode argumentar de uma forma mais clara sobre o Soberano Senhor é aquele que foi feito a Sua imagem e semelhança, e explicar Deus é o ministério/missão/serviço de cada criatura e com maior expressão e inteligibilidade, do homem.

A Bíblia é a voz de Deus em linguagem humana. Quando olhamos para a revelação especial aprendemos que a mensagem é dada ao homem, e a este é incumbido o sacro-encargo de transmiti-la.  O Apostolo Paulo é ainda mais enfático quando ilustra aos cristãos de Corinto os chamando de “cartas vivas”.  Carta é uma clara transmissão escrita de uma mensagem, e dentro da colocação divinamente inspirada, podemos entender o relato paulino como mensagens vivas, ou seja, em nada obsoletas ou ocultas, mas dinâmicas e claras.

Diante dos inúmeros temas complexos da teologia cristã ortodoxa, sem sombra de dúvidas os temas concernentes ao ser de Deus, o aspecto ontológico e triunidade Divina  encabeçam o grau de complexibilidade.  Isso porque, mesmo sendo o homem capaz de tecer argumentações acerca do ser Divino, mentes finitas e contingentes tornam-se incapazes de explicações concretas e exaustivas por mais densos que sejam os compêndios teológicos e filosóficos.

A reflexão teologia não estagna, muito pelo contrário, aguerridamente vai adiante dos desafios.  Destrói a difícil linha que separa o tempo e o espaço, e mergulha no mistério da eternidade trazendo a luz os pensamentos mais coesos e bíblicos, e impressionantemente possíveis de se perscrutar.   E isso, diferentemente do que pensam a corrente dos que “ninguém explica Deus”, é possível em virtude da própria eternidade ter sido gravada no coração humano pelo dedo do Deus Trino.

Teólogos durante séculos discutem e debatem acerca de diversos temas da Teologia cristã.  A proposta do presente artigo será apontar aspectos trinitários na formação humana, demonstrando como a natureza humana, mesmo nebulosamente, consegue explicar a acerca do Deus trino, sendo o homem a melhor e mais eloquente “iconografia” da trindade.

 

  1. A TRINDADE NA PESPECTIVA BÍBLICA E HISTÓRICA

 

As Escrituras Sagradas claramente afirmam que existe um único Deus que se manifesta em Três pessoas distintas. É evidente que os termos “trindade”, ou “triunidade”, “subsistência” ou “essência” não são encontrados expressamente nos relatos escriturísticos, entretanto, essa verdade é encontrada tanto no Antigo como no Novo Testamento. A unidade na diversidade Divina é vista inicialmente no próprio relato do Gênesis, que entre outros textos, no ato da criação do homem, é exposto uma pluralidade quando nos é dito “…façamos o homem à nossa imagem e semelhança…[ii] .   Trabalharemos mais à frente o fragmento acima citado, porém inicialmente cabe-nos entender a realidade da existência de um Único Deus que é revelado com uma pluralidade inequívoca.

Thomas de Kempis (1979, p.11), no seu Clássico livro “Imitação de Cristo”, ensina algo fundamental àqueles de almejam perseguir o conhecimento acerca do trinitário:

Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la.[iii]

 

 

1.1 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRINDADE NO VELHO TESTAMENTO

O Antigo Testamento apoia inquestionavelmente a unidade e pluralidade de Deus.  O próprio nome de Deus já designa uma pluralidade, quando no Gênesis é exposto que “no princípio criou Deus”, e a palavra hebraica  Elohin é usada apontando um plural que indica a sua majestade e sua “grandiosidade e supremacia ilimitada” (CHARLES RYRIE, 2004, p.59).

Muitos outros textos veterotestamentários também apontam uma pluralidade quando o próprio SENHOR fala sobre si com pronomes e verbos pluracados (Gn 1.23; 3.22,11.7; Is 6.8), no qual nos aponta a realidade de uma distinção de pessoas.  Em Deuteronômio 6.4, texto conhecido como o shema, que era uma confissão de fé do judaísmo, destaca a unidade de Deus, bem como a sua singularidade quando diz: “Ouvi , Israel,  o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR”. 

Ainda nos relatos do AT percebemos distinções pessoais dentro da deidade. O Anjo do SENHOR, que embora refere-se a um enviado de Deus, é chamado de Deus mesmo sendo inequivocamente outro, apontando uma diferença na deidade, mesmo havendo um único Deus (Gn 16.7-13; 18.1-21; 19.1-28; Ml 3.1).

Assim, nas páginas da velha aliança bem como na mente do povo judeu havia a ideia de um único Deus, que se manifestava de forma distinta, uma unidade e diversidade sem cair na heresia politeísta. Esse ensino era uma antessala para aquilo que seria claramente visto no Novo Testamento. Charles Ryrie citando Payne, assinala acertadamente que há “sugestões genuínas das pessoas que formam a divindade” (CHARLES RYRIE, 2004, p.60)[iv].

 

1.2 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento elucida com mais clareza essa importante doutrina. Assim como no AT, a Nova Aliança aponta a existência de um único Deus (1Co 8.4-6; Ef 4.3-6; Tg 2.19), e esse Deus se fez carne e habitou entre os homens, Cristo.

Os evangelhos narram a vida do Messias prometido, o Deus encarnado, do seu nascimento, vida, morte e ressurreição, bem como o ministério de uma terceira pessoa da divindade, o Espírito Santo.

Existem claros indícios nas páginas do NT que fundamentam a tese de haver uma triplicidade e triunidade divina (três pessoas distintas e um único Deus). Charles C. Rirye aponta sistematicamente essas evidências:

O Pai é reconhecido como Deus. Não há debate aqui, e muitas passagens ensinam isso (Jo 6.27; 1Pe  1.2).  Jesus Cristo é reconhecido como Deus.  Ele fez coisas que  somente Deus pode fazer, como perdoar pecados (Mc 2.1-12), e ressuscitar  os mortos (Jo 12.9).  Além  disso, o NT mostra outras obras  que somente Deus poderia realizar em Cristo, como sustentar todas as coisas (Cl 1.17), a criação (Jo 1.3) e o juízo futuro de todos, João descreve que  “o verbo era Deus”.  O Espírito Santo é reconhecido como Deus. Ele é chamado de Deus (At 5.3,4), possui atributos que somente Deus possui, como a onisciência (1Co 2.10) e onipresença (6.19), e regenera as pessoas (Jo 3.5,6,8), algo que somente Deus pode fazer. Evidências da triunidade são vistas, entre outras passagens, na grande comissão (Mt 28.19) onde é associado igualmente as três pessoas e unidas todas em um único nome. (CHARLES RYRIE, 2004, p. 61)

 

Assim, conclui-se que a bíblia apresenta um único Deus que se manifesta em três pessoas distintas, a saber, a trindade divina.

