A.O.A. (14) – Cidadão dos céus ou da terra? – Gabriel Alves

Sobre o articulista:
Gabriel Alves – um jovem estudioso das Escrituras e apaixonado por teologia; líder de jovens da Primeira Igreja Batista de Cascavel, onde também faz parte do corpo de pregação e ensino, preparando-se para o ministério pastoral.
gabriel alves
Sl 119.19 – Sou peregrino na terra; não esconda de mim os
teus mandamentos.

Uma das maiores dificuldades que enfrentamos como cristãos é encontrar um equilíbrio em nossa caminhada de fé, evitando assim certos extremos. Constantemente somos tentados a tomar atitudes e assumir determinadas posturas que nos levarão a agir ou pensar com extremismos, exemplo disso é a frequente tensão que há entre o fato de sermos peregrinos (Salmos 119.19; Felipenses 3.20) e a realidade de que estamos no mundo, tendo assim deveres para com a sociedade à nossa volta (Romanos 13.1-7).

Ao longo da história da igreja, muitos cristãos têm perdido o equilíbrio e caído em um desses extremos. Alguns adotam a identidade de peregrinos, entendem ser forasteiros e abandonam toda e qualquer responsabilidade para com a sociedade na qual estão inseridos, outros,  por sua vez, tiram os olhos do céu, focam nas coisas terrenas e vivem inteiramente como cidadãos mundanos. Precisamos ter em vista as implicações negativas de cair em qualquer desses dois pontos citados.

Quais os problemas de adotar uma visão radical e viver absolutamente como forasteiros e estrangeiros nesse mundo? As implicações são claras: fomos chamados para ser Sal da terra e Luz do mundo (Mateus 5.13-16), recebemos a missão de representarmos a Cristo, refletir a sua luz, testemunharmos dEle, para que por meio disso as pessoas pudessem dar glórias a Deus. Mas, como isso é possível se adotarmos uma postura radical e nos escondermos do mundo à nossa volta? Cair neste extremo é comprometer totalmente nossa missão de transformar o século (“a geração”) em que vivemos. Fugir, nos encondermos em cavernas não é a solução, não é o nosso chamado.

Entretanto, quais as implicações de focarmos apenas nas coisas terrenas e esquecermos de nossa Pátria Celeste? Talvez as consequências de cair neste segundo extremo sejam mais claras para nós. 1 João 2.15-17 nos diz que “se alguém amar o mundo e as coisas do mundo, o amor do Pai não está nele” e em 5.19 que “o mundo jaz no Maligno”. Tiago nos informa em sua carta que se alguém quer ser amigo do mundo, automaticamente se faz inimigo de Deus (4.4). Esses e outros textos Bíblicos deixam claro que é terrível erro ir ao extremos de focar apenas nas coisas terrenas, em detrimento de nossa identidade Celestial como peregrinos e forasteiros.

A solução para esse problema é encontrar um equilíbrio. Creio que o texto bíblico que melhor nos informa isto é 1 Pedro 2.11-17, pois nele nós temos as instruções que constituem um viver cristão exemplar tanto levando em consideração nossa identidade estrangeiros, quanto de cidadãos nesse mundo.

Como peregrinos, tenham duas atitudes: 1 – abstenham-se das paixẽs da carne (v.11)! Alguém que foi salvo por Cristo, e que agora é filho de Deus, que tem uma bendita esperança e aguarda uma herança gloriosa nos céus não mais vive de acordo com as paixões da carne, pelo contrário, as despreza. 2 – ponham em prática as boas obras (v.12)! Se por um lado nos despojamos de algo, abandonando uma prática antiga, por outro lado nós passamos a ter outras atitudes, uma nova postura, uma conduta repleta de boas obras, pois afinal de contas, fomos criados em Cristo para isto (Efésios 2.10). Essas são as duas atitudes que constituem um caráter de peregrino, de alguém que não pertence a este mundo.

Como cidadãos exemplares, tenham duas atitudes: 1 – obedeçam as autoridades (v.12,13)! Submeter-se às autoridades sempre foi um princípio do Cristianismo. Crendo que Deus quem insitui as autoridades, coloca reis e tira reis, o cristão é ordenanado a obedecer e respeitar os líderes nacionais, exceto, é claro, quando as autoridades nos forçam a ir contra Deus (Atos 5.29). 2 – sejam servos de Deus e do próximo (v.15)! Uma das nomeclaturas mais comuns dada aos cristãos no Novo Testamento é a de servo. Cristo nos tira da servidão dolorosa do pecado e nos traz para o prazeroso serviço á Ele, nos ensinando também como cidadãos a servir nosso próximo em sociedade.

Entender esses dois lados da vida cristã é essencial para levarmos uma vida que traga glória ao nosso Deus. Nada de extremos! “Nem 8, nem 80”. Que haja renúncia, que haja conduta de peregrino, mas que não seja desprezada a conduta de cidadão exemplar! Sendo assim, a oração do salmista torna-se muita preciosa para nós: “Sou peregrino na terra, não esconda de mim os teus mandamentos” (Salmos 119.19).
É a Palavra de Deus que nos levará a um viver digno enquanto aqui estivermos. Que Deus nos ajude!
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