Reflexões autobiográficas (V): Meu Pai

REFLEXÕES AUTOBIOGRÁFICAS (V): MEU PAI[i]

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Reconhecei, pois, a homens como este [ ]”

(Citação descontextualizada de I Coríntios 16:18, ARA, parte b, com a omissão da letra s no final da palavra este )

 

 

Nascimento e infância na Praia dos Paus

A Praia dos Paus é uma localidade situada às margens do rio Purus, no município de Boca do Acre. Pela imensidão dos rios da bacia Amazônica e o baixo índice demográfico, muitas localidades tem seu acesso dificultado às cidades mais próximas. Esta comunidade, apesar de situada no município de Boca do Acre, está mais próxima da cidade de Sena Madureira; sendo assim seus moradores têm fortes laços acreanos, apesar da naturalidade amazonense. A via de acesso à Praia dos Paus é eminentemente fluvial. No início da sétima década do século XX (década de 60), o meio de produção local era primitivo, onde as atividades dominantes entre os moradores do Seringal Praia dos Paus era a extração do látex das seringueiras, extração de castanha-do-pará (atividade mais bem remunerada) agricultura, caça e pesca.

Localizava-se à margem direita do leito descendente do Rio Purus e na margem oposta à localidade havia uma bela praia; muitos embarcações que vinham de Boca do Acre e faziam transporte para Sena Madureira nesta época precisavam ser empurradas corredeira acima por muitos homens para alcançar seu objetivo; muitas tinham seus cascos furados por uma quantidade enorme de paus que se depositavam no leito da “cachoeira”. Talvez esta seja a origem do nome da localidade: “a Praia dos Paus”.

A vida era pacata, mas divertida e deslumbrante diante da grandeza natural de estar em um local com água fresca, brisa suave, grandes peixes, tais como o filhote e o tambaqui; havia também a piracema de pacu e de mandii, surubim, curimatã. Também tinha fartura em caças, como anta, cotia, paca, porco-do-mato, etc. Era uma terra fértil e maravilhas exuberantes da natureza podiam ser encontradas lá. Uma destas maravilhas era o que se chamava de cachoeira, que constava de uma queda d’água um pouco acima da Praia dos Paus, bem inclinada e que dificultava o transporte das embarcações durante o período de secas. O canto do bem-te-vi; o vôo paralisado do beija-flor; a praia bem formada, a vegetação frondosa e fechada. Neste ambiente foi que se estabeleceram famílias de colonos, mercadores fluviais, seringueiros, entre outros. Suas consciências eram conduzidas com um misto de bucolismo, crendices, religiosidade professa, esperança, alegria, embates com doenças fulminantes e muito trabalho. O pequeno vilarejo da Praia dos Paus era um campo com muitas casas construídas. Na época havia cerca de 10 famílias no local.

Uma destas famílias era a do senhor Luiz Gonzaga Furtado, que oriundo de Belém do Pará, outrora já egresso do Ceará, veio com seu pai, para as bandas da Amazônia à procura de se favorecer financeiramente com a extração do látex e a exploração do ambiente ao longo do vasto Amazonas. Ele veio do Pará para o Amazonas com a idade de 13 anos. Era um homem alto, moreno, trabalhador e muito valente.

Logo o senhor Luiz conheceu a senhora Maria Clarinda, filha de criação de um seringalista. O senhor Luiz Gonzaga era freguês deste seringalista (todos os anos o senhor Luiz Gonzaga ganhava o prêmio de maior freguês deste seringalista, como maior produtor de borracha). Como Luiz Gonzaga era muito bem-quisto deste seringalista, então ofereceu a mão de sua filha-adotiva em casamento. Enfim, casaram-se; ele bem alto; ela baixa; o contraste das alturas não pôde impedir o amor e o bom relacionamento entre os dois. Minha avó Isa relata que sua sogra era muito boa para com ela; uma mulher trabalhadeira, ajudava os seus netos; era bem asseada; gostava de repartir suas coisas com os familiares e com os mais necessitados.

Como estabeleceu família resolveu construir uma casa para si e Maria (Isa), sua amada, um pouco à frente da casa de seu pai. Ali naquela casa com paredes de paxiúba e cobertura de palha, eles tiveram sua primeira filha: Maria das Graças Alves Furtado, nascida em 1957, que era uma verdadeira “gracinha”, sendo logo alcunhada por este nome. Foi um parto sofrido, o qual contou com a assistência da parteira “comadre Cota”, sogra da irmã de minha avó, a dona Nália.

A Praia dos Paus, nesta época, também era uma terra de religiosos. A religião dominante (e única) era a católica. As atividades sociais giravam em torno de devoções, rezas, festejos, brincadeiras entre as crianças e o desenvolvimento de laços fraternos entre os comunitários, que expressavam tamanha amizade de acordo com a linguagem da ainda religião dominante do Brasil na referida ocasião: falamos dos compadres e das comadres; dos afilhados e dos padrinhos.

