O Cristão e os anticoncepcionais (I)

anticoncepcionais

 

Se a Raquel que disse a Jacó “dá-me filhos, senão morrerei” tivesse nascido no século XXI, ela diria: “quando eu estiver com 35, a gente tenta uma fertilização in vitro”.

Esta frase foi escrita num contexto de crítica à mentalidade anti-concepção que tem tomado de conta dos brasileiros. Não há nenhuma alusão às mulheres inférteis de nossa sociedade. Uma aplicação nítida desta passagem de Gênesis é que as mulheres pedem dos maridos aquilo que só Deus pode dar, mas certamente podemos afirmar que minha ironia no parágrafo inicial deste artigo tem como ponto básico a ideia de que a naturalidade de uma mentalidade pró-reprodutiva que foi inibida no século XX por meio dos contraceptivos.

O fato é que alguns casais não desejam mais ter filhos e outros tantos desejam postergar  a paternidade após pelo menos 5 anos de casamento.

A Bíblia nos afirma que “os filhos são herança do Senhor (…) Bem aventurado o homem que com eles enche sua aljava” (Salmos 127:3a, 6a).

Em geral, a mentalidade protestante vigente nega este versículo por meio do que afirmam sobre casais que têm muitos filhos. Um diálogo hipotético entre duas amigas que se reencontram após muitos anos pode representar isto:

– Nossa, como você está bonita. Já tem filhos?
– Sim. Tenho 7 e estou grávida do oitavo.
– Nossa! Não acredito. Está na hora de fazer uma laqueadura, heim!

(A última frase poderia ser dita da seguinte forma: “Maldito o homem que enche deles sua aljava”)

Creio que as mulheres inférteis (à semelhança de Raquel) vivem a mesma angústia e tristeza que ela viveu no antigo Oriente-Próximo. Estas literalmente dariam todos os bens e não mediriam esforços para conseguir ter o tão almejado filho. Minha crítica vai para as férteis que usam indiscriminadamente por anos a fio o uso de contraceptivos e muitas vezes saem da janela de fertilidade. Percebo a ambiguidade da primeira frase deste artigo, mas tento aqui estabelecer um debate sobre filosofia reprodutiva e mecanismos de controle estatal. Os casos de infertilidade certamente apontam que apesar desta tentativa de controle, o ser humano clama por filhos de maneira declarada. Eu me solidarizo com as mulheres que passam por problemas de fertilidade e procuro entender as motivações das férteis que não querem engravidar.

Mas tendo a ver nisto mais uma adequação ao espírito de nossa época (o ato de ver filhos como problemas) incutido em nossa sociedade por ideologias esquerdistas que almejam com isto diminuir a influência da família e aumentar o controle do Estado sobre o número de filhos, as inclinações sexuais, a publicação daquilo que deveria ser restrito ao privado e o extermínio gradual de nossa propriedade privada.

O que nós não podemos deixar de entender é que o controle estatal sobre os hábitos reprodutivos do casal nos fazem enxergar a benção da multiplicidade de filhos como uma maldição. Mas nenhuma explicação sócio-política ou econômica é capaz de diminuir a realidade essencial da beleza inerente a uma família farta de filhos.

É a partir desta relação antitética entre as mulheres do período bíblico e as mulheres cristãs do século XX e XXI, no que concerne à mentalidade reprodutiva, que devemos procurar estabelecer nossa compreensão primária desta adesão maciça à utilização de contraceptivos pelas mulheres do Ocidente.

 

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