Essa doutrina, mesmo sendo expressamente bíblica, foi alvo de incoerências argumentativas no decorrer da história da cristandade, visto que muitos se levantaram para tecer definições avulsas acerca do Deus trino, tentando definir de uma forma que se encaixasse na lógica humana.

 

1.3 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRINDADE NA HISTÓIRA DA CRISTANDADE

Concílios e mais concílios foram organizados tendo como temática, entre outros, a definição da Trindade Divina. Essa doutrina sempre enfrentou dificuldades, muitos esforços foram empreendidos, e  curiosamente notamos que os próprios pais apostólicos não formularam nenhuma declaração clara a respeito da trindade, mas,  nas primeiras recomendações quanto ao batismo, no manual de instrução, o Didaquê[v]é ensinado que o mesmo deve ser realizado “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”[vi].

Esse fato, não se dá porque eram incapazes de nos fornecer uma teologia trinitária, e sim, pelo motivo dessa verdade ser latente em suas mentes judaico-cristãs.

A igreja nos primeiros séculos da era cristã dava muita ênfase à unidade de Deus, isso porque era composta em grande parte de judeus.  Como isso, alguns acabaram completamente com as diferenças pessoais das pessoas da divindade, em contrapartida, outros não delegaram a divindade ao Filho e ao Espírito Santo.

Tertuliano foi o primeiro a usar o termo “trindade” e conceituar a doutrina, porém, com deficiências, visto que alegava uma subordinação entre o Filho e o Pai. Orígenes também teceu argumentos acerca do assunto, onde defendia uma subordinação do Filho ao Pai quanto a à essência, por sua vez o Espírito Santo também seria subordinado ao Filho.

Louis Berkhof alega que foi a tese de Orígenes que encabeçou ou deu base para a heresia que futuramente seria desenvolvida por Ário, o Arianismo, que alegava que o Filho não era Deus como o Pai o era, e nem tampouco o Espírito:

Orígenes foi mais longe nesta direção, ensinando explicitamente que o Filho é subordinado ao Pai quanto à essência, e que o Espírito Santo é subordinado até mesmo ao Filho. Ele desacreditou a divindade essencial destas duas pessoas do Ser Divino e forneceu um ponto de partida aos arianos, que negavam a divindade do Filho e do espírito Santo, apresentando o Filho como a primeira criatura do Pai, e o Espírito Santo como a primeira criatura do Filho. Assim, a consubstancialidade do Filho e do Espírito Santo com o Pai foi sacrificada, com o fim de preservar a unidade; e, segundo esse conceito, as três pessoas da Divindade diferem em grau de dignidade. (BERKHOF, 1949, p.7)[vii]

 

Outro pensamento difundido nos primeiros séculos do cristianismo foi o  monarquianismo,  que dividia-se em dinâmico e modalista.  No dinâmico via Jesus apenas como homem e o Espírito Santo uma mera influência divina. Quanto ao Monarquianismo modalista, consideravam o Pai, o Filho e o Espírito Santo meramente como três modos de manifestação assumidos pela Divindade.  Alguns foram para outro extremo, abandonando a unidade divina e abraçando o triteísmo que é a “crença em três Deuses da Trindade[viii].

John Stott, em sua obra monumental, “A Cruz de Cristo”, informa um contexto significativo quanto à doutrina da Trindade:

No início do terceiro século A.D. alguns negaram essa posição, Tinham dificuldade em entender a doutrina da Trindade e achavam que não podiam crer no Pai, no Filho e no Espírito sem se tornar triteístas. De modo que começaram a enfatizar a unidade de Deus, e então falaram do Pai, do Filho e do Espírito não como três “pessoas” distintas e eternas dentro da Divindade, mas, antes, como os três modos “temporais” mediante os quais Deus sucessivamente se revelou. Daí terem recebido o nome de “modalistas”. O Pai tornou-se o Filho, ensinavam eles, e então o Filho tornou-se o Espírito. Recebiam também a referência de “sabelianos” por causa de Sabélio, um dos seus dirigentes. Outro foi Praxeas, cujo ensino nos chegou através da poderosa refutação de Tertuliano. Praxeas ensinava (ou, segundo Tertuliano, o diabo ensinava através dele) “que o próprio Pai desceu à virgem, nasceu dela, sofreu, deveras foi o próprio Jesus Cristo”. Visto que Praxeas também se opunha aos montanistas, que têm sido vagamente descritos como os carismáticos da época, Tertuliano continuou: “Praxeas prestou um serviço duplo ao diabo em Roma; ele expulsou a profecia e trouxe a heresia; ele fez fugir o Paracleto, e crucificou o Pai”. (STOTT, 2006, p. 68).

 

Foi no século quarto que a Igreja começou a formular sua doutrina da Trindade. No concílio de Nicéia em 325 d.C[ix], foi declarado que o filho é co-essencial com o Pai, já no Concílio de Constantinopla em 381 d.C[x], reconheceram a divindade do Espírito Santo, embora ainda um tanto nebulosa.

Com os Concílios, documentos foram formulados, dentre os quais podemos destacar o Credo Niceno e o niceno-constantinopolitano, sendo oficialmente  declarado que o Filho é gerado pelo Pai, e que o Espírito procede do Pai e do Filho.

Essas confissões se propuseram a identificar de forma objetiva o que uma Igreja Cristã Ortodoxa deveria crer de mais básico. Muito embora entendamos que os artigos dessas confissões sejam de origem bem antiga, e só foram definitivamente concluídas por volta do sexto século.

Tanto no Credo Niceno (325) como o Credo Niceno-Constantinopolitano (381), foi destacado a confessionalidade de crer em um único Deus, um Só Senhor que é Cristo, e no Espírito Santo, como pode ser visto na comparação abaixo:

Tabela 1 – Comparativa entre os Credos

 

Credo Niceno (325) Credo Niceno-Constatinopolitano (381)
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai,
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. por que, foram feitas todas as coisas.
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai.
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos;
  e o Seu reino não terá fim.
E no Espírito Santo. E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém.

 

Fonte: Site Enciclopédia livre Wikipédia.  Credo Niceno. Disponível em:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Credo_Niceno. Acesso em: 19 set. 2016.