Meu pai veio à existência no dia 01/03/1960, nascido a termo, de parto normal, assistido pela senhora Marcionilha, em substituição à principal parteira, que na ocasião estava em Sena Madureira (tratava-se de dona Cota). Nasceu na residência de seus pais, Sinval Silva Furtado e Maria Alves Furtado.

A infância de meu pai foi passada neste ambiente da Praia dos Paus; uma casa humilde com as paredes de palha, onde havia dois cômodos o quarto comunitário e a cozinha. Foi neste ambiente pitoresco que meu pai manteve seu primeiro contato com os privilégios e as mazelas da vida. Meu pai foi batizado e teve como padrinhos, o senhor Públio Conceição (dentista) e sua esposa Conceição.

 

O “réptil” do Anajás

Na tenra infância de meu pai, meus avós mudaram-se por um breve tempo, cerca de um ano, para o seringal Anajás, e depois retornaram para a Praia dos Paus. Um episódio curioso ocorreu na comunidade Anajás. Meu pai deveria ter uns 2 anos de idade e já começava a se familiarizar com os animais, insetos, répteis e toda a espécie de seres. Um dos répteis que lhe chamava a atenção eram os calangos; desde a queda, os répteis já se manifestavam como grandes sedutores, principalmente daqueles menos maduros, ainda mais quando se trata de crianças. Meu pai vivia a correr atrás de pequenos lagartos, popularmente conhecidos como calangos. Em um dia específico, se espantou tanto com um deles que ficou fascinado gritando: “o calango, mamãe! O calango, mamãe!” “Xô calango”. Minha avó não tinha prestado muita atenção. Quando lançou o olhar sobre a criança, o réptil já se preparava para dar o bote no pequeno Furtado. Rapidamente, minha avó conseguiu proteger meu pai e livrá-lo da morte. Não se tratava de um calango; era uma cobra venenosa. Quis Deus, em sua santa providência, preservar a vida do pequenino.

 

O menino a correr pelos campos do Anajás

Ao ver os grandes calangos se admira

Um dia a personificação de Satanás

Na criança fez uma mira

 

Era uma cobra sibilante

Que um calango pareceu ser

A qual chamou a atenção

Do menino que se punha a correr

 

Paralisado ficou

Ao ver o calango diferente

Era mais belo e folgoso

E de aparência muito atraente

 

Tamanha admiração o levou a exclamar

Mamãe, veja o calango

Que está a me impressionar

Com o dedo apontado

O menino pôs-se a gritar

 

O calango diferente que para o bote se preparava

Não contou com a mãe valente

Que o menino tanto estimava

Puxou-lhe rapidamente

E da cobra o livrou

Foi um grande alívio para sua própria mente

Reaver o seu próprio filho da morte certa e iminente

Graças ao Nosso bom Deus, Furtado continuou vivo e sorridente

 

 

 

O menino recorda contente

De sua mãe a valentia

E relembra sorridente

A providência daquele dia

Não fosse tal atitude

A morte certa teria

E para a sua prole

Não teria trazido alegria.

 

 

 

O gato-maracajá e a Festa de Reis.

Como em certo ano se aproximava a festa de Reis, que já era uma grande tradição e havia se tornado possivelmente a maior festa anual daquela redondeza. A casa do avô paterno de meu pai ficava completamente lotada com os moradores da Praia dos Paus e localidades adjacentes (São Miguel). Todos se preparavam e se produziam para aquela ocasião. Havia uma espécie de etiqueta inconsciente de que todos deveriam ter uma roupa adequada: limpa e nova. A família de meu avô Sinval era muito pobre. Diante das dificuldades financeiras daquele ano e das roupas não tão apropriadas para festas (já velhas e utilizadas no âmbito da casa), meu avô quase que decretou que naquele ano a família Sinval Furtado não iria à festa de Reis, na casa de meu bisavô.

Ele bem poderia ter pedido ajuda, mas era mui digno e sabia que a responsabilidade de vestir, educar e sustentar a família estava em suas mãos. Meu avô, mesmo tendo uma grande festa na casa de seu pai, resolveu não ir. Mas tinha um plano em mente!

Estava bem próxima a data da festa e as crianças estavam tristes por não poderem ir à festa; todos os vizinhos e parentes só falavam naquela festa; em como seriam gostosos os quitutes, como a música seria boa; como tudo estaria tão animado e seria um momento de descontração e brincadeiras; evasivamente meu pai e suas irmãs só poderiam responder evasivamente com algo do tipo: “este ano nossa família não vai”. Diante da euforia das outras crianças, os rostos de meu pai e suas irmãs ficaram mareados com lágrimas e consternação por não poderem ir à grande festa daquele ano.

