Resenha 69: Aristóteles em Nova Perspectiva (Olavo de Carvalho)

RESENHA 69

ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA: A teoria dos quatro discursos.

Autor: Olavo de Carvalho

Campinas,SP: VIDE Editorial, 2013, 152 pp.

 

Neste livro, Olavo de Carvalho apresenta uma de suas principais contribuições filosóficas: a teoria dos Quatro Discursos em Aristóteles. Nas palavras do próprio Olavo, a tese é a seguinte: “O discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica).” (p. 22).

 

Com insights de Avicena e Sto. Tomás de Aquino, Olavo percebeu uma unidade ao longo dos escritos do Estagirita, de maneira que Poética, Retórica, Dialética e Lógica estão tão integrados no sistema aristotélico, que seria inconcebível para o filósofo ver a dicotomia atual entre Literatura e Filosofia (como se aquela fosse coisa de “dondoquinhas” recatadas e esta fosse coisa de verdadeiros pensadores). Ele atribui parte dessa dicotomia à mais tradicional classificação dos escritos aristotélicos feita por Andrônico de Rodes e à separação definitiva, inclusive em departamentos e prédios diferentes das Ciências (verdadeira Lógica) e das Letras (o pessoal da Poética, “uma categoria inferior”), durante o regime napoleônico.

 

O discurso poético, por meio da imaginação, apresenta o possível (o que poderia ter ocorrido); o discurso retórico, apresenta o verossímil, convocando o ouvinte ou o leitor a uma tomada de decisão; o discurso dialético, por meio das confrontações de ideias, premissas e sistemas contraditórios, abre espaço para o provável ( estimula o indivíduo a pensar fora da redoma); o discurso analítico, por fim, apresenta o verdadeiro, aquilo que pode ser provado em definitivo (apodíctico).

Para isto, é necessário humildade. Enfático, Olavo de Carvalho nos adverte:

reconhecer que não se compreende é às vezes o requisito preliminar da compreensão. Por isto não há nada mais indigesto ao educador do que um jovem apegado às suas próprias opiniões, como um velho ranheta, desconfiado, hostil, fechado num muro de defesas.” (p. 76).

Focar-se em um único tipo de discurso é limitar a busca pela verdade e apreensão da realidade. A partir dos sentidos, o indivíduo desenvolve seu imaginário, capacitando-se para verificar a força e a fraqueza de um discurso retórico; adquire domínio e competência para confrontar sistemas e ideias, sabendo, por fim, ter embasamento para sentenciar algo de forma apodítica.

Ao final, o autor apresenta de maneira bem-humorada sua réplica a um parecer contrário à publicação de seu escrito na SBPC. Era a antecipação do “O Imbecil Coletivo”. Aqui, neste escrito, com uma clareza ímpar, encontramos a síntese de várias aulas do COF, antes mesmo de terem sido ministradas. Qualquer leitor pode tirar proveito desta leitura antes mesmo de ter lido o próprio Aristóteles. Uma leitura muito cativante!

 

 

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