 

 

Com o esforço dos eruditos aquilo que criam internamente se tornara exposto e documentado.  O Ponto de vista que prevaleceu foi basicamente o de Anastásio (293-373), elaborado e aperfeiçoado pelos teólogos capadócios – Basílio, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa.[xi]

Agostinho, com sua lógica talentosa elabora um tratado magnífico, a obra “A Trindade”, e com ela elimina completamente todo o elemento de subordinação,  refutando de forma eloquente os erros que envolvia a reflexão trinitária de sua época. Agostinho reafirma que “O pai, o Filho e o Espírito Santo perfazem uma unidade divina pela inseparável igualdade de uma mesma substância” (AGOSTINHO, 1995, p.13).  Ele pressupôs com a verdade bíblica que existe um só Deus que é Trindade, e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são simultaneamente distintos e co-essenciais, numericamente um só quanto à substância:

Não é fácil encontrar um nome que possa convir a tanta grandeza e servir para denominar de maneira adequada a Trindade. A não ser que se diga que é um só Deus, de quem, por quem e para quem existem todas as coisas (Rm 11,36). Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são, cada um deles, Deus. E os três são um só Deus. Para si próprio, cada um deles é substância completa e, os três juntos, uma só substância. O Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo. O Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo. E o Espírito Santo não é o Pai nem o Filho. O Pai é só Pai, o Filho unicamente Filho, e o Espírito Santo unicamente Espírito Santo. Os três possuem a mesma eternidade, a mesma imutabilidade, a mesma majestade, o mesmo poder. No Pai está a unidade, no Filho a igualdade e no Espírito Santo a harmonia entre a unidade e a igualdade. Esses três atributos todos são um só,  por causa do Pai, todos são iguais por causa do Filho e todos são conexos por causa do Espírito Santo.[xii]

 

João Calvino, no tempo da Reforma, deu significativa atenção à doutrina da trindade,  resumindo o ensino bíblico dizendo que:

professamos crer em um só e único Deus, pelo termo Deus entende-se uma essência única e simples, em que compreendemos três pessoas sem especificação, designam-se não menos o Filho e o Espírito que o Pai; quando, porém, o Filho é associado ao Pai, então se interpõe a relação, e com isso fazemos distinção entra as pessoas.[xiii]

O conceito ortodoxo protege a doutrina de ameaças heréticas comuns, como o modalismo e o triteismo que resultaram no Arianismo.   O clássico diagrama abaixo ilustra o conceito:

trindade

 

O Pai não é o Filho, o Filho não é Espírito Santo, o Espírito Santo não é o Pai e nem tampouco o Filho, porém o Pai, o Filho e o Espírito Santo é Deus. Três pessoas distintas, uma essência.

Wayne Grundem acrescenta, “devemos necessariamente dizer que a pessoa do Pai tem em si  todo o ser de Deus. No mesmo modo, o Filho possuiu em si todo o ser Deus, e o Espírito Santo também possuiu em si todo o ser divino. Quando falamos conjuntamente do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não estamos falando de um ser maior do que quando falamos somente do Pai, ou somente do Filho, ou somente do Espírito Santo.  O Pai é todo o ser divino. O Filho é também todo o ser divino. E o Espírito Santo é todo o ser divino”[xiv].

Professor Adauto Lorenço, fazendo o uso da numeração,  ilustra brilhantemente com a seguinte expressão matemática,  1 x 1 x 1 = 1³ (um ao cubo).

Essas considerações iniciais acerca da Trindade no Antigo e no Novo Testamento, bem como na própria história do pensamento cristão, foram expostas para lançar um leve contexto sobre o assunto e nos ajudar a trazer a definição ortodoxia.  Um único Deus, três pessoas distintas, iguais em essências ou substância. Alguns Elementos portanto devem ser considerados quanto à definição; a unidade é fundamental, a divindade de cada uma das três pessoas,  Deus é um e mesmo assim três,  a trindade é eterna,   cada membro tem sua função e pode estar subordinada à outro  sem significar inferioridade, e é evidentemente  incompreensível de modo que não conseguimos entender plenamente esse mistério.[xv]

  1. ASPECTOS TRINITÁRIOS NA ANTROPOLOGIA BÍBLICA

O homem é a maior e mais completa iconografia[xvi] da trindade bíblico. Podemos afirmar que não existe uma analogia mais completa do que o homem, e claro, como todas as analogias elas tem as suas limitações,  entretanto, somente o homem é colocado nas Escrituras como um ser criado à imagem e semelhança do Deus Trino, e isso nos diz muito acerca da natureza humana.

 

2.1  BREVE ANÁLISE DE GÊNESIS 1.26-27

O homem é a imagem de Deus. O livro do Gênesis é o texto sapiencial para entendermos a relação entre o homem e Deus, tendo em vista que mostra que o Deus Trino criou o céus, a terra, todos os seres viventes e o homem como criatura singular, sendo o “muito bom” de tudo que Deus fez.

Depois de ter formado todo o ambiente, de ter feito todo o necessário para subsistência e possibilidade de vida humana, Moisés divinamente inspirado relata as palavras proferidas por Deus no Livro do Gênesis da forma seguinte:

Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”[xvii]

   O texto é bem claro em demonstrar uma pluralidade divina no ato da criação quando usado o verbo “fazer”. Não vamos aqui analisar todas as palavras do alhures fragmento escriturístico, pois não é nossa proposta até então, mas destacaremos algumas traduções que ajudam na compreensão.

As traduções mais usadas atualmente em língua Portuguesa, não apresentam variações quanto aos temos “façamos”, “imagem” e “Semelhança”, com exceção da Nova Tradução Linguagem de Hoje (NTLH), conforme pode ser observado comparativamente:

 

ARA NVI ARC NTLH
Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais grandes de toda a terra e sobre todos os pequenos animais que se movem rente ao chão”.

Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

 

 

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

 

 

Aí ele disse:

— Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.

27Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher.

 

Assim, chegamos à conclusão que o homem foi criado por um Deus que é um plural majestoso, com atributos que refletem a Divindade.  O homem foi criado com características que representam a imagem e semelhança dAquele que o criou,  sem fazer desse homem um semideus.

2.2 O HOMEM É A IMAGEM DE DEUS

Quando passamos para o contextual, percebemos ainda mais do significado direto do texto.  Paul Hoff comenta que “A imagem de Deus no homem tem quatro aspectos: a) somente o homem recebeu o sopro de Deus, e portanto tem um espírito imortal, por meio do qual pode ter comunhão com Deus; b) é um ser moral, não obrigado a obedecer a seus instintos, como os animais, porém possui livre-arbítrio e consciência; c) é um ser racional, com capacidade para pensar no abstrato e formar idéias; d) à semelhança de Deus, tem domínio sobre a natureza e sobre os seres vivos”.[xviii]

 

As Escrituras ensinam que Deus fez o homem e a mulher à sua própria imagem,  diferentemente de qualquer outra criatura terrena.  A dignidade especial dos seres humanos está no fato de, como homens e mulheres, poderem refletir, reproduzir, relacionar-se, ou seja, viver executando o poder de domínio, e dentro de sua própria condição de criaturas. Os seres humanos foram criados com esse propósito, e, num sentido, somos verdadeiros seres humanos na medida em que cumprimos. Tudo que envolve o conceito de imagem de Deus na humanidade pode ser entendido com clareza ao observar o contexto, visto que no  início do relato da criação um Deus como sendo pessoal, racional (dotado de inteligência e vontade), criativo,  governando o mundo que criou, é um ser moralmente capaz e admirável  (pois tudo o que criou é bom).