Enquanto isto, meu avô estava em plena selva exposto a perigos das feras. Escondido em seu ponto de caça, aguardando silencioso com sua espingarda a passagem de uma caça, especialmente se fosse uma onça pintada, o que lhe renderia uma boa grana.

A providência divina, entretanto, lhe proporcionou algo um pouco menor: um gato-maracajá. Com seu rifle, após longos momentos de espera, meu avô abateu um gato-maracajá e partiu para casa tirar o couro e colocar para secar.

A festa de Santo Rei já se aproximava e meus tios juntamente com meu pai eram consolados por minha avó que tentava desviar a atenção dos filhos, mui penosamente, para outras atividades.

Enquanto isto, meu avô partiu para Sena Madureira com o gato-maracajá e sua pele. Lá chegando conseguiu vender o gato e após pequenas compras voltou para a Praia dos Paus.

Faltavam poucos momentos para a festa. Todos estavam tristes e cabisbaixos em casa, ainda mais porque o cabeça da família estava ausente.

Quando o avistaram, ficaram apreensivos, esperando um parecer; ou algum rancho com alguns quitutes para os filhos; mas a surpresa ainda estava por vir. Com o dinheiro da venda do gato-maracajá, meu avô conseguiu o suficiente para comprar algumas coisas para a casa e tecidos para fazer roupa para toda a família. Logo minha avó levou os tecidos para as senhora Maria e Vanda, famosas costureiras da região (casada com o senhor Zeca, gerente-geral da Praia dos Paus) que foi uma euforia na casa, quando perceberam as roupas novas. Mui depressa começaram a se arrumar e dirigir suas atenções para a casa do senhor Luiz Gonzaga, onde os instrumentos já começavam a oferecer seus primeiros acordes e o cheiro de boa comida exalava pelo ar.

Foi por um triz, mas mesmo diante de todas as surpresas e tristezas, os olhares e os corações de meus tios e de meu pai foram transformados em completa alegria. Enfim, foram para a festa. Foi uma experiência e tanto para a família; trazendo como lição o fato de que nem sempre as coisas saem como planejamos; às vezes alguns incidentes acontecerão, mas certamente, se houver disposição para o trabalho e confiança em Deus, em geral as famílias podem tirar grandes benefícios diante das dificuldades.

 

Seus primeiros anos na cidade de Boca do Acre

Por volta dos 10 anos de idade, meu pai juntamente com a família de meus avós paternos passou a morar no município de Boca do Acre.

Por quê? A senhora Maria de Nazaré, irmã de minha avó Isa, ao visitá-los no final da década de 60, mostrou-lhes as perspectivas de estudo para as crianças na cidade, bem como de melhorias financeiras; decidido o casal veio com seus filhos: Maria das Graças, Francisco Alves Furtado, Maria Clarinda Alves Furtado, Raimunda Alves Furtado e aqui em Boca do Acre nasceram Maísa Alves Furtado e José Alves Furtado. Assim que chegou meu avô comprou uma casa onde hoje fica a avenida João Gabriel, no local onde hoje funciona a Mercearia Brito. Ali ele era um local muito pequeno; seus vizinhos eram o senhor Pinheiro; o senhor Cesário; o seu cunhado Alcídes (irmão de minha avó paterna), sendo que este último morava em uma casa onde hoje corresponde a localização do Hotel Alice.

Sobre sua fama de violonista (do senhor Sinval Silva Furtado) cito aqui as palavras do senhor Francisco Araújo da Costa (31-03-1923 / – ), um senhor alto e moreno, que também trabalhou com meu avô, na profissão de estivador; ele lembra dos toques que meu avô dava ao violão de maneira majestosa e das belas posições e acordes efetuados, os quais impressionavam a muitos que o ouviam tocar.

Como fosse para Rio Branco morar por lá, o senhor Alcídes vendeu sua casa para meu avô Sinval, que passou a morar mais centralizadamente, isto por volta de 1961.

Logo em seguida minha tia Maria de Nazaré também foi embora para Rio Branco; como estava em dúvida se voltaria ou não, meu avô passou a construir no vasto terreno ao lado direito de sua casa, fronteiriço com a casa da senhora Altiva, para quando Nazaré voltasse. Ela não voltou e então meu avô vendeu a casa para o senhor Raimundo Nonato, que aos passos foi se tornando um grande empresário.

As atividades citadinas de maior monta eram raras e em geral meu pai pegava pesado nos trabalhos domésticos, ajudando minha avó a carregar água da beira do rio, a capinar o quintal e também fazia pequenos trabalhos para outras pessoas.

As diversões mais cobiçadas por meu pai era ir até o circo e assistir uma sessão e em segundo plano ir até o cinema para assistir um filme com defasagem de pelo menos três anos, porém era a atração tão esperada para todos os jovens e crianças da cidade.

