Resenha 40: O Culto segundo Deus (Augustus Nicodemus)

Resenha 40

O Culto Segundo Deus: A mensagem de Malaquias para a Igreja de hoje.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes

Edições Vida Nova: São Paulo: 2012, 160 pp.

Resenhista: Fares Camurça Furtado

Leitura realizada nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2013.

 

Augustus Nicodemus encanta pela perfeita harmonia entre simplicidade e profundidade de seus escritos. Mesmo ocupando a chancelaria da Universidade Mackenzie, Augustus continua pregando Brasil e mundo afora. O livro “O Culto Segundo Deus” é o resultado da organização de materiais de suas pregações. Não se trata de um comentário exegético, mas de exposição pura e simples do livro de Malaquias.

Sua tese é que os princípios do culto ensinados em Malaquias são aplicados ao povo de Deus em todas as épocas. Como teólogo aliancista fica mais fácil ver um nexo entre a antiga e a atual dispensação, tendo em vista que sua perspectiva crê que “Israel era a Igreja do Antigo Testamento (p. 21).

A partir desta base, Nicodemus escreve 8 capítulos que apresentam os princípios de como se deve cultuar a Deus. Como parâmetro para a divisão do livro, ele utilizou a estrutura de Malaquias, dividida a partir de uma sentença de Deus contra a nação de Israel, um questionamento do povo e a resposta de Deus.

É uma leitura devocional e muito elucidativa para o contexto das igrejas da atualidade. Alguns detalhes são passíveis de registro: 1). os dízimos e ofertas são considerados sombras que foram totalmente cumpridos em Cristo; porém no Novo Testamento, o dízimo é um referencial e não uma norma (p. 121); 2). A eleição de Jacó e a preterição de Esaú parecem estar mais restritas a povos eleitos (Israel) e povos preteridos (tipificados pelos edomitas) do que a indivíduos. Ainda assim, Augustus abre margem para a eleição individual ao afirmar que “Esaú é um símbolo daqueles que estão fora da aliança” (p. 55). Se ele simboliza alguém que está fora da aliança, logo se sugere que ele também está fora. 3). Um detalhe que aprendi ao ler este livro é que o governador de Jerusalém na época de Malaquias era um representante do império persa (p. 42). 4). A Nova Aliança não anula a Antiga Aliança (p. 111). Eis aqui uma das grandes dificuldades que pesa sobre a teologia aliancista, no afã de sistematizar uma continuidade Israel-Igreja para finalidades eclesiológico-escatológicas, tendo em vista que a epístola de Hebreus deixa claro a ruptura entre as duas alianças.

 

Ao final de cada capítulo são oferecidas aplicações que nos fazem observar o quão desvalorizado e mal interpretado é o culto em nossa nação, principalmente entre os neopentecostais. Leitura endossada por Franklin Ferreira, Leandro Antônio de Lima e Renato Vargens, certamente, não deixaria de sê-lo por mim, lembrando o enfoque aliancista da obra e o cuidado que o leitor deve tomar para não desmerecer o livro por não fornecer um comentário exegético abrangente. Lembre-se que esta não é a finalidade da obra. Mesmo não sendo estudioso do Antigo Testamento, Augustus nos brinda com este volume expositivo com grande vigor, simplicidade, ausência de notas de rodapé e aplicabilidade para a igreja brasileira.

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