Resenha 37: O grande tecelão (Ravi Zacharias)

 

ZACHARIAS, Ravi. O grande tecelão: como Deus nos molda por meio dos acontecimentos da vida. Tradução do original: “The Grand Weaver: how God shapes us through the events o four lives. ©2007 (by: Zondervan). Tradução: Sueli Saraiva. São Paulo: Shedd Publicações, 2009, 192 pp.

 

Categoria: Vida Cristã.

Data da resenha: 04/02/2012

 

Ravi Zacharias, nascido na Índia em 1946, é conhecido apologeta cristão hoje nos Estados Unidos, com um ministério internacional que leva o seu próprio nome. O livro que deu projeção ao seu ministério foi “Pode o homem viver sem Deus?”. Proveniente da Índia é profundo conhecedor das religiões orientais, sendo um orador requisitado praticamente em todo o mundo.

 

Na presente obra, eminentemente dirigida a cristãos, apesar de ser uma literatura também apropriada para não cristãos, o autor defende a tese de que todos os eventos, detalhes e momentos de nossa existência na verdade tratam-se de fios de uma grande tapeçaria que aos olhos humanos parecem estar soltos e desconexos, mas aos olhos do grande tapeceiro, Deus, estão sendo tecidos no tear de nossa existência com o propósito de formar uma primorosa peça de tapeçaria, bem planejada, bem desenhada, com o fim de glorificá-lo. Em termos práticos, o autor mostra em vários aspectos de nossa vida como a providência divina nos modela, mesmo quando é difícil perceber tal verdade.

 

São 8 capítulos, cada um apresentando um fio de nossa existência, que demonstram a importância de todos os nossos fios: DNA, decepções, vocação, moralidade, espiritualidade, vontade, adoração e destino. Em cada capítulo, Ravi Zacharias revela-se um mestre no uso de ilustrações, muitas delas do contexto oriental, conseguindo com poucas palavras transmitir uma mensagem profunda: Deus está nos tecendo em tudo o que fazemos.

 

Particularmente, creio que os três primeiros capítulos em conjunto com o oitavo são excelentes. Os quatro capítulos acima mencionados apresentam lógica ordenada no raciocínio, uso de ilustrações e citações de obras de referência, demonstração prática de como o tema do capítulo se concatena com o eixo que rege o livro: o tear de Deus. Os capítulos intermediários (quatro a sete) são muito bons, mas parecem não conseguir transmitir a ideia de como na prática o tema proposto pelos capítulos tem relação com a união dos fios no tear divino. Esperava mais destes capítulos, que findaram ofuscando levemente o propósito do livro. Entretanto, não conseguiu tirar o brilhantismo do autor na transmissão de sua mensagem, mesmo que ele tenha se perdido no meio do caminho.

Ao final, o livro apresenta um apêndice com 25 questões fundamentais sobre ética, apologética, propósito e destino. É um resumo do livro disposto em forma de perguntas. Muito bem trabalhado, com respostas simples e esclarecedoras.

 

Gostaria de destacar alguns aspectos interessantes e aleatórios que pude observar nesta obra:

– a interessante forma de ver o dilema de João Batista. Encarcerado, João duvida de Jesus, não necessariamente pela falta de evidências exteriores, mas porque o Messias estava permitindo que ele “apodrecesse naquela prisão” (p. 10). Ainda não tinha observado por esta ótica.

– a citação de São João da Cruz que se refere às decepções e aos períodos de depressão como “noite escura da alma”. Isto já havia lido numa obra de Richard J. Foster: “Oração: o refúgio da Alma”.

– uma história impressionante (pp. 27-28). Demonstra como as coisas mínimas de nossa vida, como por exemplo, a remanufatura de um salva-vidas, são importantíssimas.

– a grande sacada de perceber que “sem a redenção a moralidade é vazia”. As nações pagãs tinham moralidade sem redenção, a cultura judaico-cristã tinha moralidade por causa da redenção.

– a citação de C.S. Lewis como alguém com brilhante percepção e digno de ser lido (p. 161), no que se antepõe a Craig, o qual não tolera o “fanatismo” por Lewis entre os cristãos.

– Citação da República de Platão (o anel de Giges e o mito da caverna), que coincidentemente é a próxima obra a ser lida por este resenhista.

– a especulação, diante de um problema de saúde de sua esposa que ficou entre a vida e a morte, se de fato existe experiência extracorpórea (p. 153).

– a afirmação de que faz apelos convidando as pessoas a aceitarem a Jesus Cristo (p. 148), o que é natural aos apologetas, mas criticado por uma fatia bem extensa entre os calvinistas.

– a indicação de outra obra sua (o que é naturalíssimo entre os escritores) em parceria com Norman Geisler intitulada Who Made God (p. 173)

– um erro crasso de anatomia humana (p. 177), isto se ele estiver se referindo à aorta como nervo. Porém o que parece ser verdade é que Ravi Zacharias pretende falar do nervo depressor aórtico, ou nervo de Cyon, um pequeno nervo, porém de importância elevada, considerando-se que sua estimulação é responsável pela diminuição da pressão arterial aórtica. Para mais detalhes confira: http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/9-4/nervo.pdf.

 

Termino a resenha fazendo um paralelo desta obra com um dos trechos da bela canção “Tapeceiro” de Stênio Március: Minha vida é obra de tapeçaria / é tecida de cores alegres e vivas / que fazem contraste no meio das cores / nubladas e tristes / Se você olha do avesso / nem imagina o desfecho / no fim das contas / (…) / tudo coopera pro meu bem.

 

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