Por volta dos 15 a 17 anos meu pai estudava a sexta ou sétima série e foi visitar pela primeira vez a capital acreana; ela não devia ser tão grande ainda, mas deve ter fascinado os olhos de meu pai, com tantas variedades e opções de diversão, estudos e trabalho. Ele ficou hospedado na casa de minha tia Maria de Nazaré. Juntamente com sua prima Tânia conheceu a capital do estado do Acre e certamente ficou vislumbrado com os avanços da capital. Também chegou a visitar seu padrinho, o senhor Público Conceição, nesta época bem mais idoso, mas já era um dentista bem conceituado na cidade de Rio Branco; este convidou meu pai para morar e estudar em Rio Branco; uma oferta e tanto; porém, como estivesse com saudades de sua família, meu pai não aceitou a proposta e retornou para Boca do Acre.

 

Sua vida de estudante.

Meu pai começou a estudar em Boca do Acre no ano de 1960, na primeira série, na Escola Estadual Jacinto Ale, cuja diretora era Irene Augusta de Sena. Meu pai se impressionava com a rigidez e a personalidade da diretora que botava medo em qualquer aluno. (Mal sabia ele que teria que enfrentar a “fera” ao vivo e à cores para conseguir namorar e casar com Antônia).

Ao mesmo tempo, os professores da época eram estimulados pela didática da palmatória; todos os alunos deveriam aprender a tabuada. Uma de suas professoras muito o estimava e o ajudou em seus estudos: era a senhora Iraíde.

Ano após ano, meu pai foi se destacando entre seus colegas e mesmo tendo começado tarde os seus estudos, mostrou ser um excelente e dedicado aluno, ao ponto de raramente ser punido com a palmatória, tendo em vista que ele aprendeu rapidamente a tabuada. Logo se tornou exímio calculista e ajudava os seus colegas a resolver alguns problemas de matemática.

Nas atividades ginasiais, no Colégio Danilo Correa foi desenvolvendo com cautela suas habilidades na Matemática, Língua Portuguesa, História, Geografia, entre outros. Teve grandes mestres que o ajudaram em seus estudos: o senhor Álvaro (diretor da Unidade) e o senhor Lopes (diretor do Danilo Corrêa).

Nos estudos de segundo grau, meu pai formou-se em Contabilidade e isto o fez crescer em prestígio e conceito entre os seus colegas de escola e de trabalho. Como forma de aperfeiçoamento, meu pai se dedicou à Ciência Datilográfica. Fez um curso de Datilografia e obteve exímios resultados, se destacando entre um dos melhores datilografistas da cidade e do BEA.

Pensando sempre nos filhos e na esposa, meu pai ainda comprou muitos livros. Lembro-me de uma caixa grande de livros que ele comprou de uma só vez, onde muitas enciclopédias, romances, livros de literatura estrangeira, livros clássicos, livros policiais, dicionários entre outros completavam a coleção. Passo a passo, meu pai ia adquirindo sabedoria e conhecimento e influenciava seus filhos, juntamente com sua amada esposa, guerreira na educação, a praticarem a leitura.

Ainda me lembro de uma ficha de inscrição no Vestibular de Matemática da UFAC, onde figurava a imagem de meu pai. Pelas necessidades e pelo emprego meu pai abdicou deste sonho de se tornar matemático por formação; mas disto não precisou, já era um verdadeiro matemático e contabilista por função.

 

A vida a dois (e mais alguns que chegaram depois).

Meu pai avançou em seus estudos, em seu trabalho e em seus sentimentos. Corria o ano de 1980 e meu pai trabalhava no Bazar das Novidades, uma loja de propriedade do senhor Dodó, que ficava situada na avenida XV de Novembro. Nesta loja trabalhavam meu pai, o senhor Francisco e o senhor Moreira e o senhor Francisco. Juntos em seu trabalho, aqueles homens compartilhavam suas emoções, suas intenções de crescerem na vida e de em futuro próximo constituir família. Ali também falavam sobre o hobby preferido de quase todos os brasileiros a partir de 1970; refiro-me às atividades futebolísticas. Todos os três eram bons jogadores de futebol e faziam questionamentos sobre os jogos da rodada do campeonato bocacrense, das peladas de final-de-semana, das amizades; também era ocasião para falar de estudos.

Nesta época acredito que meu pai já havia terminado o ensino ginasial (sexta a nona série) e tinha enormes perspectivas de continuar firme em seus estudos; isto vinha lhe dando grandes vantagens e oportunidades de ascensão no campo profissional e nas relações sociais; meu pai na época se dava muito bem com os números e esboçava um sonho de cursar a faculdade de Matemática na Universidade Federal do Acre (que como já fora visto não se concretizou. Por amor à família e pela providência divina, outra prioridade ocupou seu coração). Enquanto os sonhos de ascensão social, econômica e acadêmica floreavam sua mente, meu pai observava uma moça que trabalhava como babá aos 14 anos na casa do senhor Tevica e da senhora Irene. Sua beleza estonteante mexia com o brio e com os sentimentos de meu pai; certamente ele falou sobre tal moça com alguns de seus colegas; muitas vezes apenas se imaginava tendo a oportunidade de conversar a sós com ela. O seu nome era Antônia Alves Camurça. Ela morava na Praia do Gado, proveniente de uma grande e respeitada família no bairro – a do senhor Benigno Pinto Camurça e Maria Alves Camurça.