Assim, a imagem de Deus refletirá essas qualidades. Os versículos 28-30 mostram Deus abençoando os seres humanos que acabara de criar, conferindo-lhes o poder de governarem a criação, como seus representantes e delegados. A capacidade humana para comunicar-se e para relacionar-se tanto com Deus como com outros seres humanos aparece como outra faceta dessa imagem.[xix]

Por isso, podemos entender que a imagem de Deus na humanidade, consiste na existência do homem como uma “alma” ou “espírito” (Gn 2.7), isto é, como um ser pessoal e autoconsciente, com capacidade semelhante à de Deus para conhecer, pensar e agir. Ser uma criatura moralmente correta, que perdera essa qualidade no momento da queda, porém agora, nesta dispensação, a imagem é progressivamente restaurada em Cristo (Ef 4.24; Cl 3.10).

O homem tem domínio. Uma capacidade de liderar sobre o meio ambiente, e o corpo humano é o meio através do qual experimentamos a realidade de exercer esse domínio, bem como a necessidade de relacionar-se com o outro.

Ireneu de Lion, já no segundo século, foi provavelmente o primeiro teólogo a estudar a questão da imagem de Deus. Inicialmente ele fez uma distinção entre “imagem” e “semelhança”, entendendo que a semelhança foi perdida na queda, enquanto que a imagem de Deus permaneceu.[xx]

Agostinho, no século V, também escreveu  sobre a constituição do homem, afirmando que “convém  compreender em que sentido se  diz que o homem é a “imagem de Deus” e que é “terra e à terra voltarás”. A primeira refere-se à alma racional dada ao homem, isto é,  ao corpo do homem pelo sopro de Deus ou, se  prefere expressão mais adequada, pela inspiração de Deus; a segunda refere-se ao corpo tal qual foi formado por Deus a parti do pó, ao qual se deu  a alma para dele fazer um corpo animado, isto é, um homem dotado de alma vivente.[xxi]  Porém com a queda, a imagem de Deus no homem se trona uma imagem “disforme e sem brilho”, ao pecar o homem  perdeu a justiça e a santidade da verdade. Eis por que a imagem tornou-se assim, ele recupera-a ao renovar-se e reformar-se.[xxii]

Outrossim, mesmo com a queda, um resquício dessa imagem permance, resquício suficiente para fazer do ser humano  uma criatura singular. A semelhança com o Criador não foi extinguida completamente. Agostinho diz que “é necessário, porém procurar na alma do homem, ou sejam em sua mente racional e inteligente, essa imagem do Criador, inserida imortalmente nesta nossa natureza mortal”[xxiii].

Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, acrescenta que a imagem de Deus está situada na cognição humana, ou seja, na inteligência: “ Só as critaturas dotadas de inteligência são,  falando propriamente, à imagem de Deus. E por isso se encontra na mente”.[xxiv]

O Reformador de Genebra, João Calvino, afirma que a imagem de Deus é a capacidade moral e espiritual do homem.[xxv] Lutero, diferente de Calvino, entendia que as capacidades morais e espirituais foram totalmente perdidas coma queda.[xxvi]

As principais Confissões de Fé Reformada também nos oferecem definições acerca do assunto.  Como na Confissão Belga, no século XVI, no Art. 14, que diz:

“Cremos que Deus criou o homem do pó da terra, e o fez e formou conforme sua imagem e semelhança: bom, justo e santo, capaz de concordar, em tudo, com a vontade de Deus. Mas, quando o homem estava naquela posição excelente, ele não a valorizou e não a reconheceu. Dando ouvidos às palavras do diabo, submeteu-se por livre vontade ao pecado e assim à morte e à maldição. Pois transgrediu o mandamento da vida, que tinha recebido e, pelo pecado, separou-se de Deus, que era sua verdadeira vida. Assim ele corrompeu toda a sua natureza e mereceu a morte corporal e espiritual. Tornando-se ímpio, perverso e corrupto em todas as suas práticas, ele perdeu todos os dons excelentes, que tinha recebido de Deus. Nada lhe sobrou destes dons, senão pequenos traços, que são suficientes para deixar o homem sem desculpa.”

O Catecismo de Heidelberg, na resposta 6 definiu a imagem de Deus como:

“Deus criou o homem bom e à sua imagem, isto é, em verdadeira justiça e santidade, para conhecer corretamente a Deus seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo”. Por sua vez ,  no século XVII, os Cânones de Dort,  descreveram esse tópico: “No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e salutar conhecimento de Deus e de todas as coisas espirituais. Sua vontade e seu coração eram retos, todos os seus afetos puros; portanto, era o homem completamente santo. Mas, desviando-se de Deus sob instigação do diabo e pela sua própria livre vontade, ele se privou destes dons excelentes. Em lugar disso trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis, leviano e perverso juízo em seu entendimento; malícia, rebeldia e dureza em sua vontade e seu coração; também impureza em todos os seus afetos.”[xxvii]

Os próprios puritanos, seguindo a tradição iniciada por Calvino, apontaram sua definição na Confissão de Fé de Westminster:

Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, e dotou-as de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la, mas com a possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era mutável. Além dessa escrita em seus corações, receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal; enquanto obedeceram a este preceito, foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas”.[xxviii]

No seu comentário Bíblico, William Macdonald diz que “a coroa da obra de Deus foi a criação do homem à sua imagem e semelhança, significando que o homem foi colocado  na terra como representante  de Deus, e de certa forma partilha  características semelhantes com o Senhor: Deus é um trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), e o homem é um ser  tripartite (corpo, alma e espírito);  como Deus o homem possui intelecto, juízo moral, poder de se comunicar com os outros e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Ao contrário dos animais o homem é um ser  criador e adorador, e se comunica com clareza.[xxix]

Philip Yancey e Paul Brand destacam que “temos um Deus que não pode ser captado em uma ima­gem visível. Mas qual é a aparência de Deus? Como posso achá-lo? Onde está a imagem dele? De alguma forma, a essência de Deus en­trou nos corpos dos primeiros humanos criados, e eles trouxeram em si a imagem de Deus sobre este planeta. Durante algum tempo, as duas naturezas, a natureza física, com órgãos, sangue e ossos, e a natureza espiritual, puderam ter uma comunicação direta com Deus, integrar-se em harmonia. Infelizmente, essa situação não durou muito tempo”[xxx].

O homem portanto possui o “Imago Dei”, a imagem de Deus. E assim podemos Chegar a conclusão  que ele é uma unidade na diversidade, ele tem uma a parte material e imaterial inequívoca, que é essencial a sua constituição, e mesmo após a queda, traços da beleza do criador ainda o distingue das demais criaturas.

