Minha relação com as Redes sociais

MINHA RELAÇÃO COM AS REDES SOCIAIS

Transcrição de quando fui entrevistado pelo jornalista Abud Mamed. Entrevista realizada em 26/01/2019.[i]

 

abud mamed

Abud Mamed é consultor e jornalista. Reside em Rio Branco (AC) e tem se notalibilizado como exímio escritor. Suas postagens repercutem temáticas da Política, Economia, sociabilidade internacional, nacional e local, com destaque para aquelas que dizem respeito à nossa amada Boca do Acre altaneira!

 

MÉDICO, TEÓLOGO E AGORA BLOGUEIRO, BOCACRENSE FARES CAMURÇA RELATA COMO O MUNDO VIRTUAL PODE SER ÚTIL SE BEM USADO.

fares tema

Nesta semana tivemos a oportunidade de enviar algumas perguntas ao bocacrense, médico e teólogo Dr. Fares Camurça, residente hoje na região do Cariri cearense, no intuito de absorver um conteúdo que expressasse e tirasse algumas dúvidas no tocante ao bom uso das redes sociais. Sempre solícito em nos atender, obtivemos respostas interessantes, que com certeza servirão de exemplo para nos conectarmos de maneira sensata e equilibrada no mundo virtual.

 

De início Camurça nos relatou que sempre se mostrou relutante em usar a mídia, depois decidiu adentrar para rever velhos amigos, conversar com pessoas de diversas áreas do conhecimento e criar um blog no qual pudesse codificar a palavra de Deus. “Por muito tempo relutei em me comunicar por meio de mídias sociais. Na época da “febre” do Orkut, passei muito bem como não usuário desta mídia. Foi um período de “hard work”, de maneira que não me senti alheio ao mundo real por estar desconectado do mundo virtual. No entanto, com o advento do Facebook, eu sempre dava uma “espiadinha” pela conta de minha esposa. Aos poucos, percebi que esta ferramenta seria útil para retomar o contato com velhos amigos, expandir minha interface de contatos e ter a oportunidade de interagir com pessoas qualificadas em diversas áreas, no Brasil e no mundo. Assim, criei minha conta no Facebook, em 2014. As redes sociais criam um sistema de retroalimentação consumista, de modo similar aos aplicativos para celulares. Sempre você quer mais um! Assim, à medida que minha rede de amigos cresceu, resolvi criar um blog no final de 2016, visando compartilhar algumas reflexões de cunho acadêmico, e, em meados de 2017, criei uma conta no WhatsApp, com a finalidade de melhorar minha comunicação com familiares e amigos. Por fim, em 2018, ingressei no Instagram, com o propósito principal de compartilhar minhas leituras”, mencionou.

 

Com a formação de teólogo em mãos, no momento não está pastoreando nenhuma igreja, mas não foi por essa razão que decidiu criar o blog. “Enquanto pastoreei nem sequer cogitei criar um blog. Ao deixar o pastorado, gradualmente fui catalogando e fazendo resenhas de algumas obras que sempre desejara ler, mas que só naquela ocasião tive a oportunidade de fazê-lo. Com o tempo, percebi que tinha um bom apanhado de resenhas e reflexões. Além disso, tive mais tempo para me dedicar à escrita, tendo em vista que não tinha mais uma jornada exaustiva de preparo de sermões e estudos bíblicos (na verdade, sinto muita falta desta jornada). Levando-se isto em conta e tendo sido estimulado por muitos amigos para criar um blog, mesmo tendo preconceito com blogueiros, resolvi me tornar um deles. Foi assim que criei o blog farescamurcafurtado.wordpress.com

, no dia 31 de dezembro de 2016 e, desde então, venho alimentando-o com novas postagens continuamente. O blog tem o principal objetivo de compartilhas minhas resenhas, reflexões autobiográficas, crônicas, resumos de filmes, além de ser agraciado com resenhas e artigos de outros autores, os quais gentilmente cedem seus trabalhos para o domínio do meu blog”, citou.

 