Minha mãe cuidava com destreza de Adriano, o filho de dona Irene durante as manhãs e às tardes estudava. Ela também observava aquele jovem um pouco recatado e introspectivo; talvez chegou a pensar em conversar com o mesmo.

Certo dia, ambos tiveram a oportunidade de conversar e assim começou uma bela amizade que em pouco tempo se transformaria em namoro. Os encontros davam-se com maior freqüência durante os finais-de-semana. Um passeio no parque, outro na praça; visitas à populosa casa do senhor Benigno Pinto Camurça.

O tempo foi passando e meu pai cada dia mais se apegava àquela bela senhorita; ela também tinha uma grande afinidade por ele. Enfim, por volta do segundo semestre do ano de 1980, eles se casaram.

Como a casa de meu avô possuía um amplo quintal, meu pai começou a se empenhar em construir sua própria casa, na porção posterior do terreno de meu avô. Assim que casou ele ficou desempregado e por empenhar-se tão bem nas atividades maritais, minha mãe seguiu a rotina natural das mulheres casadas: engravidou.

A situação financeira não era das melhores, mas uma grande decisão de assumir uma mulher e uma vida à dois não poderia ser interrompida por pequenas dificuldades e obstáculos intercalados ao longo do caminho vivencial.

Estudando e trabalhando arduamente meu pai foi se desenvolvendo. Com a ajuda de meu avô Sinval Silva Furtado, o qual pediu a ajuda do prefeito Valdir Avila, o Senhor Francisco Alves Furtado conseguiu emprego na Prefeitura Municipal de Boca do Acre.

Um pouco depois, ele estudou intensamente para um concurso do Banco do Estado do Amazonas (BEA) e se saiu bem: foi aprovado. A aprovação da concepção e da gestação de minha mãe veio a termo; no dia 15 de julho de 1981, aos 16 anos de idade a Dona Antônia (como é chamada pelo meu irmão Fábio) assumiu a doce função da maternidade; nesta ocasião o senhor Francisco Furtado se tornou meu pai.

Nestes meus primeiros dias de vida, ainda moramos na casa de meu avós paternos; mas, como é natural da mulher (já percebi isto em minha esposa) minha mãe não via a hora de realizar o sonho de ter sua casa própria.

 

Com muito empenho e colaboração dos familiares, em um período estipulado em um a dois anos, o senhor Furtado conseguiu construir sua primeira casa. Tratava-se de uma casa bonita, com dois quartos, uma sala e uma bela varanda. A casa ficava voltada para a rua Tamoatá e era muita bem alinhada e aprumada.

Depois, meus pais resolveram aumentar a casa e fizeram uma cozinha razoável.

Pouco tempo depois, mediante a influência da senhora Maria de Nazaré e o vislumbre de melhores perspectivas financeiras e estudantis para seus filhos, o senhor Sinval Silva Furtado optou em ir morar em Rio Branco. Foi na frente, conseguiu provisões e já em 1984 embarcou com toda a família para lá; ficando apenas os filhos Maria das Graças (a qual ficara na casa de meu próprio avô) e meu pai (que morava nos fundos).

Quando corria o ano de 1984, por volta dos primeiros meses de novembro minha mãe estava novamente entrando em trabalho de parto.

Acompanhada de meu pai foi até a Unidade Mista Hospitalar de Boca do Acre, enquanto eu fiquei aos três anos de idade na casa de meus avós maternos. Logo veio a notícia de que nascera meu irmãozinho Fábio. Mais um filho na família e meu pai ficou muito animado com isto. Nesta ocasião já estava bem adaptado em seu trabalho no BEA. Como era muito inteligente e ágil para calcular, já com o curso de Contabilidade concluído, meu pai passou a ser muito requisitado pelos gerentes locais e todos os seus companheiros o tinham na mais alta estima, pela forte Inteligência numérica do senhor Furtado.

Meu pai gastava cautelosamente, em conjunto com minha mãe (que nesta ocasião já trabalhava na educação) suas reservas financeiras; sempre tinham com que nos alimentar, presentear, e trazer o máximo de conforto possível para seu legado pessoal.

Tínhamos uma televisão preto-e-branco, mas logo o meu pai comprou um televisor colorido da Philips e isto nos empolgou cada vez mais a sermos telespectadores quase que de carteirinha assinada.

