A.O.A. (11) – O seminarista e a falta de foco (Tiago Sousa)

Tiago Sousa

Tiago Sousa

Sobre o autor: Tiago Sousa é cristão, casado, leitor viciado e membro da Primeira Igreja Batista Regular de Maracanaú. Bacharelando em Teologia pelo SIBIMA (Seminário e Instituto Bíblico Maranata), possui interesse nas áreas de línguas bíblicas originais, teologia bíblica, escatologia e linguística.

 

 

O SEMINARISTA E A FALTA DE FOCO.

Seminaristas geralmente entram em contato com uma diversidade de assuntos dentro do seminário. Uns mais interessantes, outros menos. Isso dependerá do grau de afinidade do sujeito com seu objeto de estudo. Porém, um mal pode surgir desse fenômeno: a falta de foco. É inevitável o fato do seminarista ter que estudar, ao mesmo tempo, diversos assuntos e, em certo sentido, estar preparado para discorrer sobre eles — seja oralmente ou por escrita. Nessa prática, o estudante pode criar o hábito da falta de foco: ele é surpreendido por cada novo assunto no qual entra em contato, busca de forma ávida por material sobre o assunto, lê duas coisinhas e logo perde a motivação, pois já entrou em contato com outro assunto que já o motiva à uma “nova aventura” sem ponto de chegada.

Nesse hábito vicioso, o seminarista não domina de forma regular (o mínimo exigível!) os assuntos propostos pela academia — antes, os conhece de forma muito superficial — e nem encontra um ou dois assuntos onde possa focar para uma possível especialização e aprofundamento. Ele parece mais um cachorro doido atrás de carros numa grande rodovia: corre atrás do primeiro que passa para logo abandonar sua “presa” ao sinal do próximo veículo no sentido contrário. Assim, sua busca pelo conhecimento torna-se um eterno acúmulo de assuntos inacabados (livros, artigos, pdfs, vídeo-aulas, etc), com a tola esperança de acreditar que quanto mais assuntos um indivíduo entra em contato, mais ele acumula real conhecimento sobre os mesmos — como se “saber que existe” fosse equivalente a “saber que sabe de fato”.

Bem, então como saber se estou nesse caminho ou não? Simples: quando foi a última vez que você se aprofundou realmente em um assunto e pode discorrer por horas sobre ele? Outra pergunta que pode ajudar: você possui uma opinião com uma boa base teórica sobre todos os assuntos nos quais entra em contato no seminário a ponto de explicá-los para leigos, debater com entendedores e comunicar-se com especialistas? Se usa resposta para essas perguntas foram “faz tempo” e um “não” ou um “talvez” bem tímido, respectivamente, há grandes possibilidades de você não estar retendo nada em conhecimento de forma eficiente, mas apenas estar superficialmente informado sobre o que está se passando ao seu redor.

Algumas dicas são necessárias para evitar essa falta de foco que leva ao limbo da superficialidade. Primeiro, foque em cada assunto proposto na estrutura semestral de cadeiras do seminário. Leia os livros propostos (obrigatórios), leia os livros complementares (se possível, porém, creio que aqui é onde está o segredo) e converse com outros teólogos mais experientes sobre esse assunto (importantíssimo!). Segundo, evite todos e quaisquer assuntos que não estejam relacionados com os assuntos em foco do semestre. Mesmo que seja “o assunto do momento”. Não caia nessa armadilha! Evite debates em redes sociais, pois é aqui onde seu foco muitas vezes é perdido para ser gasto em trivialidades como debates de facebook. Terceiro, crie uma forma de sintetizar esse assunto de um jeito em que você possa repassá-lo para alguém que não entenda e, ao mesmo tempo, posso dialogar com que entende melhor do que você. Teólogos precisa conversar sobre o que estão estudando para uma melhor apreensão de conteúdo. Quarto, conheça todas ou pelo menos as principais vertentes dentro daquele assunto. Não seja um teólogo que só sabe falar sobre sua posição e que não se comunica com as demais, nem que seja para refutá-las. Assuma uma posição porque estudou sobre todas e se decidiu por aquela, e não porque alguém te disse que você deveria acreditar nessa e ponto. Seja humilde também para reconhecer que não conseguiu ainda se posicionar.

Por fim, depois dos quatro passos supracitados — repito: apenas depois! –, você pode focar em um ou dois assuntos para se aprofundar melhor a fim de construir uma possível especialização ou já antecipar possíveis ideias de monografia. Como escolher esses assuntos? Simples: eles serão aqueles que você sempre estará voltando a ter contato, de forma consciente ou não. Eu, particularmente, tenho três: línguas bíblicas originais, escatologia e linguística. Sempre me pego lendo algo sobre um desses três assuntos junto com os assuntos de outras cadeiras no seminário. O objetivo é ter abrangência focal regular em todas as matérias propostas pela academia e, ao mesmo tempo, um profundidade focal em assuntos específicos para se especializar. Só assim um sujeito pode dizer que realmente sabe do que fala, seja de forma regular ou aprofundada. É isso.

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