 

2.3 A PARTE IMATERIAL DO HOMEM

O aspecto físico do homem faz parte essencial do seu ser. Porém, para que o mesmo se tornasse alma vivente, foi preciso que o Senhor soprasse em suas narinas o “fôlego de vida”, o fôlego de Deus. O termo “alma vivente” abrange tanto a parte espiritual como o ser total da pessoa. O ponto é que, assim como as pessoas da Trindade são distintas, mas uma essência, o homem possuiu substancias, mesmo sendo um, e isso é por conta da “Imago Dei”.

Existem duas correntes teológicas predominantes quanto a esse assunto, a dicotomia e tricotomia.  A primeira defende que o ser humano é bipartido, tem dois aspectos, possuiu um material e outro imaterial. A morte física é descrita como a separação do corpo e do espírito (Tg 2.26), e os termos espírito e alma são intercambiáveis quando descrito nas Escrituras.  A Bíblia usa as palavras “alma” e “espírito (Jo 12.27;13.21; Lc 1.46-47),  afirmam ainda que na morte,  tanto a “alma” parte,  como  o “espírito” também (Gn 35:18; Sl 31:5; Ec 12:7; At 7:59), e o homem é tido tanto como “corpo e alma” quanto “corpo e espírito” (Mt 10.28; II Co 7.1).

A segunda posição, a tricotomista, defende que há uma distinção na parte imaterial humana no que diz respeito a alma e espírito. Os texto de ITs 5.23 e Hb 4.12, onde os termos “alma e espírito” ensinam que o homem é composto de três partes; na primeira passagem, apesar de Paulo se utilizar de um recurso enfático.  A segunda passagem aponta para o poder de penetração da Escritura em atingir o nosso ser mais íntimo, dando clareza na distinção. Uma outra passagem bíblica que é usada para fundamentar essa  tese se encontra no cântico de Maria (Lc1.46-47), onde “alma” e “espírito” aparecem em uma mesma sentença mas com efeitos diferentes, a “alma engrandece” e o “espírito se alegrou”.

Erickson, afirma que alguns tricotomistas desenvolveram sua posição com base na antiga metafísica grega. Certos filósofos gregos ensinavam que o corpo é o aspecto material do ser humano, a alma é o aspecto imaterial e o espírito  é o que estabelece a relação entre eles. Essa posição se expandiu  entre os patriarcas alexandrinos,  como Clemente, Origenes e Gregório de Nissa.[xxxi]

Se iconografássemos a tricotomia correlacionando a trindade, defendendo que a “alma” não é o “espírito”,  e nem o espírito é a alma e o corpo, mas tudo é o homem. A ideia seria representada como no gráfico abaixo:

tricotomia

 

O fato é que não é possível atribuir objetivamente às funções da parte imaterial do homem. Mas, podemos conjecturar na prática alguns pontos aqui: Temos a certeza de que “razão” não é igual a “emoção” – e se de fato essa proposição for verdadeira, chegamos a conclusão que no aspecto imaterial do homem há duas coisas que se diferem (razão e emoção), e, portanto não podem ser  atribuídas em conceitos que sejam intercambiáveis .

Sobretudo, fazendo o uso de uma ilustração popular,  a música. Existem músicas que levam o corpo a se movimentar, outras nos impulsionam a meditar naquilo musicalizado mesmo que não haja sequer letra, e outras conseguem de alguma forma nos arrancar sentimentos.  São facetas musicais, o ritmo (afeta o corpo), a melodia (afeta a parte imaterial do homem que o faz reconhecer qual música é), e a harmonia (afeta a parte imaterial do homem que faz emocionar-se com a música).

Preciso concordar com Charles Ryrie, quando diz que: “o homem é formado de duas substâncias:  material e a imaterial. Cada uma possuiu variedades interiores. As muitas facetas do material e as muitas  facetas do imaterial estão unidas para formar o todo de uma pessoa. O homem é uma grande diversidade em unidade.”[xxxii]

Ele é como um diamante de muitas facetas, defende Ryrie, não constituem entidades separadas, mesmo que reflitam vários aspectos do todo.  Podem servir a funções similares e sobrepostas, embora sejam distinguíveis.  Elas não são partes; são aspectos, facetas e faces de um todo[xxxiii]. A alma, o espírito, o coração (que é usando nas Escrituras como o centro da vida intelectual, emocional, volitiva e espiritual),  a consciência e a mente, são facetas  do homem interior[xxxiv].

 

2.4 A TRANSMIÇÃO DA PARTE IMATERIAL DO HOMEM       

Não podemos passar por esses assuntos sem deixar de mencionar acerca da forma maravilhosa de transmissão da imagem de Deus. A propagação do ser humana tem relação com a questão da origem da alma ou espírito, pois uma questão é levantada: Se Deus criou a alma de Adão diretamente, de onde vêm os outros espíritos? Alguns creem e defendem que Deus cria nossas almas e coloca no corpo, que são chamados de criacionistas, essa posição apresenta grandes problemas doutrinários e, portanto, não tem fundamentos bíblicos.

A outra posição é o traducionismo, que consiste não em uma nova criação da alma, mas a alma é transmitida pelo processo de geração natural.  Franklin Ferreira define que o traducionismo consiste na teoria de que tanto a alma como o corpo são  gerados  através da união do pai e da mãe de uma pessoa. Adão foi criado com uma natureza humana que incluiu a capacidade de se reproduzir. O crescimento da raça humana, portanto, tem sido o desdobramento da capacidade da única natureza humana de Adão.  Daí, todos nós somos filhos de Adão e somos relacionados com ele.  Existe uma unidade de raça e também uma verdadeira unidade de Jesus com a raça humana (Rm 5. 12-14).  O treducionismo afirma que a alma existe na criança a partir do momento da concepção, porque é um resultado daquela concepção. Essa é a explicação menos problemática para a propagação da alma humana.[xxxv]

O traducionismo defende que cada alma estava de forma seminal em Adão. E da mesma forma que herdamos os caracteres físicos, herdamos os da alma (Gn 1.27; 2:3; Rm 5.12; ICo 15.22; Hb 7.9).

 

Assim, o homem tem a “imago Dei”.  Sendo um agente pessoal e imaterial, ou seja, tendo um corpo, e possuindo facetas que o distingue de outras criaturas, podendo dominar e administrar à criação, possuindo responsabilidades que estão diretamente ligadas a humanidade.   

Corretamente disse J. I Packer, “os três grandes atos da Santa Trindade na recuperação da humanidade perdida — eleição por parte do Pai, redenção por parte do Filho, chamada por parte do Espírito Santo — como sendo dirigidos às mesmas pessoas, garantindo infalivelmente a salvação delas.”[xxxvi]

 

  1. A TRINDADE NA PRÁTICA HUMANA

 

A analogia entre o conceito da trindade Divina e aspectos humanos foram apontados pelos capadócios.   Eles tentaram expor os conceitos de substâncias comuns e de múltiplas pessoas distintas por meio de um universal e seus particulares, ou seja, as pessoas individuais da Trindade estão relacionadas à substancia divina da mesma maneira que seres humanos individuais estão relacionados ao ser humano universal. Assim, como o os seres humanos individuais têm características singulares que os distinguem de outros serem humanos, segundo Basílio, essas respectivas propriedades das pessoas divinas são a paternidade, filiação e poder santificador ou santificação. (Basílio, 38.5;214.4;263.6).