No ano de 1987, uma triste notícia chocou e abalou toda a família Furtado. Morria em Rio Branco, o genitor de meu pai, vítima de acidente de trânsito, em uma caçamba que tombou, derramando algumas sacas de cimento contra o peito de meu avô. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte.

Minha mãe relata que o senhor Furtado foi muito abalado para Rio Branco, mas diante de todos estes problemas, não esmoreceu nem ele, nem seus irmãos, nem minha avó Isa. A perda do provedor do lar não os fez aquiescer para as necessidades básicas do cotidiano; minhas tias passaram a batalhar cada vez mais e meu pai a cada dia crescia mais em sua profissão.

Do meu avô lembro-me a alegria constante, inabalável pelas tristezas da vida; a música contagiante e a disposição incansável para trabalhar; grande homem, grande pai, grande marido. Deixou saudades e não foi esquecido.

Após a tristeza uma grande alegria. No ano de 1988, em 6 de outubro, vem ao mundo através de parto cesariano a criança Ana Flávia Camurça Furtado, do sexo feminino. Na época havia uma certa apreensão, pois minha mãe já tinha o histórico de uma irmã, que findou tendo 7 filhos do sexo masculino, naturalmente. Eu já tinha 7 anos na ocasião e fiquei torcendo para que fosse uma menina. Meu pai acompanhou minha mãe até o Hospital Local e nós ficamos aguardando notícias. Em pouco tempo ficamos sabendo da notícia: minha mãe havia dado a luz a uma bela moça; como queria muito ter uma menina fez um voto a Deus que se fosse menina chamar-se-ia Ana. Extasiado, ainda em nossa casa na rua Tamoatá, saí por toda a vizinhança anunciando a boa-notícia do nascimento de minha irmã.  Pronto, o legado Francisco Furtado / Antônia Camurça (por meios naturais) estava concretizado. Fares, Fábio e Ana Flávia – eis os três filhos de Francisco e de Antônia.

 

BEA E PANIFICADORA ANA FLÁVIA

Corria o ano de 1995 e todos estávamos bem acostumados à situação diária de nossa casa situada à Avenida Getúlio Vargas, número 2117, centro de Boca do Acre. Para mim era muito honroso saber que meu pai era um bancário bem conceituado e que em cerca de 15 anos de profissão já ocupava o posto de sub-gerente, nesta ocasião ao lado do gerente, Sr. Wallace. O que poderíamos chamar de família BEA era exatamente a idéia construída ao longo de anos dos laços trabalhistas exercidos entre os colegas de profissão do banco estadual do Amazonas. Sempre havia cumplicidade entre os colegas que foram tantos: meu pai relembra os senhores Canafiste, o senhor Valmir, o senhor José Moreira, o senhor Manoel Brana, a senhora Jardelina, a senhora Onorina, os gerentes que por lá passaram: Carlos, Valmir, Walace, o senhor Júnior, o senhor Carlinhos, o senhor Jansen, a senhora Luzia, o senhor Billy (Roll), o senhor Mozart (policial); a dona Rai (conservadoria), o senhor Edinelson (já falecido); a senhora Vanda (hoje residente em Manaus); o senhor Bigode, o senhor Alexandre, o senhor Andrade, e tantos outros que por lá passaram. Havia almoços coletivos nas casas destes colegas; houve até a aquisição de uma propriedade no Bairro Praia do Gado, para sediar a CABEA em Boca do Acre. Lá foi construído um chapéu de palha e muitas vezes houve confraternizações naquele local. Isto sem contar com os jantares de natal realizados na agência. A agência do BEA sempre funcionou em edifícios alugados, tendo como locadora a senhora Eloniza. A primeira instalação do BEA ocorreu na Avenida XV de Novembro. E eu ainda lembro-me de algumas festas realizadas naquele local. Em seguida, a agência mudou-se para outro prédio alugado, também por parte da senhora Eloniza, na travessa Rui Barbosa. Ali aconteceram muitos jantares, muitos almoços; posso dizer que naquela época havia de fato integração entre os funcionários daquele estabelecimento. Isto eu percebi como criança e meu pai como funcionário.

Sempre era bom ver meu pai voltar para casa quase que pontualmente às 13 horas para almoçar. Eram bons momentos, onde o esperávamos para almoçar quase que invariavelmente. Eu e meu irmão Fábio, por volta de 12:50 horas ficávamos plantados na varanda de nossa residência aguardando o surgimento de meu pai no cruzamento da travessa Rui Barbosa com a Avenida Getúlio Vargas. Quando ele surgia já distante, isto ecoava com gritos de alegria do tipo: “Mamãe! Lá vem o papai!”. Durante o seu intervalo para o almoço meu pai geralmente assistia alguns desenhos animados no SBT (lembro principalmente do Pica-Pau).