Apostar no mundo virtual trouxe uma série frutífera das mais variadas possíveis, que foram elucidadas de uma forma bem categórica e humorada. “Frutos verdes, maduros e até mesmo alguns apodrecidos. Quanto aos verdes, refiro-me aos rascunhos malfeitos de algum trabalho que poderia ter sido melhor aproveitado após mais reflexões. Desta forma, muito conteúdo pueril foi publicado desnecessariamente. Confesso que faço isso ainda hoje. Muitas vezes, no impulso e não querendo postergar a publicação, não desejando ter o trabalho de revisar o material, publicamos coisas triviais, sem muita relevância. Porém, não considero tais experiências de todo inaproveitáveis, uma vez que até mesmo a manga verde com sal tem um sabor maravilhoso. Esse mostruário de trivialidades, futuramente, pode ser organizado ao ponto de criar uma série de aforismas, frases, breves meditações, etc. Os frutos maduros são aqueles trabalhos mais técnicos, robustos e belos que estão na gaveta ou que foram produzidos por uma demanda específica sobre os quais pensamos: “vale a pena publicar”. Em geral, são estes os trabalhos mais lidos e mais edificantes. Com o blog, pude conhecer grandes estudiosos, escritores, publicar material de pessoas extremamente qualificadas, ter a oportunidade de ver minhas resenhas sendo publicadas em outras revistas (como a revista Homeschooling Brasil), ser convidado a participar de alguns eventos e palestras e, por último, passei a fazer alguns vídeos para uma instituição de ensino teológico. Os frutos podres dizem respeito aos debates infindáveis sobre questiúnculas que se estendem ad eternum e que vão nos dominando. Não sou contra debates (aliás, até gosto de umas boas ironias), mas é que depois de muito debater temáticas diversas com pessoas despreparadas, é como se estivéssemos jogando pérolas aos porcos. As mídias sociais não são ambientes propícios para o bom debate, posto que qualquer escritor medíocre pode expressar sua opinião sobre um tema que ignora completamente. Ver isto na timeline dos outros, tudo bem; mas encher a sua própria timeline disto, paciência, não dá mais. Os frutos podres são ainda as palavras torpes jogadas ao vento, as inimizades desnecessárias obtidas por um ego inflado; o excesso de intimidade que pode se dar a alguém que de outra forma nunca se daria (que na maioria das vezes é nocivo)”, argumentou.

 

Quanto à expansão da palavra de Deus para outras ferramentas, Pastor Fares não pretende expandir, e sim continuar com o trabalho que vem desenvolvendo. “Por enquanto, não tenho pensado nisto. Pretendo continuar publicando meus artigos e resenhas; falando sobre a Bíblia e escritos teológicos e filosóficos com alguns amigos; estudando a Palavra de Deus em várias versões e nas línguas originais por meio de boas ferramentas físicas e virtuais e aproveitando as oportunidades que me forem dadas. Talvez um dia, eu possa me dedicar com mais afinco à escrita ao ponto de produzir alguns livros. Por enquanto, são só projetos!”, arrazoou.

O médico disse como tem enxergado o uso das redes sociais. “Com cautela. Hoje posso dizer que sou um “viciado em recuperação” em termos de tempo dispensado às redes sociais. Se você não se policiar, logo não terá tempo para mais nada. Um dos perigos é a realização de tarefas em função da exposição pessoal. Hoje, se publica quase todas as atividades de alguém, como se o Facebook fosse um diário aberto de nossas vidas. Corre-se o risco de realizar algo apenas para a apreciação dos outros e não para o nosso aprendizado e edificação. Outro risco é ampliar as possibilidades de viver uma dicotomia relacional, ou seja, ter um leque de amizades que só podem ser desenvolvidas em caráter sigiloso e o leque das amizades reais. Amigos secretos somente aqueles em que damos bons presentes e recebemos os piores possíveis; fora isso, qualquer amizade sigilosa é, em sua essência, nociva, perniciosa e deletéria. No entanto, as redes sociais quando bem utilizadas, podem servir de excelente ferramenta para expor nosso trabalho, nossa cosmovisão, criar um círculo de amizades sobre determinado tema, ter a oportunidade de interagir com excelentes acadêmicos, irmãos, pastores, teólogos, filósofos, que de outra forma não poderíamos ter; além de matar a saudade de nossos familiares e amigos por meio de uma chamada de vídeo”, falou.

 

À luz das Escrituras o teólogo exprimiu uma mensagem para os usuários das redes sociais em geral. “Há tempo para tudo; para usar as redes sociais e para não as usar. Não gaste todo o seu tempo, talento e potencial descendo a timeline de seu Facebook. Equilibre o uso das redes sociais com a leitura de bons livros, dentre eles principalmente as Escrituras Sagradas, assistindo bons filmes, realizando exercícios físicos, estudando, trabalhando, aprendendo um novo idioma. Para a maioria das pessoas, encontrar as redes sociais é ecoar a frase Post Tenebras Lux (após as trevas, chegou à luz). Um mundo de opções relacionais se abre exponencialmente. Infelizmente, as péssimas escolhas que muitos usuários (inclusive eu já fiz) tomam levam o indivíduo a dizer post lucem tenebrae (depois da luz, chegou as trevas). Que a graça de Deus te faça fugir dos convites inapropriados, das conversas indevidas, das postagens e comentários egoístas e da redoma carcerária compulsiva que as redes podem trazer. Mesmo que você já tenha cometido graves erros (talvez haja algum iluminado que ainda não os cometeu) nas mídias sociais, coloque-se Coram Deo (diante de Deus) e saiba que em todos os meandros, links, mensagens apagadas, criptografadas, em qualquer um destes ambientes ali está a presença de Deus! Mesmo que já tenhas errado bastante também neste campo virtual, é possível voltar a ser edificado e a edificar pessoas pelo uso adequado desta excelente ferramenta. Que Deus nos guie!”, concluiu.

 

Texto: Abud Mamed
Foto: Acervo Pessoal

 

[i] Disponível em: https://www.facebook.com/abud.mameddasilva/posts/1477213892412963

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