  1. I. Packer relata que o estudo acerca de Deus humilha e engrandece o Homem

 

Ao mesmo tempo, porém, que este assunto humilha a mente, também a expande. Aquele que pensa com freqüência em Deus terá a mente mais aberta que alguém que apenas caminha penosamente por este estreito globo. […] O melhor estudo para expandir a alma é a ciência de Cristo, e este crucificado, e o conhecimento da divindade na gloriosa trindade. Nada alargará mais o intelecto, nada expandirá mais a alma do homem que a investigação dedicada, cuidadosa e contínua do grande tema da divindade”[xxxvii].

 

Agostinho emprega analogias extraídas da personalidade humana. Ele argumenta que, como o ser humano é criado a imagem do Deus trino e uno, é razoável, portanto, esperar encontrar, por meio da análise da natureza humana, um reflexo, ainda que vago, da “triuniade” de Deus.  Começando com a declaração bíblica de que Deus é amor, Agostinho observou que há três elementos necessários no amor:  o amante, o objeto amado, e o amor que os une, ou que tende a uni-los[xxxviii].

Em Confissões, Agostinho faz a analogia baseada na pessoa interior  na tríade do ser, conhecer,  e querer [xxxix].  Impressionantemente, Arthur W. Pink aponta o  fato de que “Tal como existe a Santa Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – assim também há uma maléfica trindade a carne, o mundo e o diabo.[xl]

Dr. Peter S. Ruckman,  tece algumas conjecturas quanto ao numeral três, é certo que em alguns momentos ele entra em uma alegoria que chega a ser cômica, porém é interessante a sua observação quando afirma que:

Sendo o Número da Trindade, o Número Três é o número universal da felicidade verdadeira, que só existe na comunhão com Deus. Este número se apresenta em vários aspectos no universo: 1- A Trindade é constituída de três Pessoas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 2- O tempo é constituído de três partes – passado, presente e futuro.  3- A história também se divide em três partes: passado, presente e futuro. 4- O espaço é constituído de três dimensões: comprimento, largura e profundidade. 5-  A terra é vista de três ângulos: céu, terra e mar. 6- O homem é constituído de três partes: corpo, alma e espírito. 7-  A família se constitui de três partes – pai, mãe e filho. 8. Hegel disse que só se pode resolver um problema, quando se tem as três partes do mesmo: a tese, a antítese e a síntese. 9-    A costureira tem três fases em seu trabalho: desenha o molde, corta o tecido sobre o mesmo e em seguida costura o tecido. 10 – Quando uma pessoa crê em Jesus Cristo de todo o coração (parte 1), e confessa o Seu Nome (parte 2), ela é salva (parte 3) (Romanos 10:9-10). 11- Cada verso da Escritura possui três aplicações: histórica, doutrinária e espiritual xli].

 

Fugindo das conjecturas, podemos quanto à imagem e semelhança de Deus no homem, sintetizar  que o significado dos termos apresentam a mesma realidade.  E ela está relacionada com o domínio, o homem é a imagem de Deus, pois recebeu a inteligência, os componentes da personalidade, o seu intelecto, o seu juízo, a sua capacidade de avaliação, a sua sensibilidade, a possibilidade de julgar as coisas, de conhecer as coisas e exercer essa força da sua inteligência para dominar, influenciar, administrar.

 

Os homens dominam o universo ao redor de modo que facilitam vida. Somos imagem e semelhança de Deus, refletimos a personalidade de Deus. Uma personalidade teomórfica,  refletimos Deus em domínio. Isso é ser humano.

 

Além disso, imagem e semelhança tem algo haver com a expressão “homem” e “mulher”, conforme o relato de Gênesis. E isso implica que o homem é um ser relacional. O homem é um ser capaz de se relacionar em um gral profundo e intenso com o seu semelhante.

 

A imagem e semelhança de Deus no homem envolve a capacidade de um relacionamento significativo, intenso igual àquele que deve existir entre um homem e uma mulher. Deus nos capacitou para que tivéssemos essa capacidade de desfrutar de relacionamento. Não nos relacionamos com animais da forma como nos relacionamos com um outro ser humano, jamais poderemos compartilhar nossos sentimentos com animais ou seres inanimados e ouvir deles uma resposta racional.

 

O fato é que nos tornamos mais humanos na medida em que nos relacionamos. Quanto mais nos relacionamos nos tornamos mais gente, pessoas mais completas. O homem “em-si-mesmado”, quando não se relaciona ele perde algo da sua identidade humana. Ele enfraquece a sua personalidade, ele empobrece a sua pessoalidade, e é por isso que temos a igreja.

A igreja, a Congregação, a comunidade, mesmo com os defeitos e falhas, nos tornamos mais humanos quando compartilhamos do convívio com outros filhos de Adão.

Há algum tempo foi estreado um filme intitulado “O náufrago”,  que ilustra bem essa ideia, onde o personagem principal estava sozinho em uma ilha, sem poder se relacionar com ninguém, um dia ele cortou a mão e tocou em uma bola, a marca de sangue na boa  ficou algo parecido com um rosto, onde ele mesmo desenhou olhos e boca, e chamou-a de “Wilson”.  E aquela bola passou a ser seu amigo, ao ponto de ficar desesperado quando a perdeu. Na verdade aquela bola salvou o personagem de enlouquecer, pois a solidão enlouquece. A solitude faz mal, não é à toa que nosso organismo psíquico pode gerar amigos imaginários no intuito de suprir a necessidade infantil de uma amizade.

 

Deus na eternidade exercia seus atributos relacionais sem necessitar criar nada, pois era trino. Ele não precisou criar o homem para que só assim pudesse amar, mas Ele se relacionava entre si com as pessoas da divindade. O homem precisa se relacionar, visto que apesar de ter facetas imateriais, ele necessita praticar aquilo pelo qual foi feito, que lhe é intrínseco.  Ele foi feito a imagem de um Deus relacional.

Outra história que ilustra essa verdade é constatada no clássico “Robson Crusoé” de Daniel Defoe, que narra a saga de um  outro náufrago que foi salvo em uma ilha solitária quando encontrou o nativo no qual colocara o nome de “Sexta-feira”.

Quando olhamos para qualquer pessoa devemos ter a ciência de que esse é imagem e Semelhança de Deus. É um alguém a quem Deus deu capacidade de dominar, de exercer influencia ,  controle e mais, pessoas que podem se relacionar em um nível profundo, intenso e pessoal.  Temos que rever o modo como temos vivido e praticado a nossa humanidade administrando a nossa capacidade de influenciar e relacionar-se.