No final do ano de 1995, quando meu pai estava no auge de sua carreira bancária, aconteceu um pequeno imprevisto. Nesta época, o plano Real estava nos seus primeiros anos dourados e assim havia um estímulo crescente para empréstimos em capital de giro; porém, as agências bancárias ainda adotavam o sistema de contenção de gastos, oriundo diretamente do período inflacionário. Como houve muitos empréstimos na agência local do BEA, isto soou perigoso para a agência central e proporcionou ambiente para amplas auditorias. Em uma destas auditorias, meu pai e o senhor Wallace foram demitidos sem justa causa. Corria o ano de 1996, início de fevereiro.

Não me recordo muito bem deste dia; somente me lembro da minha tia Raimunda (a dona Rai) chegando aos prantos na residência de meu pai, falando de sua demissão. Minha mãe também levou um susto, mas entregou tal notícia nas mãos de Deus. Ainda me recordo da chegada de meu pai em casa, abatido e sem palavras. Aquilo me deixou muito triste, pois sabia o quanto representava o BEA para meu pai. Talvez ele pensasse em se aposentar trabalhando para o referido Banco, mas os propósitos de Deus eram outros.

Meu pai foi indenizado logo em seguida. Ganhou o equivalente a 33.000 reais. E como não podia ficar totalmente parado ele pôs-se a pensar juntamente com minha mãe em o que fazer com o dinheiro da indenização. Por outro lado, este que vos escreve já havia terminado a oitava série do ensino fundamental (conclusão do que se chama ginásio) e já havia sido cogitada a hipótese de que eu fosse estudar em Rio Branco. Meu pai não esmoreceu neste quesito e mesmo com muitas dificuldades me enviou para fazer um teste seletivo para estudar em um dos melhores colégios particulares: O Centro Educacional e Cultural Meta. Fiz o teste seletivo com a ajuda de minha tia Maísa e fui aprovado. Em fevereiro de 1996, fui para Rio Branco com meu pai, que não desistiu do sonho de dar um bom estudo ao seu filho, mesmo sem “emprego”, dentro de uma Toyota; a BR 317 encontrava-se em situação precária, mas mesmo assim conseguimos chegar a contento em Rio Branco.

Fui morar com minha avó e meu pai me ajudou nos primeiros dias de estudo; comprando os materiais; ele não me explicou sobre nossas finanças; a única coisa que eu poderia fazer como filho era dedicar-me com muito afinco àquela oportunidade que Deus estava me dando, por intermédio de meus familiares.

Enquanto isto meu pai voltou para Boca do Acre, já decidido a montar uma Panificadora; as dificuldades eram imensas; primeiramente, pelo fato de que em uma cidade pequena, a “ciumeira” decorrente desta atitude levaria a conflitos com os “panificadores” já existentes; meu pai superou isto com muita modéstia e tranqüilidade. Investiu o pouco dinheiro que ganhou nos altos de sua própria residência; para que houvesse altos, primeiramente ele teve que levantar sua casa, com a ajuda de meu tio, o senhor Antônio “Canarana” e do senhor “Roberval”; após muitos esforços, a casa foi levantada e uma estrutura de alvenaria foi construída em baixo; para a parte de mão-de-obra da panificação, meu pai contou com a ajuda do Carlos “Negata”, que foi o primeiro padeiro da Panificadora e também com o auxílio de outros funcionários: o senhor José Camurça, que iniciou o trabalho cilindrando e dividindo massa; contou ainda com a ajuda do Raimundo e do Roni, bem como do Hélio Almeida.

No dia 19 de junho de 1996, era inaugurada a Panificadora “Ana Flávia”, uma homenagem à minha irmã, que muitos acreditavam ser o nome de minha mãe. Muitas variedades e opções em pães, bolos e produtos de confeitaria foram disponibilizadas aos consumidores bocacrenses; pão tartaruga; pão “Bradock”; pão “francês”; pão “carioquinha” (que foi uma febre na época); sonhos (os quais inicialmente foram muito vendidos); sem contar com a venda de muitos produtos da Pepsi Cola (uma parceria firmada entre meu pai e seu amigo e ex-vizinho, Nonato “Papagaio”).

Os negócios começaram muito bem e em pouco tempo a Panificadora Ana Flávia passou a ser a líder de vendas em Boca do Acre. Com a ajuda de Deus e da sabedoria financeira e cautela de meus pais esta Panificadora ajudou-me em minha formação médica, na formação administrativa de meu irmão; ajudou muitas pessoas a conseguirem empregos; possibilitou melhorias financeiras na vida de nossa família. E até hoje a Panificadora Ana Flávia continua sendo uma bênção que Deus tem utilizado para prover o pão de cada dia à família Furtado. “Deus sabe o que faz”. “Deus dá! Deus tira”; “Deus tira! Deus dá”. Tirou-lhe o emprego do BEA, deu-lhe a PANIFICADORA; de empregado a patrão.

