R.O.A. (09) – Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais. Resenhista: Tiago Sousa

R.O.A. (09) – Dez Argumentos para você deletar agora suas redes sociais

Resenhista: Tiago Sousa

 

Sobre o resenhista:

Tiago Sousa é cristão, casado, leitor viciado e membro da ADTC Monte Horebe em Maracanaú, onde serve como músico e professor de EBD. Possui interesse nas áreas de Literatura, Linguística, Filosofia e Teologia.

 

 

LEITURA 12/2019 (Nota do blog: Ao longo deste ano, o autor Tiago Sousa tem catalogado suas leituras e feito excelentes citações e resumos em seu facebook). Link para acesso:

https://www.facebook.com/tiago.sousa.58367.

 

ATENÇÃO: texto enorme porque o livro é muito interessante e eu o resumi por inteiro. Incentivo muito a leitura desta resenha até o fim e, se possível, a leitura do livro para um maior aprofundamento nos pontos destacados.

Nesse livro, Jaron Lanier, cientista da computação precursor da realidade virtual nos anos 80 e um dos maiores conhecedores do tema no mundo, nos oferece 10 razões para deletarmos todas as nossas contas em redes sociais. O mais interessante desse livro é que ele é escrito por um dos primeiros e maiores proponentes da internet do mundo, e que está ligado ao Vale do Silício, região da baía de São Francisco onde estão situadas várias empresas de alta tecnologia como Apple, Google, eBay, Intel, Yahoo, Facebook, Netflix, dentre outras. Hoje ele não possui nenhuma rede social e aconselha pessoas a não possuí-las também. O livro é bem impactante e descortina o que acontece no mundo secreto das empresas supracitadas.

O autor introduz o livro com uma analogia entre gatos e cachorros. Estes últimos são domesticáveis, enquanto aqueles não o são. Os gatos parecem conseguir conviver bem com os seres humanos — suas “redes sociais” –, porém, mantém sua personalidade e livre-arbítrio nas decisões. A partir disso, Lanier discorre sobre como podemos ser gatos em um mundo domesticável, que usa as redes sociais como ferramenta controladora.

No primeiro capítulo e argumento um, “Você está perdendo seu livre-arbítrio”, Jaron discorre sobre os algoritmos das redes sociais que estão baseados na teoria behavirosta oriunda da psicologia. Ele vê as grandes empresas de redes sociais como “impérios de modificação de comportamento”. O algoritmo trabalha nessa relação de “recompensa x punição”, influenciado a produção de dopamina no cérebro e fazendo com que isso interfira diretamente em tomadas de decisões com base em publicações, propagandas e controle de comportamento com base em suas informações na rede. Isso causa um vício que é extremamente prejudicial à vivência humana. O cérebro sempre precisará de mais e mais doses de dopamina, causando uma dependência química advinda do uso das redes sociais. Quem nunca ficou olhando notificações a cada instante no celular? Nada palavras do autor: “Para se libertar, ser mais autêntico, menos viciado, menos manipulado, menos paranoico… por todos esses motivos maravilhosos, delete suas contas nas redes sociais”.

No argumento dois, “Largar as redes sociais é a maneira mais certeira de resistir à insanidade dos nossos tempos”, Lanier fala sobre a Bummer (abreviação de “Behaviors of User Modified, and Made into an Empire for Rent” que significa “Comportamentos de Usuários Modificados e Transformados em um Império para Alugar”), ou seja, a máquina estatística que vive nas nuvens da computação e utiliza os algoritmos para manipular escolhas, decisões e comportamentos dos usuários. O autor discorre sobre as partes que formam a máquina Bummer, suas ações e consequências nas redes sociais e na vida humana. Jaron explica que o problema não é a tecnologia em si, mas seu uso para manipular pessoas. Para ele, “[…] o problema não é uma tecnologia específica, mas o uso da tecnologia para manipular pessoas, para concentrar poder de maneira tão insana e sinistra a ponto de se tornar uma ameaça à sobrevivência da civilização. Se quiser deixar o mundo mais são, não é preciso abrir mão de seu smartphone, dos serviços na nuvem ou dos sites. Você não precisa temer a matemática, as ciências sociais nem a psicologia. Bummer é o que se deve evitar. Delete suas contas Bummer!”

No argumento três, “As redes sociais estão tornando você um babaca”, ele mostra como o ambiente das redes sociais potencializam o que há de pior no ser humano. Ele define um conceito chamado “interruptor Solitário/Alcateia” onde podemos ser ou não influenciados por uma hierarquia social, que passa a nos controlar e minar nosso pensamento individual. Ele recomenda estar em locais onde você é mais gentil. Esses locais, geralmente, não são as redes sociais. “Se, ao participar de alguma plataforma on-line, você notar algo desagradável dentro de si mesmo, uma insegurança, uma sensação de baixa autoestima, uma ânsia de partir para o ataque, de bater em alguém, saia dessa plataforma”, afirma Lanier.

