Resenha 71: Brecha em nossa Santidade (Kevin DeYoung)

RESENHA 71

Brecha em Nossa Santidade

Autor: Kevin DeYoung

 

Publicação Original: The Hole in Our Holiness: filling the gap between gospel passion and the pursuit of godliness. © 2012. Publicado por CrossWay Books.

 

Tradução: Eros Pasquini Júnior.

São José dos Campos: Editora Fiel, 2013, 208 pp.

 

O livro é excelente e é endossado por grandes celebridades do campo evangélico, entre eles Piper, Horton e Mahaney. Este afirma que o livro de DeYoung é o correspondente contemporâneo de Santidade, do bispo J.C. Ryle.

 

O autor é muito realista no que esboça sobre a temática e refere com bom humor o que é a brecha na santidade, ou seja, a indiferença em busca-la ou a falta de ênfase em santidade em nossos tempos. Ele a compara com o camping: é bom para os outros (p. 13), mas para mim, não. No primeiro capítulo ele explica as causas das brechas: jovens não estão acostumados com itens proibidos, pessoas não regeneradas no meio da igreja, indiferentismo, preguiça, dentre outras coisas; em certo sentido, muitas das comunidades eclesiásticas, na prática, abriram mão da santificação.

 

No segundo capítulo ele demonstra que geralmente as pessoas não sabem para que foram salvas: mas foi para serem santas (Ef. 1:3,4). No terceiro capítulo, ele descreve com uma ampla lista de passagens bíblicas em que consiste realmente a piedade, apontando, de maneira similar a Martyn Lloyd-Jones, o que não é para depois mostrar o que é santidade. No quarto capítulo ele aponta alguns incentivos e tônicos para termos uma vida piedosa. Este capítulo é muito bom. Mas quanto ao tema lei e graça, ele evitou a polêmica e o grande debate reformado-disensacionalista-luterano, talvez porque este não seja o propósito do livro. Mas já que a discussão sobre a vida de santidade não deixa de levar em conta as chaves hermenêuticas acima alocadas seria de bom tom explorar com mais precisão o debate teológico aqui referendado.

 

No quinto capítulo, ele expressa que é possível ter prazer em Deus e a possibilidade para piedade é real. Aqui ele se vale muito do livro Graça Futura de John Piper, onde este autor apresenta o conceito de que o motivador de nosso serviço por Deus não é a gratidão (esta é a ética do devedor), mas a graça futura.

 

No capítulo 6, ele mostra como é possível batalhar pela fé e vencer as tentações. Nota interessante a que ele cita na p. 122 sobre como usou Mt 5:8 para vencer a tentação de olhar para uma mulher seminua. O capítulo 7 é excelente e trata da difícil doutrina da “união com Cristo”. Aqui ele mostra que possui o dom da síntese, pautada por uma boa teologia e por um bom entendimento de leituras profundas.

 

Olhe essa bela nota na página 139: “Santidade não é, em última análise, viver à altura de um bom padrão moral. Diz respeito a viver em Cristo e viver a partir de nossa união real e vital com ele.” Na página 141, ele afirma: “Seja quem você é”. Esta é uma declaração bíblica. “Mas o que você a que ele se refere é o que você é pela graça, não por natureza.” Na página 145, o autor, que é reformado, declara nitidamente o lugar do pedobatismo. A editora Fiel prontamente faz uma nota de advertência contra tal prática.

 

O capítulo 8 é intitulado “Os Santos e a imoralidade sexual”. É uma baita duma lapada em todos nós; percebe-se de forma translúcida o constrangimento do autor em ter que tratar de coisas pessoais para advertir a todos nós. Muito proveitoso este capítulo. No capítulo 9, ele trata da comunhão com Cristo (Permanecer e obedecer). O destaque é: a união é inalterável, mas a comunhão pode ser afetada pelo pecado.

 

Por fim, o capítulo 10 trata do tema “que todos vejam o seu progresso”. DeYoung vê Romanos 7 como representando o cristão em sua luta contra o pecado (p. 197), mas apesar deste erro interpretativo de Romanos 7, ele foca muito bem a necessidade de progresso visível, que consiste nos frutos de alguém que realmente foi regenerado (cf. 1 Tm 4:15). Um livreto útil que deve servir de entrada para os menos acostumados com leituras mais robustas sobre santidade, preparando-os para ler os puritanos (principalmente Owen), o bispo Ryle e Lloyd-Jones!

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4 comentários sobre “Resenha 71: Brecha em nossa Santidade (Kevin DeYoung)

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