Sua Conversão

Na cidade de Boca do Acre, os primeiros contatos de meu pai com a religião se deu por conta do ministério de missionários europeus em nosso município. Quando o templo da Primeira Igreja Evangélica Batista de Boca do Acre estava sendo erigido, meu pai era um dos trabalhadores. Sua função era de servente de pedreiro. Naquele local, certamente ouviu falar de Jesus Cristo de uma maneira diferente como estava acostumado a ouvir. Porém, como era de tradição católica estava acostumado e bastante envolvido com as atividades; durante sua juventude foi atuante nas atividades dos jovens da Igreja Católica, em um cargo de liderança entre estas pessoas; aprendeu sobre o batismo, sobre as vantagens diante de Deus, mas isto não preencheu seu coração.

Meu pai viu sua mulher e seus filhos se converterem de seus pecados na “igrejinha” que ele ajudou a construir. Porém, como não regenerado vivia a esperança apenas desta vida; uma de suas dificuldades foi o consumo de bebidas alcoólicas; influenciado pelos colegas de profissão, meu pai bebia socialmente; aos finais-de-semana; gostava de praticar esportes, e como bom jogador de futebol que é, sempre esteve envolvido em torneios, peladas e disputas esportivas. Sempre tínhamos o prazer de viajar para Rio Branco e antes de sua conversão meu pai foi para Manaus duas vezes. Mas não encontrava satisfação em seu coração.

A Palavra de Deus foi começando a ser plantada em seu coração por meio dos cultos que vez por outra ele assistia e dos acampamentos, dos quais ele sempre era participante com assiduidade.

Após muitas orações de nossa família e muitas pregações, leituras bíblicas, certamente meu pai tinha a hombridade suficiente para tomar uma decisão somente por real convicção. Se fosse para ser crente, deveria ser um de verdade. O mau testemunho de muitos era uma dificuldade que entristecia a muitos crentes e afastava muitos da real conversão.

Mas Deus, em sua graça, quebrantou o coração de meu pai, no ano de 1997. Através de uma reunião de senhores, meu pai expôs que estava se arrependendo e entregando sua vida a Jesus Cristo. Foi grande a alegria em nossa família e nos céus também. Um pecador se arrependia e passava a trabalhar na causa do grande Deus. Hoje meu pai é diácono na igreja onde se converteu e leciona na Escola Bíblica Dominical. Já foi político e exerceu a vereança por alguns meses, mas sabe que o melhor e mais valioso cargo que já pôde receber e continua exercendo até hoje é o de embaixador de Cristo.

Agradeço a Deus pela vida de meu pai; agradeço a meu pai pelos ensinos e pelas lições que me passou, muitas vezes sem dizer uma palavra; agradeço a ele os sacrifícios em nome da causa do senhor e em nome de sua família; Deus haverá de recompensar ao meu pai por tudo o que ele tem feito.

 

Quanto eu o admiro, meu pai

Por sua disciplina e dedicação

Por sua sinceridade no trato

Por seu amor ao cidadão

 

Humano, que o outro sabe tratar

Corria em busca de melhorar

Queria ser feliz

Mas a felicidade, nada de chegar

 

Buscou no casamento,

Que tanta alegria lhe dá

Tentou achar nos filhos

O que aqui não pode se achar

 

Os cintilantes desejos

De prosperidade e ascensão

Não puderam completar

O seu jovem coração

 

Procurava a felicidade fora

Mas foi dentro que a encontrou

Quando Cristo em seu coração

Toda a tristeza dissipou.

 

Aquele dia foi comemorado

Por todos nós, parentes seus

A oração foi respondida

A salvação veio de Deus

 

Meu pai, agora salvo

Punha-se a servir nosso Senhor,

O homem que queria ser servido

Agora de Deus é servidor

 

O amor de Cristo lhe encheu o coração

E a generosidade verdadeira de um irmão

Foi demonstrada não só em palavras

Mas em atos de doação.

 

Meu pai é pra mim modelo

É um exemplo de cristão

De poucas palavras na boca

De muito amor no coração

 

Sei que muitas tempestades

Vieram a lhe entristecer

Mas a salvação eterna

O faz reconhecer

Que em Cristo há segurança

Não iremos perecer

 

Trabalha arduamente

Levanta cedo e com vigor labuta

O Deus Todo-Poderoso

O refugia em sua gruta

 

Não são todas as pessoas

Que se alegram com a paternidade

Muitos combalidos afirmam:

Que o amor de pai é falsidade

 

Sei que em alguns casos

Os pais somem e abandonam

Mas no Deus que é bondoso

Crendo, terão um Pai amoroso

 

Sou grato a meu Deus

Porque me mostrou em campo terrenal

Um modelo de pai na terra

Que lembra o celestial

 

Obrigado, meu pai querido

Pelo que és pra mim em Jesus

Continuemos trilhando juntos

Pelo caminho da Cruz!

 

 

[i] Adaptado de meu livreto não-publicado intitulado “Furtado: 50 anos”.

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