No argumento quatro, “As redes sociais minam a verdade”, o autor elucida sobre como a Bummer torna seu usuário uma pessoa falsa. Usuários no modo “alcateia” promovem uma “guerra social”; as empresas espionam seus dados, comprimem informações, direcionam e lucram com essas informações. Tudo isso destrói a verdade pela simplificação e pragmatismo do mundo corporativo.

No argumento cinco, “As redes sociais transformam o que você diz em algo sem sentido”, Jaron fala sobre como a Bummer torna de contexto as publicações de seus usuários e as resignifica dentro de seu próprio contexto controlador. O autor diz que os podcasts são uma das poucas plataformas online que ainda não foram corrompidas com esse problema. E mais: ele ainda mostra como esse corrupção poderia acontecer.

No argumento seis, “As redes sociais destroem sua capacidade de empatia”, sabemos como a Bummer destrói nossa percepção social, nossa capacidade de perceber o que as pessoas estão fazendo. Isso causa uma “dormência social” que nos coloca em uma bolha isolada do mundo. Para ele, “[…] a forma mais corriqueira de miopia on-line é que a maioria das pessoas só consegue encontrar tempo para ver o que é posto diante de si por feeds algorítmicos”.

No argumento 7, “As redes sociais deixam você infeliz”, é-nos mostrado como a Bummer mina nossa felicidade pela falsa sensação de conexão, mas que realidade é um isolamento que deságua em solidão e depressão. As empresas usam seus usuários para cavar informações — já que informação é a moeda do século XXI — e, nesse processo, as consequências por conta da manipulação atingem diretamente nossas relações interpessoais.

No argumento oito, “As redes sociais não querem que você tenha dignidade econômica”, mostra o desenvolvimento da Bummer e como ela engana seus usuários promovendo supostos serviços gratuitos. Esse serviços, porém, são oferecidos a custo de informações para fins propagandísticos. Ou você nunca se perguntou o porquê de receber ligações e emails de empresas das quais você numca ouviu falar? O plano de negócio Bummer é retirar seus dados sorrateiramente e ganhar dinheiro com isso. É uma permuta: ela te oferece serviços gratuitos e em troca você é espionado. “Só terei uma conta no Facebook, no Google ou no Twitter quando puder pagar por isso — e, de maneira inequívoca, ter e determinar o preço pelo uso de meus dados, e também for fácil e normal ganhar dinheiro se meus dados forem valiosos. Pode ser que eu tenha que esperar um pouco, mas valerá a pena”, pontua Jaron.

No argumento nove, “As redes sociais tornam a política impossível”, e talvez o capítulo mais polêmico, Lanier levanta a questão de como a Bummer pode interferir em resultados de eleições. Ele vai usar muitos relatos e informações do contexto norte-americano para validar sua afirmativa. A Bummer, segundo ele, não possui comprometimento ideológico — ela é uma máquina! E isso é prejudicial para todos os espectros políticos. Jaron se coloca como mais progressista, mas ele consegue ser um pouco imparcial em sua analise. Mesmo assim ele é assumidamente anti-Trump. Para ele o presidente americano e os interessados (ele inclui Rússia!) em sua vitória utilizaram-se da Bummer para alavancar a candidatura do magnata, suprimir as chances da concorrente Hillary e fazer com que pessoas fossem influenciadas a não votar por meio de controle online baseado em conteúdo cético. É um capítulo bastante interessante, mesmo não concordando com tudo e achando alguns relatos bem na linha “teoria da conspiração”.

No décimo e último argumento, “As redes sociais odeiam sua alma”, o autor demonstra como a Bummer é praticamente uma religião controladora: ela mitiga sua liberdade, mente sobre sua dependência toda dela, te prende na “alcateia” e provoca erosão da verdade através de crenças sem provas ou explicações. Ela possui seus ritos, suas regras, suas unidades de controle e prometem paraísos por meio da tecnologia. Há interessante relato sobre a origem, significado e a mudança de uso do termo “meme”, que foi cunhado pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins e fala sobre unidades de cultura que são passadas ou não por um processo de seleção pseudodarwiniano. Jaron termina esse capítulo afirmando que o “[…] que quer que uma pessoa possa ser, se você quer ser uma, delete suas contas”.

Por fim, o autor nos chama novamente a uma atitude de gatos. Ele não espera que o leitor delete todas as suas contas após o término do livro. Porém, mesmo que o leitor não realize essa atitude, podemos dizer que a leitura desse livro nos faz pensar melhor nossa relação para com as redes sociais. Eu, particularmente, pretendo excluir uma rede nos próximos dias para testar algumas mudanças comportamentais em mim. Esse livro veio em um momento onde tenho repensando minha relação com os aplicativos sociais e como fazer deles mais eficientes sem denegrir minhas relações sociais cara a cara. Indico fortemente esse livro para todos os usuários, amantes e viciados em internet.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s