 

O melhor laboratório pra sabermos que estamos sendo mais “gente” é a família. Deus criou uma família onde Adão e Eva poderia vivenciar de modo mais pleno a imagem e semelhança de Deus. A maneira como os maridos exercem a autoridade em casa é uma meditação acerca do assunto.  Como os cônjuges se relacionam entre si e ambos com os filhos, e filhos entre os irmãos é algo a ser avaliado.

Devemos ter, portanto, em alta consideração a imagem do outro, visto que o outro é imagem e semelhança de Deus.  Propondo-nos a sempre respeitar (Tg 3.9), não podemos mal dizer os homens. A imagem de Deus que foi quebrada na queda e afetou o nosso domínio e relacionamentos será reconstruída (IICo 3.18). Na medida em que contemplamos a glória de Deus somos transformados à sua própria imagem, ou seja, nos filhos de Deus a imagem é reconstruída. Contemplamos a glória de Deus na sua palavra, nos seus atributos, na sua face, nas suas obras.

 

Quando isso é trabalhado, a nossa capacidade de dominar e nos relacionar serão depuradas, melhoradas, consertadas e a imagem será reconstruída, e como cristãos maduros nos tornamos mais gente.  Efetuando todos os nossos atos com humanidade, o domínio e a influência é exercida com santidade e sabedoria. Todos os momentos da vida são realizados com o intuito nítido e claro de glorificar o nome do Senhor, assumido e exercendo função de todo o homem.

 

Um catecismo Batista na sua primeira pergunta diz: qual é o objetivo principal do homem? A resposta não difere dos outros catecismos que abordam esse assunto, o objetivo principal do homem é glorificar a Deus, e ter comunhão com Ele para sempre.[xlii]

 

 

  1. O HOMEM EXPLICA DEUS

 

“O homem é a medida de todas as coisas”[xliii].  O arquiteto e artista romano  Vitrúcio formulou uma teria arquitetonicas inspiradas pelas proporções do corpo humano; Leonardo da Vinci que sempe foi tentato a inspirar-se na natureza adotou  o Cânone Grego–Romano das proporções humanas perfeitas.  É supreendente a divina porporção na estética facial humana, a razão entre a altura  do intivíduo e altura do umbigo e as proporções de diversos ossos contíguos da mão eram tidas como relacionadas  á razão áurea, e  os artístas estão cientes delas edsde a antiguiade Clássica[xliv].

Interessante que até nisso  podemos ver a imagem do Deus Trino nas dimensões físcas humanas, e Ele ensinou isso a seu povo quando ordenou as medidas em “côvados”,  que media-se no antebraço humano para os projetos arquitetonicos judaicos.

 

Deus é um ser pessoal.  C. S. Lewis disse que “os cristãos são os únicos que oferecem uma ideia de como seria esse ser que está além da personalidade. Todas as outras pessoas, apesar de dizerem que Deus está além da personalidade, na verdade concebem-no como um ser impessoal: melhor dizendo, como algo aquém do pessoal. Se você está em busca de algo suprapessoal, algo que seja mais que uma pessoa, não se verá obrigado a escolher entre a idéia cristã e as outras idéias, pois a idéia cristã é a única existente no mercado”[xlv].

Um dos maiores artistas da humanidade representou a seqüência da Criação na abóbada da Capela Sistina, em Roma. Michelangelo[xlvi] escolheu como destaque em seu trabalho o exato momento em que Deus despertou o homem à sua imagem. Mas, mesmo com o encanto da pintura, ela representa apenas uma elucubração humana, pois o artista retratou um reflexo de algo que foi plantado em sua mente caída, porém mesmo assim, a produção traz traços nítidos da perfeição divina, visto que a verdadeira arte não está na  Capela  Sistina, mas na criação do homem Michelagelo, capacitado por uma graça comum.   Inúmeras são as maravilhas do mundo, mas nenhuma, nenhuma é mais incrível que o corpo do homem (SÓFOCLES)[xlvii].

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Jesus Cristo é a expressão exata de quem Deus é na sua divindade, e é a expressão exata de quem vamos ser segundo a sua humanidade (CAMPOS).  Essa realidade incrível que o homem não consegue perscrutar permeia as páginas das Escrituras. O fato é que quanto mais conhecemos  Aquele do qual somos semelhante, mais nos conhecemos.

A doutrina da trindade nos oferece inúmeras aplicações.  Sabemos que assim como há um só Deus trino, uma unidade na diversidade, como já vimos, o homem também possui certas características.  O ser humano é único e ao mesmo tempo rigorosamente igual a todos os outros.  Não há a presença de semideuses ou mutantes no corpo de Cristo, todos são iguais e feitos do pó da terra e do pó voltarão.  Temos as mesmas estruturas biológicas apesar de diferenças, capacidades e habilidades diversas que são inerentes a nossa vocação.

 

Na comunidade cristã local essa verdade é aplicada com mais prática, pois é composta de uma diversidade de pessoas, tendo a realidade de que nenhum membro  é melhor do que outro,  todos são iguais e úteis no Reino.   Assim como na divindade, cada pessoa tem um propósito, cada ser humano foi feito com funções, munidos de habilidades para desempenhar cada serviço predeterminado.

 

O homem tem a “imago Dei” sendo portanto um representante. O cristão, aquele por quem Cristo morreu, o eleito tem o encargo santo de fazer com que os homens vejam a Deus. E essa verdade que emana das Escrituras, sejam Santos porque sou Santo. E Deus, assim como não poupou seu próprio filho, não poupará circunstâncias para nos fazer a cada dia imagens de Cristo (Rm 8.28-30).  Cristo é a imagem do Deus invisível (Cl. 1.15). Somente o homem pode falar com seu criador de uma forma comunicável, pode obedecer ao ponto de agradá-lo, e errar os alvos e sentir-se mal por conta disso no decorrer de sua saga.

 

O homem deve amar outras pessoas porque ele é a imagem do Deus trino. Jamais esquecendo da singularidade da dignidade humana, sendo coroa da criação, não esquecendo que o outro é um possível alguém por quem Cristo derramou seu sangue.  Uma implicação bem clara está também na necessidade de relacionamentos, e mais especificamente entre homem e mulher, ou seja, uma forma de honrar nossa imagem é rejeitar veementemente a deturpação de união homoafetiva, pois contraria o propósito divino na natureza humana.

 

Devemos fazer o uso de todos os privilégios e responsabilidades de ser um ser singular.  Na medida em que a imagem de Deus é renovada devemos executar os mandados espirituais, sociais e culturais. Constituindo família, vivendo em sociedade, na política, trabalho, artes, lazer, tecnologia e etc.

