Trindade, o Espírito Santo, os dons e as relações inter-denominacionais.

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Abraham Kuyper bem afirmou que “o Espírito Santo não deixa pegadas na areia”; isto não quer dizer que sua atuação seja ineficaz e irrelevante. O trabalho e obra do Espírito Santo na criação, providência e redenção é algo tão extraordinário que deveríamos entendê-lo não meramente como um orientador, um guia ou uma força motivadora e subalterna. Não, o Espírito Santo é Deus e é adorado no seio da Trindade. Os exageros do neopentecostalismo (é lógico que existem as exceções) não podem nos inibir e nos inativar em nossa forma de pensar, entender e adorar o Deus Espírito Santo. Porém, devemos entender que o seu trabalho discreto aponta para o centro, o cume e o ápice da revelação: O Senhor Jesus Cristo.

Na encarnação, o Senhor Jesus submeteu-se ao agir e mover do Espírito Santo em seu ministério. Em Pentecostes, o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho para dar continuade às obras do Filho (que foram realizadas no poder do Espírito). Perceba que a conexão entre as pessoas da Trindade, mesmo com as ênfases devidas, apontam para uma harmonia muito mais plena que nossa visão possa alcançar.

O fechamento doutrinário deve ocorrer no que tange às doutrinas essenciais da fé cristã. Porém, entenda que o fogo da discussão de uma época exige uma análise profunda dos teólogos ortodoxos. O que temos hoje como documento fundante do movimento denominado fundamentalista, o “The Fundamentals” foi escrito no meio da discussão com os Teólogos Liberais que exigiu uma discussão atual (na época, início do século XX), dando ampla e referendada argumentação para replicar com veemência os perniciosos ensinos do Liberalismo Teológico. Sempre é assim. Porém, a profusão e o crescimento de denominações protestantes em nosso país requer de nós a devida acurácia para pensarmos na exclusividade do Cristianismo Autêntico e na possibilidade de ser comungado com irmãos de vários grupos denominacionais.

Numa época em que pentecostais cada vez mais se levantam como habilidosos estudiosos da Palavra de Deus e que Reformados Conservadores começam a interagir de maneira mais próxima com pentecostais (inclusive compartilhando púlpitos e pregando em conferências teológicas, vigílias e acampamentos) é preciso que tentemos pelo menos meditar nesse fenômeno. Num momento em que pregadores do naipe de Hernandes Dias Lopes e Augustus Nicodemus Lopes começam a se tornar os pregadores preferidos em conferências de igrejas pentecostais e que, em contrapartida, um número muito grande de pregadores e teólogos conservadores começam a ter uma abertura para os dons carismáticos (Carson, Piper, Moo, Storms), é necessário que compreendamos que estas conexões estabelecidas muitas vezes por meio das leituras de livros, da participação de instituições para-eclesiásticas interdenominacionais, de seminários interdenominacionais, de grandes conferências teológicas interdenominacionais, parece apontar para o vislumbre de uma era pós-denominacional (das transmissões de cultos ao vivo pela internet e da gama de pregadores, teólogos e youtubers comungando, os quais apresentando um multiculturalismo protestante e uma diversidade teologueira, conseguem comungar uma catolicidade protestante que nos faz enxergar a impossibilidade de limitar Cristo ao âmbito de nossas denominações sem, no entanto, perder os distintivos que nos caracterizam seja como batistas, presbiterianos, congregacionais ou pentecostais). Esta intercambialidade percebida mais fortemente no campo do debate cessacionista-continuísta vai se incorporando sutilmente à teologia de muitas igrejas (fruto disto que chamamos de Pós-Modernidade) e deve nos fazer repensar a forma como estamos argumentando e defendendo nossas doutrinas. Ora, para impactar nossa sociedade, precisamos tentar compreender os fenômenos que aí estão, as ideologias incutidas e a cosmovisão dominante para podermos aplicar a mensagem das Escrituras aos homens de igreja do século XXI. O nosso protestantismo não é mais o mesmo da década de 90, nem o dos primeiros anos do século XXI. As comunidades mais fechadas demoram a perceber isto, mas precisam compreender para não serem pegas de calças curtas com uma Babel teológico-eclesiástica debaixo dos seus narizes. Refinamento teológico à luz das novas conformações, uma argumentação mais sólida passando por Teologia Bíblica, Teologia Sistemática, Filosofia, Sociologia e Psicologia, uma leitura mais realista do nosso protestantismo e coragem para estudar, dialogar com teólogos de “dentro e de fora”, sem forçar um kuyperianismo cultural, porém não nos deixando virar inconscientemente amishs teológicos do século XXI deve ser visto como uma alternativa plausível!

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