 

Assim, o homem é, Graças ao Soberano Deus Trino, a forma mais clara de explicar Deus. Mesmo que haja um abismo da riqueza que da sabedoria de maneira que não podemos conhecer a mente do nosso Senhor, o homem feito à imagem e semelhança de Deus reconhece que todas as coisas são explicáveis em Deus.  A explicação, Deus se fez carne e habitou entre nós, cheio e Graça e de Verdade, o Verbo, Cristo, o Deus-Homem, Ele é a expressão exata de quem Deus é na sua divindade, e é a expressão exata de quem vamos ser segundo a sua humanidade. “e vos revestis do novo homem que se refaz  para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”[xlviii]. Portanto, podemos concluir que “Tudo se explica em Deus!”.

 

REFERÊNCIAS

 

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Notas de fim

[i] Foi um movimento de renovação da fé cristã que surgiu na Igreja luterana alemã em fins do Séc. XVII, defendendo a primazia do sentimento e do misticismo na experiência religiosa, em detrimento da teologia racionalista.

 

[ii] Gênesis. 1.18ª

 

[iii] KEMPIS, Thomas. Imitação de Cristo. P. 11

 

[iv] RYRIE, Charles C.  Teologia Básica ao Alcance de Todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.60.

 

[v] Didaquê (Διδαχń, “ensino”, “doutrina”, “instrução” em grego clássico), Instrução dos Doze Apóstolos (do grego Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin) ou Doutrina dos Doze Apóstolos é um escrito do século I que trata do catecismo cristão. É constituído de dezesseis capítulos, e apesar de ser uma obra pequena, é de grande valor histórico e teológico. Disponível em: http://wikipédia.com. Acesso em: 19 set. 2016.

 

[vi] Didaquê, 7.1-3

 

[vii] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática.  São Paulo: Cultura Cristã, 2013. p. 7

 

[viii] Disponível em: http://wikipédia.com. Acesso em: 20 set. 2016.

 

[ix] O Primeiro Concílio de Nicéia foi um concílio de bispos cristãos reunidos na cidade de Nicéia da Bitínia (atual Turquia), pelo imperador romano Constantino I em 325 d.C.. O concílio foi a primeira tentativa de obter um consenso da igreja através de uma assembléia representando toda a cristandade. O seu principal feito foi o estabelecimento da questão cristológica entre Jesus e Deus, o Pai; o estabelecimento da doutrina Trinitária, ou Trindade; a construção do Credo Niceno; a fixação da data da Páscoa; e a promulgação da lei canônica

 

 

[x] Nesse Concílio foi debatida a natureza de Cristo e o arianismo. Sendo este o primeiro Concílio Ecumênico realizado em Constantinopla, foi convocado por Teodósio I em 381. O concílio aprovou o Credo niceno-constantinopolitano, e tratou de outros assuntos teológicos. O concílio reuniu-se na Igreja de Santa Irene de maio a julho de 381. É reconhecido como o segundo concílio ecumênico pela Igreja Católica, Nestoriana, Ortodoxa e uma série de outros grupos cristãos.

 

[xi] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova – 2015, p. 329.

[xii] AGOSTINHO, Santo.  A doutrina cristã . São Paulo: Paulus, 2002, p. 46-47.

 

[xiii] CALVINO, João. As Institutas, I.13.19.

 

[xiv] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, p. 187.

 

[xv] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova – 2015, p. 333-334.

 

[xvi] iconografia (do grego “Eykon“, imagem, e “graphia“, descrição, escrita) é uma forma de linguagem visual que utiliza imagens para representar determinado tema.

 

[xvii] Gênesis, 1.26-27

 

[xviii] HOFF, Paul. O Pentateuco. Betânia, Belo Horizonte-MG, p. 15

 

[xix] Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, p. 10

 

[xx] FERREIRA, Franklin; MYATT, Allan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007.  p. 389

 

[xxi] AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus.  13.24

 

[xxii] AGOSTINHO, Santo. A Trindade. 14.22

 

[xxiii] AGOSTINHO, Santo. A Trindade. 14.6

 

[xxiv] AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. I 93.2

 

[xxv] CALVNO, João. As Institutas. I.15.3

 

[xxvi] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, p. 187,192

 

[xxvii] Canones de Dort, III.1

 

[xxviii] Confissão de Fé de Westminster. IV. 2

 

[xxix] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p. 13.

 

[xxx] YANCEY, Philip; BRAND, Paul. A Imagem e Semelhança de Deus.  São Paulo:Editora Vida, 2003,  p.17.

 

[xxxi] ERICKSON, Millard J. p.506-507.

 

[xxxii] Ryrie, CHARLES.  Teologia Básica ao Alcance de Todos.  São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.227.

 

[xxxiii] Ryrie, CHARLES.  Teologia Básica ao Alcance de Todos.  São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.227.

 

[xxxiv] Ryrie, CHARLES.  Teologia Básica ao Alcance de Todos.  São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p.227-230.

 

[xxxv] FERREIRA, Franklin; MYAT, Allan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 405.

 

[xxxvi] PACKER, J. I. O “Antigo” Evangelho. Editora Fiel, 1992, São Paulo, p. 33.

 

[xxxvii] PACKER, J.I. O Conhecimento de Deus. P.11.

 

[xxxviii] ERICKSON, Millard J. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova – 2015, p. 335.

 

[xxxix] AGOSTINHO, Santo. Confissões.  13.11.

 

[xl] PINK, Arthur W. Enriquecendo-se com a Bíblia. Editora Fiel, 1979, Atibaia- SP.  p. 78.

 

[xli] RUCKMAN, Peter S. Bible Numerics. Mary Shiltze, disponibilizado no site http://www.cpr.org.br/mary4.htm

 

[xlii] Catecismo Batista. Disponível  em: http://www.palavraprudente.com.br. Acesso em: 26 set. 2016.

 

[xliii] Assim falou Protágoras, que foi um filósofo um sofista da Grécia Antiga. Disponível em: https://pt.wikipedia.org. Acesso em: 26 set. 2016.

 

[xliv] ATALAY, Bulent. A Matemática e o Mona lisa, a confluência da Arte com a ciência.   Mercuryo Novo Tempo. São Paulo , 2009, p.135-136.

 

[xlv] LEWIS. C. S. Cristianismo Puro e Simples.  Martins Fontes, São Paulo – 2005, p. 56.

 

[xlvi] Pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano (1475-1564). E considerado o maior nome do Renascimento, ao lado de Leonardo da Vinci. Em 1508, depois de protestar que não era pintor, cede aos pedidos de Júlio II e, durante quatro anos, pinta sozinho o teto da Capela Sistina com cenas do Antigo Testamento. Entre 1536 e 1541, faz o afresco Juízo Final na parede dos fundos da capela. (N. do E.)

 

[xlvii] Sófocles foi um dramaturgo grego, um dos mais importantes escritores de tragédia ao lado de Ésquilo e Eurípedes, dentre aqueles cujo trabalho sobreviveu.

[xlviii] Colossenses.  3.10

 

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